Setecidades Titulo Mesmo com campanha de prevenção

Região tem maio mais mortal no trânsito da série histórica

Foram 30 mortes, número 25% maior que o último recorde de 24 vítimas fatais no mesmo mês de 2024; no acumulado do ano, óbitos cresceram 30%

25/06/2025 | 15:39
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André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O mês de maio deste ano foi o mais letal de toda série histórica do InfoSiga, monitoramento do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo), realizado desde 2015. Foram 30 mortes, um aumento de 25% em comparação com o mesmo período do ano passado, que já havia batido recorde, com 24 vítimas fatais. Até 2023, a média para o mês era 19.

O recorde aconteceu justamente em meio à Campanha Maio Amarelo, quando as cidades promoveram uma série de ações de conscientização para a redução de acidentes no trânsito. Os dados mostram ainda uma maior letalidade, pois, apesar do número de mortes subir, o de acidentes totais, fatais e não fatais, caiu. Em maio de 2025, foram registrados 492 ocorrências, contra 585 no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, de janeiro a maio, 2025 também bateu recorde de mortes – 109 –, desde 2015, quando iniciou o levantamento do InfoSiga e ocorreram 103 mortes para o período. Neste ano, houve um crescimento de 30% em relação aos cinco primeiros meses de 2024, com 84 óbitos registrados. A média de mortes, de janeiro a maio, de 2016 a 2023, foi de 83 por ano. MOTOS

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Motocicletas estiveram envolvidas na maior parte dos acidentes com óbito. Foram 19 mortes em maio de 2024, o que representa 63% do total. Foram registrados mais quatro óbitos envolvendo automóveis, quatro pedestres, duas bicicletas e um caminhão. Das vítimas fatais, 83% são homens.

A porcentagem de mortes envolvendo motociclistas para o mês de maio voltou a subir depois de uma queda e, em 2025, o registro é o maior de toda série histórica. Em 2025, foi 33%; em 2023, 28%; e, em 2022, 25%. Até então, de 2015 a 2021, a média havia sido de 40%, com exceção de 2018 e 2019, com 25% e 32%, respectivamente.

O doutor em Transportes e professor da Unicamp Creso de Franco Peixoto, destaca a maior periculosidade associada às motocicletas e o debate sobre o serviço de transporte de moto por aplicativo. “A discussão quanto ao mototáxi acaba sendo interpretada de forma indevida como se fosse uma questão apenas política, mas é um problema de segurança, pois a motocicleta não é um veiculo seguro. Ela tem uma posição de influência nos acidentes com maior severidade de forma considerável há muitos anos.”

O especialista destaca o risco de comportamentos imprudentes. “O motociclista tem uma probabilidade de se envolver em acidentes muito maior quando passa rapidinho em um sinal vermelho, quando costura e passa entre os carros, por exemplo. A moto, apesar de ser ágil, não dá uma proteção de uma estrutura fechada como no caso dos automóveis. Há uma falta de fiscalização para coibir os movimentos indevidos. Não é ser contra o motociclista, muito pelo contrário, é ser a favor de salvar a vida dele”, enfatiza.

CAOS

Para a doméstica de Santo André, Ednalva Nério Enzel, 69 anos, o crescimento do número de acidentes com vítimas fatais no trânsito se deve ao aumento do fluxo de veículos, o que acaba gerando, além da maior propensão a colisões, mais estresse nos condutores e pedestres. “O trânsito está muito carregado, tem muito carro e ônibus, moto então, milhões”, afirma.

O ajudante de serviços gerais andreense Zezito Gomes da Silva, 52, acredita que este excesso causa uma desorganização que intensifica a propensão a colisões e atropelamentos. “Está tudo muito bagunçado, precisa organizar para as pessoas passarem de forma mais segura. Se tivesse mais sinalização e semáforos, acho que ia ter menos acidentes. As pessoas precisam ficar mais calmas e ter cuidado no trânsito, especialmente motos”, destaca.




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