Semasa Além do caráter social, projeto tem o objetivo de aumentar a vida útil de roupas e acessórios que demorariam até 400 anos para se decompor
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) realiza neste domingo (29), das 10h às 16h, a 21ª edição do Breshopping Sustentável no Arraiá do Pedroso, no Parque Miami (Estrada do Pedroso, 3.000), em Santo André. Em uma loja a céu aberto montada próxima à área de alimentação do evento, os visitantes poderão escolher, entre as cerca de 500 peças, até cinco cada um e levar gratuitamente. O projeto, além do viés social, tem o objetivo de reduzir o impacto dos resíduos no meio ambiente por meio do reaproveitamento de roupas, calçados e acessórios que foram doados nos ecopontos da cidade. Alguns tecidos podem demorar até 400 anos para se decompor.
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O secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Santo André, Edinilson Ferreira, explica que as peças recebidas nas estações de coleta são selecionadas e higienizadas antes de ir para os eventos do Breshopping Sustentável, que normalmente ocorrem em praças e áreas de lazer da cidade, especialmente nas comunidades periféricas. “Estamos beneficiando a população em situação de vulnerabilidade e dando um destino a peças que poderiam ir parar em um aterro sanitário, minimizando a emissão de gases do efeito estufa, pois 10% das emissões vêm da indústria têxtil”, destaca. Desde 2021, quando o projeto foi criado, o Semasa evitou que mais de 10.247 peças não fossem parar no Aterro Sanitário Municipal e beneficiou 2.200 moradores de Santo André. O Semasa também doa roupas, calçados e acessórios, além de brinquedos e objetos, para 20 entidades assistenciais da cidade e para o Fundo Social de Solidariedade. Diante do impacto ambiental causado pelos resíduos têxteis e o alto custo dos processos de reciclagem dos tecidos para transformá-los em novos fios, o reaproveitamento manual de retalhos das roupas que não estão aptas a serem destinadas ao reúso surge como a alternativa mais viável e sustentável. Uma das técnicas é upcycling, aplicada e difundida pelo estilista e professor, idealizador da Semana de Moda Sustentável de Diadema, Chesller Moreira, que ensina técnicas de customização e bordados aplicados a retalhos e peças de vestuário descartados. “Além de reduzir o descarte, o upcycling valoriza o trabalho artesanal e estimula a economia criativa, tornando-se uma solução eficiente e de baixo custo frente aos desafios ambientais da indústria da moda”, afirma. O descarte correto das roupas evitaria que aproximadamente 7.000 toneladas de tecidos fossem parar no aterro sanitário todos os anos. O número considera apenas resíduos de Santo André, calculado por meio de uma técnica chamada gravimetria, que define a porcentagem de tipos de resíduos descartados no lixo comum e de quais bairros da cidade eles vêm. A avaliação aponta que todos os meses são despejadas cerca de 600 toneladas de resíduos têxteis ou tecidos, dos quais 95%, ou seja, 570 toneladas por mês, ou 7.000 ao ano, poderiam ter sido reaproveitados se não fossem jogados no lixo orgânico. “Não conseguimos dar saída para 100% porque uma parte, só cerca de 5%, não dá para ser reaproveitada ou tem sujidade muito grande. Nesse caso vão para o aterro, que teoricamente deveria ser só para rejeito mesmo. Se esses resíduos forem descartados corretamente, no ecoponto, podem ser utilizados, se não para roupas ou outros acessórios, para produzir estopas para limpeza ou encher estofamentos”, explica o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Santo André, Edinilson Ferreira. O secretário diz que é feito o estudo gravimétrico, um “raio-x” do que chega no aterro sanitário e identifica que 3,27% de tudo é descartado juntamente com o lixo orgânico é resíduo têxtil. “Retiramos esse resíduo do caminhão que vai pro aterro e separamos uma mostra em que avaliamos e estabelecemos qual é a característica de cada bairro e conseguimos dizer o que cada bairro está colocando no saco de resíduo. A maior parte poderia ser reaproveitada, mas depois que foi misturada com resíduos comuns, de banheiro e restos de alimentos, acaba contaminada e o processo de recuperação é muito mais complicado.” A recomendação é que a população descarte nas Estações de Coleta de Santo André. No ano passado, os ecopontos contabilizaram mais de 170.384 itens de roupas, calçados e acessórios. Nesses locais, os tecidos representam 2,4% do total (65,53 toneladas/mês) – em 2024, os munícipes destinaram mais de 32 mil toneladas de materiais nas Estações de Coleta, incluindo resíduos de entulho, móveis, madeira, eletroeletrônicos, gesso, recicláveis, dentre outros. Os endereços estão no site do Semasa.RECICLAGEM
Sete mil ton de tecidos poderiam ser reutilizados
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