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Número de nascidos de mães entre 15 e 19 anos cai pela metade

Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que quantidade de filhos de jovens nessa faixa etária reduziu, desde 2010, de 3.213 para 1.546

28/06/2025 | 09:48
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FOTO: Denis Maciel | DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A quantidade de nascimentos de crianças no Grande ABC de mães adolescentes, de 15 a 19 anos, caiu de 3.213 para 1.546 na comparação dos dados do Censo 2010 com o Censo 2022, divulgado nessa sexta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em compensação, cresceu o número de nascidos de mulheres de 35 a 49 anos, de 5.150 para 6.900. 

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As mulheres estão decidindo ter menos filhos e cada vez mais tarde. Tanto que o número de nascimentos nas sete cidades, considerando mulheres de 15 a 49 anos, reduziu de 87 nascimentos por dia para 70. O último censo registrou 31.815 novos munícipes, enquanto o levantamento atualizado computou 25.780. O censo considera dados de até 12 meses antes da realização da pesquisa, feita em 2022. 

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A socióloga Isadora Brizola analisa que os dados são reflexo da grande transição nos papéis sociais que as mulheres vêm desempenhando na sociedade atual. “A mulher hoje está inserida no mercado de trabalho, com um papel similar ao do homem. Dessa forma, está sobrecarregada, exercendo papéis em dobro. As responsabilidades deixaram de ser apenas domésticas e se tornaram também financeiras. Tornou-se insustentável ter muitos filhos”, afirma.

A especialista destaca ainda a maior conscientização das adolescentes, ancoradas por essa nova realidade. “As meninas novas estão se protegendo porque não querem ter filhos, já que têm outras ambições pessoais, e quando essa criança vem, chega com mais estrutura e oportunidades, pois existe todo um preparo para recebê-la”, avalia Isadora. Tal planejamento acaba postergando a maternidade, já que a prioridade passa a ser o desenvolvimento de estabilidade na carreira para ter uma estrutura financeira. “A maternidade tem sido cada vez mais adiada porque a realização pessoal mudou muito. Hoje existem objetivos e metas de vida que são diferentes de somente casar e ter filhos. Temos uma liberdade muito maior, de ir e vir.”

MENOS FILHOS

O Censo 2022 não divulgou a taxa de fecundidade por município, mas os dados do País mostram, ao longo dos anos, o quanto o número de filhos por habitantes tem caído. Em 1.960, a média era 6,28 filhos por mulher. Em 1.980, a quantidade caiu para 4,35; em 2010, para 1,90; e agora para 1,55. Isso porque as famílias estão cada vez tendo menos filhos e, muitas mulheres, decidiram nem os ter.

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É o caso da analista de Gestão Integrada andreense, Tatiane Oliveira, 37 anos, que não tem e nem pretende ter filhos. Seus pais, a servente Sonia Maria Gonçalves de Oliveira, 59, e o cuidador de pets Sebastião Oliveira, 67, que vieram de uma família de quatro filhos cada, tiveram ela e seu irmão, o empresário Henrique Oliveira, 34, que tem dois filhos. Ou seja, a cada geração, a quantidade de filhos por família foi reduzindo pela metade.

“Nunca me vi na posição de mãe. Desde a adolescência eu já sabia disso. Tanto que, ao longo dos anos, eu vi meus amigos se casando e tendo filhos, mas eu não me via na mesma situação. Eu não me sinto preparada para ter a responsabilidade de cuidar de outra vida. Era, inclusive, um grande sonho da minha mãe que eu tivesse filhos, mas para mim é totalmente fora de cogitação. Eu sempre me vi muito livre e ter filhos me prenderia muito. Eu não tenho grandes planos, mas gosto da ideia de poder fazer o que eu quiser, quando eu quiser. Muitos acham isso egoísmo, mas eu sou uma vida independente, não apenas uma reprodutora”, afirma.

MIGRAÇÃO

Além da quantidade de nascidos, o número de pessoas acima de cinco anos que passaram a residir no Grande ABC, estrangeiros ou nascidos em outros países naturalizados na região, de 2017 a 2022, diminuiu de 204.266 para 149.270. No Brasil, houve um crescimento dos residentes naturais de países estrangeiros, sendo que o total passou de 592 mil para um milhão de pessoas no período.




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