Nacional Titulo Histórico

Lula celebra entrada de Ana Maria Gonçalves na ABL: 'Justo reconhecimento'

O presidente lembrou a importância da autora na luta contra o racismo e a opressão no Brasil

11/07/2025 | 10:41
Compartilhar notícia
FOTO: Agência Brasil
FOTO: Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parabenizou publicamente, nesta quinta-feira (10), a escritora Ana Maria Gonçalves por sua eleição à ABL (Academia Brasileira de Letras). Em mensagem divulgada nas redes sociais, Lula classificou a escolha como “um justo reconhecimento a uma das melhores escritoras que temos hoje” e lembrou a importância da autora na luta contra o racismo e a opressão no Brasil.

LEIA MAIS: Academia Brasileira de Letras elege, pela primeira vez, uma mulher negra

“Trata-se de uma homenagem merecida”, afirmou o presidente, destacando a relevância da obra Um Defeito de Cor, considerada um marco da literatura brasileira contemporânea. “Foi meu companheiro durante o período em que estive injustamente preso em Curitiba e sempre faço questão de recomendar a todos a sua leitura”, escreveu.

DGABC

A eleição de Ana Maria Gonçalves, 55 anos, marca a história da ABL: ela é a primeira mulher negra a se tornar imortal em 128 anos de existência da instituição. A escritora recebeu 30 dos 31 votos possíveis para ocupar a cadeira número 33, anteriormente ocupada pelo gramático e filólogo Evanildo Bechara. Ela também é atualmente a mais jovem entre os membros da academia.

Um Defeito de Cor, publicado em 2006, narra a trajetória de Kehinde, uma mulher africana que atravessa o século 19 em busca do filho perdido, enfrentando a escravidão, o racismo e a desumanização. A obra foi reconhecida com diversos prêmios e recentemente serviu de inspiração para o enredo da escola de samba Portela no Carnaval de 2024.

A conquista de Ana Maria foi celebrada por diversas lideranças e especialistas. A professora Simone Chinelato, de Mauá, especialista em relações étnico-raciais, afirmou que o feito representa um rompimento com a invisibilidade histórica das mulheres negras. Já o violinista e cientista político Robson Miguel, de Ribeirão Pires, destacou que a eleição representa uma conquista simbólica de poder e igualdade racial no Brasil.

“Minha música continuará”, disse Ana Maria ao The New York Times, ecoando o sentimento de permanência e resistência que sua literatura representa. A presença da autora na ABL reacende o debate sobre representatividade, memória e reparação histórica no campo cultural brasileiro.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;