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Tarifaço pode tirar inicialmente mais de 3.500 empregos no Grande ABC

Esse é o apontamento do Sindicato dos Borracheiros após taxação de 50% de Donald Trump sobre produtos brasileiros

Bruno Coelho
15/07/2025 | 08:43
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FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Enquanto Brasília discute alternativas ao tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao Estados Unidos a partir de 1º de agosto, após anúncio do presidente Donald Trump, a indústria do Grande ABC já emite os primeiros alertas, caso o cenário não se altere nas próximas semanas. Um deles vem do Sintrabor (Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo e Região), que já aponta perda de cerca de 3.500 empregos a partir de Santo André. 

O recado foi entregue ontem pelo presidente do Sintrabor, Márcio Ferreira, ao lado de representantes do segmento industrial, na Agência de Desenvolvimento do Grande ABC, durante visita do secretário de Desenvolvimento Industrial, Uallace Moreira Lima, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O representante do ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) esteve em Santo André para ouvir as demandas da região e levá-las à Capital federal.

O sindicalista foi categórico ao dizer que a partir das medidas da Casa Branca, a primeira empresa a fechar será a Bridgestone, seguida da Prometeon (antiga Pirelli). “Se pegar a Bridgestone, aqui em Santo André, temos 3.500 trabalhadores. A empresa fechou a parte (de fabricação) dos pneus de agricultura. Parou as máquinas, pegou o pessoal e está fazendo pneu de caminhão. Esses pneus de caminhão estão indo tudo para os Estados Unidos. Porque lá fecharam uma fábrica e a produção veio para cá. Se colocar 50% (de tarifa), a empresa não vai fabricar mais nada”, projetou.

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No Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criou ontem o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, que será presidido por Alckmin, a fim de ouvir os setores empresariais para detectar as implicações do anúncio realizado por Trump. “Esse comitê visa criar uma agenda de negociação. Acho que o grande passo agora que vai ser dado, coordenado pelo vice-presidente, é a construção do diálogo com o governo norte-americano”, destacou Uallace Moreira.

O tarifaço de Washington é apenas um dos problemas que o segmento de pneus no Brasil – e o Grande ABC não é exceção – vem enfrentando com a expansão da concorrência internacional no mercado local. De acordo com a Agência de Desenvolvimento, a entrada de empresas asiáticas fez com que os empreendimentos brasileiros assistissem à queda de 70% para 45% o volume de produtos nacionais comercializados entre 2021 e o último levantamento, em detrimento de pneumáticos importados, que agora lideram o setor.

Sobre a concorrência internacional que setores produtivos brasileiros enfrentam, o secretário afirmou que a União já adota ações antidumping, que são medidas com a finalidade de proteger a indústria doméstica perante produtos estrangeiros comercializados a preços menores. No entanto, Uallace Moreira ponderou que nem sempre o aumento de tarifa sobre a importação é o suficiente para frear tal disputa, vista como “desleal” pelas empresas locais.

“O próprio FMI (Fundo Monetário Internacional) tem um estudo mostrando que hoje o comércio internacional é 78% distorcido. Então, não podemos mais falar em concorrência perfeita no comércio internacional, sendo que os países, principalmente na Europa, os Estados Unidos e a China adotam políticas de subsídios, incentivos e defesa comercial que distorcem a lógica”, disse.

Durante agenda na Agência de Desenvolvimento, Uallace Moreira ouviu propostas de representantes da indústria do Grande ABC dos mais diversos setores, como o Ciesp (Centro das Indústrias do Estados de São Paulo), que solicitou juros mais baixos e maior acesso a créditos. Outro ramo foi o Polo Petroquímico, que reúne 20 empresas, com o objetivo de requerer delimitações geográficas visando reter o adensamento populacional no entorno, ameaçando a continuidade operacional na área. Outro tema de debate foi o posicionamento da região no plano Nova Indústria Brasil.

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