Nacional Titulo Rompendo o racismo

Academia Brasileira de Letras elege, pela primeira vez, uma mulher negra

A escritora Ana Maria Gonçalves recebeu 30 dos 31 votos possíveis e vai ocupar a cadeira número 33, que foi do gramático, professor e filólogo Evanildo Bechara, falecido em maio deste ano

10/07/2025 | 19:36
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FOTO: Reprodução/Instagram Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Rompendo com o racismo histórico, a ABL (Academia Brasileira de Letras) elegeu, nesta quinta-feira (10), pela primeira vez, uma mulher negra para ingressar na instituição, que completa este mês 128 anos. A escritora Ana Maria Gonçalves, 55 anos, recebeu 30 dos 31 votos para ocupar a cadeira número 33, que foi do gramático, professor e filólogo Evanildo Bechara, falecido em maio deste ano. Ela também é a mais jovem entre os imortais do atual quadro da ABL. Em segundo lugar ficou Eliane Potiguara.

Ana Maria Gonçalves é consagrada pela obra Um Defeito de Cor, já considerada um clássico da literatura brasileira. O livro, multipremiado, conta a história de Kehinde, uma mulher africana que atravessa o século 19 em busca de reencontrar o filho. O texto aborda com profundidade temas como escravidão, racismo, ancestralidade e resistência. Além do sucesso no meio literário, a obra inspirou o samba-enredo da escola de samba Portela no Carnaval de 2024, no Rio de Janeiro.

Disputavam também a vaga Ruy da Penha Lobo, Wander Lourenço de Oliveira, José Antônio Spencer Hartmann Júnior, Remilson Soares Candeia, João Calazans Filho, Célia Prado, Denilson Marques da Silva, Gilmar Cardoso, Roberto Numeriano, Aurea Domenech e Martinho Ramalho de Melo.

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LUTA

A professora de Mauá, especialista em relações étnico-raciais, Simone Chinelato, 53 anos, destaca a importância da conquista, que rompe, ainda que tardiamente, com a barreira da invisibilidade. “Quando ela senta nessa cadeira, também faz justiça a tantas outras que fizeram sua história, mas permaneceram apagadas. É sobre olhar para essa mulher e uma menina pensar que é possível ocupar esses lugares de honra. É difícil, mas há uma pequena possibilidade”, afirma. 

O violinista e cientista social-político de Ribeirão Pires, Robson Miguel, 65, acrescenta que Ana Maria acaba de realizar um grande feito para a igualdade racial. “A libertação maior dessa cadeira está na consciência de que uma negra, depois de 128 anos, conquistou um lugar de poder, depois de tantos anos de luta. Demorou, mas o Brasil está avançando”, diz. 

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