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Tarifaço põe indústrias de cobre, pneus e armas em alerta na região

Segmentos foram responsáveis por 77,8% dos US$ 345,7 milhões em produtos exportados pelo Grande ABC aos EUA no primeiro semestre

Angelo Verotti
Ryan Leme
Especial para o Diário
11/07/2025 | 08:23
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O Grande ABC não deverá passar ileso à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar em 50% a exportação de produtos brasileiros ao território norte-americano, a partir de 1º de agosto. Apenas no primeiro semestre deste ano, a região enviou ao país o correspondente a US$ 345,7 milhões em mercadorias, ou 12% dos US$ 2,8 bilhões em negócios realizados pelo mundo no período. Já as importações provenientes dos EUA às sete cidades chegaram a US$ 325,3 milhões – 11,9% do total de US$ 2,7 bilhões.

Os segmentos mais ameaçados na região são o de cobre e suas obras (US$ 129,3 milhões), que tem na Termomecânica, de São Bernardo, o seu principal expoente; borracha e suas obras (US$ 80,8 milhões), com predomínios das fabricantes de pneus Prometeon (antiga Pirelli) e Bridgestone, em Santo André, e armas e munições, com a CBC (US$ 59 milhões), líder mundial em cartuchos, em Ribeirão Pires.

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Já entre as áreas no Grande ABC que mais importaram produtos dos Estados Unidos estão químicos (US$ 115,3 milhões), plásticos, borrachas e suas obras (US$ 100,1 milhões), além de máquinas e aparelhos, material elétrico, com US$ 40 milhões.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC, Moisés Selerges, classificou a medida como “um comportamento infantil” por parte do governo norte-americano. “Trump mente ao dizer que o Brasil tem superávit na relação comercial. Quem tem superávit são os Estados Unidos”.

Segundo o sindicalista, apesar de a decisão da Casa Branca ter repercussões preocupantes, não há risco imediato de demissões na indústria da região. “O mercado interno segue aquecido e o Brasil exporta para outros países além dos Estados Unidos”, disse. Ele também negou a possibilidade de greves ou paralisações como forma de protesto.

Para Selerges, o impacto real dependerá da postura do governo federal. “Quero crer que o governo brasileiro usará da reciprocidade, como fez a China em situação semelhante”, avaliou ele, que também criticou a ausência de políticas estaduais de fomento à indústria. “O Grande ABC é a esquina do Brasil, mas o governo de São Paulo não se importa com a questão industrial. Está mais preocupado em ‘pagar pau’ para os Estados Unidos. Não há nenhuma medida para atrair novos investimentos, como em outras regiões do País”.

Procurada, a Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumático) não quis se manifestar, assim como as fabricantes Prometeon e Bridgestone. Termomecânica e CBC, a exemplo dos sindicatos que as representam, também não se pronunciaram.

Para o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), o empate entre os dois países ultrapassa os limites da diplomacia ao utilizar a questão tarifária como instrumento de disputa pessoal e ideológica. “Tal postura equivocada tem causado prejuízos concretos e imediatos às nossas relações comerciais, afetando diretamente as forças produtivas, os trabalhadores e toda a sociedade”, diz a nota.

Já a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criticou a tarifa e defendeu, em nota, que o ‘bom senso’ volte a nortear a relação entre os países. “Esperamos que a diplomacia e as negociações equilibradas prevaleçam, a despeito de ideologias e preferências pessoais”, diz o documento, assinado pelo presidente da entidade, Josué Gomes da Silva.


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HADDAD

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse onesta quinta-feira (10) que o governo estuda um “rol enorme” de medidas que podem ser adotadas caso as tarifas de 50% não sejam revertidas. “Há medidas tarifárias que não impactam a inflação. Isso não significa que vão ser acionadas, porque o nosso desejo é que até lá isso tenha sido superado. Teremos tempo para superar”, disse Haddad, na sede do ministério, após ser indagado sobre um possível impacto inflacionário que retaliações contra os Estados Unidos poderiam ter para o País.

Haddad classificou as tarifas impostas ao Brasil como “um grande mal-entendido”. 

‘Nós temos que recorrer à OMC e nos juntar a outros países’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou à TV Record, nesta quinta-feira (10), que defende a união do Brasil a outros países taxados pelos Estados Unidos para ingressar na OMC (Organização Mundial do Comércio) com recurso. As declarações ocorreram um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado uma tarifa comercial de 50% sobre os produtos do Brasil, além de sair em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e de criticar decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo big techs de redes sociais.

Neste momento, Lula disse que o Itamaraty e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) já estão em conversações com os Estados Unidos. “Do ponto de vista diplomático, nós temos que recorrer à OMC. Você pode, junto com a OMC, encontrar um grupo de países que foram taxados pelos Estados Unidos e entrar com um recurso na OMC. Se nada disso der resultado, vamos ter que fazer a Lei da Reciprocidade”, afirmou.

Na ocasião, Lula considerou que a carta do presidente norte-americano “não é mais dura” do que declarações que havia dado anteriormente. (do Estadão Conteúdo)




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