Impacto Segmentos foram responsáveis por 77,8% dos US$ 345,7 milhões em produtos exportados pelo Grande ABC aos EUA no primeiro semestre
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O Grande ABC não deverá passar ileso à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar em 50% a exportação de produtos brasileiros ao território norte-americano, a partir de 1º de agosto. Apenas no primeiro semestre deste ano, a região enviou ao país o correspondente a US$ 345,7 milhões em mercadorias, ou 12% dos US$ 2,8 bilhões em negócios realizados pelo mundo no período. Já as importações provenientes dos EUA às sete cidades chegaram a US$ 325,3 milhões – 11,9% do total de US$ 2,7 bilhões.
Os segmentos mais ameaçados na região são o de cobre e suas obras (US$ 129,3 milhões), que tem na Termomecânica, de São Bernardo, o seu principal expoente; borracha e suas obras (US$ 80,8 milhões), com predomínios das fabricantes de pneus Prometeon (antiga Pirelli) e Bridgestone, em Santo André, e armas e munições, com a CBC (US$ 59 milhões), líder mundial em cartuchos, em Ribeirão Pires.
Já entre as áreas no Grande ABC que mais importaram produtos dos Estados Unidos estão químicos (US$ 115,3 milhões), plásticos, borrachas e suas obras (US$ 100,1 milhões), além de máquinas e aparelhos, material elétrico, com US$ 40 milhões.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC, Moisés Selerges, classificou a medida como “um comportamento infantil” por parte do governo norte-americano. “Trump mente ao dizer que o Brasil tem superávit na relação comercial. Quem tem superávit são os Estados Unidos”.
Segundo o sindicalista, apesar de a decisão da Casa Branca ter repercussões preocupantes, não há risco imediato de demissões na indústria da região. “O mercado interno segue aquecido e o Brasil exporta para outros países além dos Estados Unidos”, disse. Ele também negou a possibilidade de greves ou paralisações como forma de protesto.
Para Selerges, o impacto real dependerá da postura do governo federal. “Quero crer que o governo brasileiro usará da reciprocidade, como fez a China em situação semelhante”, avaliou ele, que também criticou a ausência de políticas estaduais de fomento à indústria. “O Grande ABC é a esquina do Brasil, mas o governo de São Paulo não se importa com a questão industrial. Está mais preocupado em ‘pagar pau’ para os Estados Unidos. Não há nenhuma medida para atrair novos investimentos, como em outras regiões do País”.
Procurada, a Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumático) não quis se manifestar, assim como as fabricantes Prometeon e Bridgestone. Termomecânica e CBC, a exemplo dos sindicatos que as representam, também não se pronunciaram.
Para o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), o empate entre os dois países ultrapassa os limites da diplomacia ao utilizar a questão tarifária como instrumento de disputa pessoal e ideológica. “Tal postura equivocada tem causado prejuízos concretos e imediatos às nossas relações comerciais, afetando diretamente as forças produtivas, os trabalhadores e toda a sociedade”, diz a nota.
Já a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criticou a tarifa e defendeu, em nota, que o ‘bom senso’ volte a nortear a relação entre os países. “Esperamos que a diplomacia e as negociações equilibradas prevaleçam, a despeito de ideologias e preferências pessoais”, diz o documento, assinado pelo presidente da entidade, Josué Gomes da Silva.
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