Vítimas tinham entre 4 e 9 anos Delegada responsável pelo caso afirmou que possui provas de que Admilson Ferreira dos Santos teria violentado pelo menos três vítimas
FOTO: Fábio Júnior/DGABC

Admilson Ferreira dos Santos, 52 anos, preso nesta quarta-feira (16), suspeito de envenenar o enteado com bolinhos de mandioca, Lucas da Silva Santos, 19, é acusado pela Polícia Civil de São Bernardo de abusar sexualmente do jovem e de outras duas pessoas, na época que as vítimas tinham entre 4 e 9 anos, conforme afirmou a delegada responsável pelo caso, Liliane Doretto. O suspeito foi detido temporariamente em casa, no bairro Alvarenga, e não tem passagem pela polícia.
A esposa e mãe de Lucas, Rosemeire da Silva Santos, 52, afirmou em conversa com a delegada que sabia dos abusos, pois o acusado teria assumido para ela anos atrás. “A mãe disse ontem (terça-feira) que acreditava que ele era o culpado (do envenenamento), pois no dia eles (Lucas e Admilson) tinham brigado e eles tinham um comportamento diferenciado. Antes ela não conseguia falar, mas depois que os filhos denunciaram os abusos ela se sentiu mais encorajada para falar”, revelou a delegada.
Antes de ser anunciado como principal suspeito do crime pela polícia, quatro, dos sete irmãos de Lucas, compareceram ao 8° DP (Distrito Policial) e falaram que não descartavam a participação, ou até mesmo autoria do crime. De acordo com os familiares, a relação com o padrasto nunca foi boa e ele possui histórico de agressão contra os enteados.
Durante coletiva de imprensa, Doretto disse que os crimes de abuso aconteceram durante anos e que não há denúncias formais devido ao controle emocional sobre as vítimas, inclusive sobre Lucas. Mesmo sem os registros formais, os crimes deverão contar no inquérito final da polícia sobre o caso. Inclusive também possíveis evidências de violência doméstica contra a esposa, Rosemeire da Silva Santos.
Na quarta-feira, uma sobrinha de Admilson e prima de consideração de Lucas, Nayara Pereira dos Santos, denunciou ser uma das vítimas dos abusos sexuais. Ela disse que chegou a morar com ele durante um período enquanto era criança e que toda a família sabia das violações, porém ninguém procurou a polícia ou qualquer outro órgão para denunciar.
“A família inteira sabe que ele é assim. Ele começou a me violar quando tinha apenas 6 anos, passava a mão em mim enquanto tomava banho, mexia nas minhas partes íntimas. Teve que acontecer o pior para que ele seja finalmente preso. O Admilson abusou de todos os irmãos, mas ele sempre ameaçou, falava que ia matar, deixar de castigo e que ninguém iria acreditar na denúncia. Sem contar que ele é manipulador”, denunciou.
Entenda o caso
O caso aconteceu na última sexta-feira (11) quando Lucas passou mal meia hora depois de jantar com a família e comer bolinhos de mandioca que estariam supostamente envenenados. Os salgados foram enviados pela tia paterna, Cláudia Pereira dos Santos Daliessi, 43, e além do jovem, seu irmão mais novo, Thiago da Silva Santos, 17, a mãe, Rosemeire da Silva Santos, 52 e o padrasto, Admilson, comeram os bolinhos, mas apenas Lucas apresentou sintomas.
O padrasto se tornou o principal suspeito de cometer o crime após reviravoltas no caso. Até o início da tarde de terça-feira (15), a suspeita era a irmã de Admilson. Porém, segundo inconsistências do padrasto durante depoimento e também com novas provas apresentadas por Cláudia, o padrasto passou a ser o principal suspeito.
Novas informações divulgadas pela polícia revelam que o próprio Admilson teria pedido para a irmã preparar os bolinhos e que ele mesmo teria entregado individualmente para os familiares. No primeiro depoimento, realizado no último sábado, Cláudia confirmou que enviou cinco bolinhos de mandioca para a família do irmão e negou ter envenenado o alimento. No depoimento, a tia disse que também ingeriu salgados com seus familiares e animais de estimação e que ninguém teria passado mal.
A delegada do caso disse que Admilson tentou atrapalhar a investigação e que apresentou um comportamento controlador. “Ele tem uma atuação teatral, tentou de tudo quanto é forma ludibriar a equipe, mas conseguimos elucidar esse caso com muita cautela. O crime foi premeditado porque ele não queria que o Lucas saísse de casa, por isso ele envenenou o jovem. Não há mais nada a ser somado nessa investigação, só estamos aguardando o resultado do laudo”. A autoridade policial revelou ainda que não há nenhuma dúvida sobre o caso e que não tem mais testemunhas para serem ouvidas.
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