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PM admite alta de furtos na região e desejo por frota maior

Coronel Carlos Alberto Rodrigues Sanches Júnior afirma que legislação precisa ser mais rígida no combate ao crime

Bruno Coelho
14/07/2025 | 05:04
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FOTO: André Henriques/DGABC 11/7/25
FOTO: André Henriques/DGABC 11/7/25 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Durante solenidade de 50 anos do CPA/M-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6), o comandante responsável pelo policiamento no Grande ABC, coronel Carlos Alberto Rodrigues Sanches Júnior, admitiu que o aumento de viaturas policiais, uma reivindicação de prefeitos da região ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria bem-vindo para intensificar o patrulhamento. Outra preocupação manifestada pelo chefe regional da Polícia Militar é o aumento nos casos de furtos, com críticas à legislação “branda”. 

A ampliação do número de viaturas é vista pelos prefeitos do Grande ABC como essencial para as rondas ostensivas nas sete cidades e foi tratada em conversas com o secretário de Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite (Progressistas), no fim de março. Entretanto, o retorno para esse pedido foi inconclusivo, visto que não houve garantias de que o Palácio dos Bandeirantes pretendesse aumentar os investimentos destinados no reforço da frota para o patrulhamento nas ruas.

Em meio à solenidade do cinquentenário do CPA/M-6, Sanches exaltou o trabalho do comando quanto à manutenção das viaturas, embora admita que seria bom ter reforço na frota. “Temos aproximadamente 500 viaturas quatro rodas, 200 duas rodas. Nós temos uma entrega rápida na manutenção dessas viaturas em razão da centralização do conserto aqui. E a ampliação do número de viaturas sempre será bom, porque o policiamento motorizado é sempre mais amplo e seria bem-vindo o aumento e renovação de nossa frota”, disse.

DGABC

Após as festividades, que contaram com as presenças de prefeitos da região, Sanches também exaltou a queda de quase todos os indicadores criminais nos seis primeiros meses deste ano. Todos, menos um: “Com exceção dos furtos. Nós estamos investindo na inteligência, em tecnologia de ponta para fazermos frente aos indicadores criminais de furtos. Entendemos que o aperfeiçoamento da legislação também seria importante para nós, visto que o furto não é um crime cometido com violência e grave ameaça, e a audiência de custódia coloca o responsável pelo crime em liberdade”.

Embora os dados criminais de junho ainda não estejam disponíveis ao público no site da Polícia Militar, os indicadores de janeiro a maio demonstram embasamento da fala do comandante. Em comparação dos cinco primeiros meses de 2024 e 2025, o Grande ABC registrou quedas em casos de homicídios dolosos (57 para 50), tentativa de homicídio (74 para 73), roubos de objetos (6.814 para 5.727) e roubos de veículos (1.605 para 1.225). Entretanto, em sentido oposto, estão pequenos furtos, que saltaram de 10.861 para 10.964 ocorrências.

Ao mesmo tempo em que os indicadores de furtos seguem em uma curvatura crescente na região, a percepção dos policiais militares é de que as detenções são realizadas, mas que os suspeitos são soltos em seguida. Em uma audiência de custódia, o juiz pode entender que a prisão preventiva não se torna necessária quando o acusado não tomou conduta violenta, ao contrário do que ocorre em casos de roubo, onde existe contato direto entre o criminoso e a vítima, além de poder ser réu primário e contar com endereço fixo, por exemplo.

O crime de furto é previsto no artigo 155 do Código Penal, que prevê pena de reclusão de um a quatro anos, além de multa, podendo aumentar um terço, caso a ação seja realizada no período noturno. De acordo com o dispositivo legal, se o criminoso for primário ou acusado de subtrair um objeto de pequeno valor, o magistrado pode reduzir a pena de reclusão por detenção (regime semiaberto ou aberto), diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente uma penalidade em dinheiro.

Outro dado preocupante no Grande ABC é o crescimento de furtos de automóveis, que de janeiro a maio de 2024 e 2025, pulou de 3.825 para 4.042 ocorrências. Tal crime se enquadra em natureza qualificada, agravando ainda mais a pena. Nos cinco primeiros meses deste ano, Santo André segue na liderança negativa, com 1.732 casos registrados, seguido de São Bernardo (1.073), Mauá (645), Diadema (422), São Caetano (107), Ribeirão Pires (49) e Rio Grande da Serra (14).

ESTUPROS

Apesar de não ser citado por Sanches, o Grande ABC também vem registrando aumento de casos de estupro, uma vez comparando o número de ocorrências de janeiro a maio de 2024 e 2025. Ao todo, a região saltou de 242 para 268 casos de violência contra a mulher. Somente apresentaram quedas nos índices deste ano São Bernardo (86 para 77) e Diadema (44 para 33), enquanto outros municípios foram no sentido oposto, com destaque a Ribeirão Pires, que praticamente dobrou a incidência de 7 para 15 casos.

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