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‘Santo André abriu portas para meu futebol’

Élvis Gustavo de Oliveira Sá é um ex-meia que marcou época no futebol brasileiro

Fábio Júnior
Especial para o Diário
14/07/2025 | 08:14
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FOTO: Arquivo Pessoal
FOTO: Arquivo Pessoal Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Élvis Gustavo de Oliveira Sá é um ex-meia que marcou época no futebol brasileiro. Natural de Maceió, capital de Alagoas, o atleta acumula passagens pelo Vitória, Quilmes, Botafogo, Remo, Juventus da Mooca, CSA, Santa Cruz, entre outros times. Porém, foi no Grande ABC que o esportista deixou o seu legado. Atuando pelo Santo André, o jogador fez um dos gols que deram o título ao Ramalhão de campeão da Copa do Brasil de 2004, vencendo o Flamengo por 2 a 0 e silenciando um Maracanã lotado. Com aquele gol, Élvis eternizou seu nome na memória da torcida andreense.

RAIO X

Nome: Élvis Gustavo de Oliveira Sá

DGABC

Aniversário: 30 de março

Onde nasceu: Maceió (Alagoas)

Onde mora: Maceió (Alagoas)

Formação: Ensino médio

Um lugar: Vila Humaitá (Santo André)

Time do coração: Flamengo

Alguém que admira: O treinador Luis Carlos Ferreira

Um livro: Bíblia

Uma música: Tá Escrito, de Xande de Pilares

Um filme: O Contador (2016), de Gavin O’Connor

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Sua história começou no Vitória, onde conquistou títulos importantes logo no início da carreira. Como os anos no futebol baiano moldaram o sr. como meio-campista?

Comecei no Vitória aos 13 anos, conquistando vários títulos nas categorias de base, tanto nacionais quanto internacionais. O clube foi fundamental para me moldar na posição que joguei durante toda a carreira, o meio-campo pela esquerda. Tive muitas alegrias no Vitória: cheguei à Seleção Brasileira e fui profissionalizado aos 17 anos, além de ser campeão baiano e da Copa do Nordeste. Em 1999 estávamos entre os três primeiros do Brasileiro. O Vitória, sem dúvida, foi a base que me formou como atleta e me preparou para jogar em diversos clubes do Brasil.

Como foi sua experiência atuando no futebol argentino pelo Quilmes?

O Vitória me emprestou para disputar o Campeonato Argentino pelo Quilmes, que na época tinha parceria com o mesmo grupo de empresários. Foi uma espécie de intercâmbio e uma experiência muito rica. Lá, conseguimos ser vice-campeões do Nacional B. Foi um futebol muito físico e competitivo, e consegui me adaptar bem, jogando como titular em várias partidas. Essa passagem me deu uma visão diferente do futebol sul-americano.

Quais são os maiores desafios para um meio-campista?

Especialmente atuando pela esquerda é ditar o ritmo do jogo com qualidade. Isso envolve bons passes, movimentação constante, lançamentos precisos e passes que quebram linhas para deixar o companheiro na cara do gol. Na parte defensiva é preciso ajustar o posicionamento tático e marcar bem. Essas qualidades ajudaram a manter minha longevidade no futebol profissional.

O sr. passou por clubes com grande torcida, como Botafogo e Santa Cruz. Qual foi a maior dificuldade em relação a sua adaptação?

Jogar em clubes de massa exige uma afinidade rápida com companheiros e a torcida. A cobrança é intensa, pois não se pode perder dois ou três jogos seguidos sem ser questionado. Era preciso se doar totalmente.

Como era sua preparação física para suportar uma sequência intensiva de partidas decisivas?

Sempre dei muita atenção à preparação física: academia, fortalecimento, treinos de campo e trabalhos intervalados. O descanso e uma boa alimentação também eram fundamentais. Como meia, a intensidade era alta: armar jogadas, recompor na marcação e manter a performance durante jogos consecutivos. Essa dedicação permitiu que eu atuasse em alto nível até os 38 anos.

Como foi marcar o gol do título da Copa do Brasil pelo Santo André?

É algo grandioso, ainda mais contra o Flamengo, um gigante com torcida imensa. Foi a realização de um sonho de menino que saiu cedo de casa para buscar reconhecimento. Foi um momento de muita emoção e gratidão, especialmente pela minha família, que esteve comigo nos momentos difíceis e nas alegrias. Também sou grato aos meus companheiros de equipe, pois sem o empenho e a dedicação de cada um, esse feito histórico não seria possível.

O Santo André eliminou grandes clubes, como Atlético-MG e Palmeiras, antes de vencer o Flamengo na final da Copa do Brasil. Como vocês se preparavam emocionalmente?

