Mauá O Prefeito de Mauá classificou as medidas do presidente dos Estados Unidos como 'um grave desrespeito à soberania nacional e às instituições democráticas do Brasil'
FOTO: Claudinei Plaza 13/5/25

Único prefeito do Grande ABC a se posicionar a respeito do anúncio da Casa Branca quanto à taxação adicional de 50% sobre as exportações brasileiras, Marcelo Oliveira (PT), de Mauá, classificou as medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “um grave desrespeito à soberania nacional e às instituições democráticas do Brasil”. Com 1.100 indústrias, abrangendo setores como metalúrgico, químico, petroquímico, logístico, plástico e alimentício, a cidade teme as consequências econômicas dessa geopolítica fiscal.
Prefeito da maior entre as quatro cidades administradas pelo PT no Estado de São Paulo, Marcelo Oliveira afirmou que recebe com grande preocupação as medidas comerciais anunciadas pelo republicano, válidas a partir de 1º de agosto. “Em um mundo cada vez mais conectado, ações unilaterais como essa não atingem apenas governos, mas colocam em risco à estabilidade econômica e o sustento de milhões de trabalhadores brasileiros. É urgente que essa situação seja revertida para evitar danos ainda maiores à nossa população”, pontuou.
Segundo a Prefeitura de Mauá, os produtos mais comuns enviados para o mercado norte-americano são insumos petroquímicos, peças automotivas, produtos químicos, tubos, peças metálicas e plásticos transformados, considerando que a cidade integra o Polo Petroquímico do Grande ABC.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mauá, Cicero Martinha, avaliou as tarifas anunciadas por Trump como postura protecionista aliada a uma interferência política da Casa Branca em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no STF (Supremo Tribunal Federal) pela trama golpista que resultou, no 8 de janeiro de 2023, nos ataques à Praça dos Três Poderes, em Brasília. Para o sindicalista, cabe ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agir com firmeza perante os Estados Unidos.
“É ainda mais inadmissível ao chantagear o Brasil para proteger um aliado político, falando que Bolsonaro, até agora interrogado judicialmente dentro da nossa lei, é perseguido. O Trump mistura medidas econômicas com disputas políticas internas. Jamais podemos aceitar que a nossa soberania seja uma moeda de troca”, analisou o secretário.
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OUTRAS CIDADES
Secretário de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego de Santo André, Evandro Banzato admitiu um temor por causa dos possíveis impactos diretos nos milhares de empregos gerados nos setores metalúrgico, químico, de autopeças, plástico e de transformação. Hoje, a cidade conta com 13.983 indústrias, somando todos os segmentos
“Em 2024, Santo André exportou cerca de US$ 424 milhões, representando uma fatia significativa de um total de US$ 5,5 bilhões exportados pelo Grande ABC. No primeiro trimestre de 2025, o município apresentou cerca de US$ 106 milhões em exportações, um aumento de 3,4% em relação ao mesmo período de 2024. Desse último levantamento, aproximadamente 31,6% foram direcionados ao mercado (norte-)americano, indicando um montante de US$ 36,5 milhões no primeiro trimestre”, disse o secretário.
A Prefeitura de Ribeirão Pires, que contabiliza até 300 indústrias, garantiu que as medidas protecionistas como a tarifa de 50% podem gerar insegurança nos contratos internacionais de empresas locais. Ao Diário, as prefeituras de São Caetano e Diadema também manifestaram preocupação sobre os impactos das ações impostas por Washington.
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