Setecidades Titulo Vítimas tinham entre 4 e 9 anos

Padrasto acusado de envenenar jovem abusou sexualmente de enteados

Delegada responsável pelo caso afirmou que possui provas de que Admilson Ferreira dos Santos teria violentado pelo menos três vítimas

Thainá Lana
Fábio Júnior
Especial para o Diário
16/07/2025 | 19:13
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FOTO: Fábio Júnior/DGABC
FOTO: Fábio Júnior/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Admilson Ferreira dos Santos, 52 anos, preso nesta quarta-feira (16), suspeito de envenenar o enteado com bolinhos de mandioca, Lucas da Silva Santos, 19, é acusado pela Polícia Civil de São Bernardo de abusar sexualmente do jovem e de outras duas pessoas, na época que as vítimas tinham entre 4 e 9 anos, conforme afirmou a delegada responsável pelo caso, Liliane Doretto. O suspeito foi detido temporariamente em casa, no bairro Alvarenga, e não tem passagem pela polícia.  

A esposa e mãe de Lucas, Rosemeire da Silva Santos, 52, afirmou em conversa com a delegada que sabia dos abusos, pois o acusado teria assumido para ela anos atrás. “A mãe disse ontem (terça-feira) que acreditava que ele era o culpado (do envenenamento), pois no dia eles (Lucas e Admilson) tinham brigado e eles tinham um comportamento diferenciado. Antes ela não conseguia falar, mas depois que os filhos denunciaram os abusos ela se sentiu mais encorajada para falar”, revelou a delegada. 

Antes de ser anunciado como principal suspeito do crime pela polícia, quatro, dos sete irmãos de Lucas, compareceram ao 8° DP (Distrito Policial) e falaram que não descartavam a participação, ou até mesmo autoria do crime. De acordo com os familiares, a relação com o padrasto nunca foi boa e ele possui histórico de agressão contra os enteados. 

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Durante coletiva de imprensa, Doretto disse que os crimes de abuso aconteceram durante anos e que não há denúncias formais devido ao controle emocional sobre as vítimas, inclusive sobre Lucas. Mesmo sem os registros formais, os crimes deverão contar no inquérito final da polícia sobre o caso. Inclusive também possíveis evidências de violência doméstica contra a esposa, Rosemeire da Silva Santos. 

Na quarta-feira, uma sobrinha de Admilson e prima de consideração de Lucas, Nayara Pereira dos Santos, denunciou ser uma das vítimas dos abusos sexuais. Ela disse que chegou a morar com ele durante um período enquanto era criança e que toda a família sabia das violações, porém ninguém procurou a polícia ou qualquer outro órgão para denunciar. 

“A família inteira sabe que ele é assim. Ele começou a me violar quando tinha apenas 6 anos, passava a mão em mim enquanto tomava banho, mexia nas minhas partes íntimas. Teve que acontecer o pior para que ele seja finalmente preso. O Admilson abusou de todos os irmãos, mas ele sempre ameaçou, falava que ia matar, deixar de castigo e que ninguém iria acreditar na denúncia. Sem contar que ele é manipulador”, denunciou.  

Entenda o caso

O caso aconteceu na última sexta-feira (11) quando Lucas passou mal meia hora depois de jantar com a família e comer bolinhos de mandioca que estariam supostamente envenenados. Os salgados foram enviados pela tia paterna, Cláudia Pereira dos Santos Daliessi, 43, e além do jovem, seu irmão mais novo, Thiago da Silva Santos, 17, a mãe, Rosemeire da Silva Santos, 52 e o padrasto, Admilson, comeram os bolinhos, mas apenas Lucas apresentou sintomas. 

O padrasto se tornou o principal suspeito de cometer o crime após reviravoltas no caso.  Até o início da tarde de terça-feira (15), a suspeita era a irmã de Admilson. Porém, segundo inconsistências do padrasto durante depoimento e também com novas provas apresentadas por Cláudia, o padrasto passou a ser o principal suspeito. 

Novas informações divulgadas pela polícia revelam que o próprio Admilson teria pedido para a irmã preparar os bolinhos e que ele mesmo teria entregado individualmente para os familiares. No primeiro depoimento, realizado no último sábado, Cláudia confirmou que enviou cinco bolinhos de mandioca para a família do irmão e negou ter envenenado o alimento. No depoimento, a tia disse que também ingeriu salgados com seus familiares e animais de estimação e que ninguém teria passado mal.

A delegada do caso disse que Admilson tentou atrapalhar a investigação e que apresentou um comportamento controlador. “Ele tem uma atuação teatral, tentou de tudo quanto é forma ludibriar a equipe, mas conseguimos elucidar esse caso com muita cautela. O crime foi premeditado porque ele não queria que o Lucas saísse de casa, por isso ele envenenou o jovem. Não há mais nada a ser somado nessa investigação, só estamos aguardando o resultado do laudo”. A autoridade policial revelou ainda que não há nenhuma dúvida sobre o caso e que não tem mais testemunhas para serem ouvidas. 


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