A confiança foi se construindo a cada fase superada. O grupo era muito unido, dentro e fora de campo. Tínhamos atletas jovens com potencial, mesclados com jogadores experientes. Essa química nos fortaleceu emocionalmente. A cada vitória, a certeza de que podíamos ir mais longe aumentava, e isso foi determinante para encarar gigantes com coragem e equilíbrio.

Como lidava com a pressão e as críticas da torcida e da imprensa nos momentos de má fase?

É preciso ter inteligência emocional para lidar com críticas. Buscava absorver de forma construtiva e manter o foco, sabendo que o futebol é feito de altos e baixos. Nessas fases ruins, trabalhava ainda mais. Me preservava um pouco para retomar o bom desempenho o mais rápido possível.

O que o título da Copa do Brasil representa para o sr. até hoje?

Esse título foi um divisor de águas na minha carreira. Trouxe reconhecimento, abriu portas em outros clubes e valorizou meu nome no cenário nacional. É uma conquista que levo com muito orgulho.

Qual foi o papel do técnico Péricles Chamusca na campanha vitoriosa?

O professor Chamusca chegou em um momento decisivo. Eu já o conhecia do Vitória e sabia da sua filosofia. Era um técnico motivador, usava vídeos e estratégias táticas para nos preparar. Conseguiu extrair o melhor do grupo e entrou para a história junto conosco.

Como estava o clima no vestiário após a final no Maracanã?

O ambiente foi de euforia e alívio por termos cumprido nosso dever. Cantamos, comemoramos com a diretoria, familiares e torcedores que foram ao Maracanã. Foi uma festa inesquecível.

Qual foi o momento mais difícil daquela campanha e como o grupo superou?

A derrota em casa para o 15 de Novembro foi o momento mais delicado. Estava suspenso e não joguei. Recuperar o resultado fora de casa exigiu muita força mental, mas conseguimos vencer por 3 a 1 no Olímpico e avançar.

Muitos consideram o título do Santo André uma das maiores “zebras” do futebol brasileiro. O sr. concorda?

Concordo em parte. Tínhamos uma boa equipe, mas para a imprensa e torcida foi uma grande surpresa. Derrotar o Flamengo no Ma-racanã, por 2 a 0, realmente foi um feito histórico que ficará marcado para sempre.

O sr. disputou todas as divisões nacionais pelo Santo André. O que isso representa em termos de entrega, identificação e legado?

Tenho muito orgulho dessa trajetória. Criei um vínculo de carinho e respeito pelo clube. Jogar todas as divisões e conquistar a Copa do Brasil marcou meu nome na história do Santo André e da cidade.

Como era o trabalho de análise tática na sua época de atleta? Já se usavam vídeos e estatísticas?

Naquele tempo, a análise era mais simples. Usávamos vídeos para estudar pontos fortes e fracos dos adversários, além de destaques individuais. Era uma preparação importante para neutralizar as principais jogadas dos oponentes.

Quais mudanças o sr. percebeu no futebol brasileiro entre sua primeira e última passagem pelo Santo André?

Houve mudanças significativas em aspectos técnicos, táticos e financeiros. O futebol ficou mais dinâmico e exigente. Clubes menores precisam se estruturar bem para competir sempre em alto nível.

Qual tipo de treino técnico o sr. mais valorizava como meia?

Valorizava muito treinos de posse de bola, movimentação e inversão de jogo. Também dedicava atenção às bolas paradas e fi-nalizações, buscando sempre aprimorar minha visão e qualidade nos passes.

O que o futebol significa para o sr.?

O futebol é tudo na minha vida. Realizei o sonho de menino jogando nas ruas e campos de várzea, até chegar ao profissional. Ele me proporcionou conquistas, amigos, estabilidade financeira e a oportunidade de dar uma vida melhor para minha família. Sou eternamente grato.

O que a cidade de Santo André representa para o sr.?

Santo André tem um lugar especial no meu coração. Foi onde vivi momentos inesquecíveis, recebi carinho da torcida e me senti em casa. Tenho gratidão e respeito pela cidade. 

Como o sr. enxerga o Esporte Clube Santo André atualmente?

Vejo o Santo André como uma camisa tradicional e forte em São Paulo. É preciso investimento e jogadores comprometidos para retornar ao cenário nacional. A cidade respira futebol e merece ver o clube entre os grandes novamente.

Como está sua vida após a aposentadoria dos campos?

A vida pós-futebol é mais tranquila. Hoje passo mais tempo em casa, cuidando da família. Também acompanho o futebol pela televisão e nas redes sociais, sem deixar de lado o que eu gosto: minhas corridas, as peladas com os amigos e os momentos de confraternização. Além disso, estou sempre presente nos jogos do meu filho, orientando e torcendo para que ele também tenha a felicidade, a alegria e o sucesso de ser um excelente atleta.




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