Sonho Além de memórias, prédio também representa uma luta de trabalhadores que ainda têm esperança de receber valores reivindicados na Justiça
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

Por trás das paredes de um prédio abandonado podem haver boas memórias e angústias. Talvez poucos edifícios em Santo André representem esses sentimentos ambíguos como onde foi o Hospital e Maternidade Jardim, antes uma referência no atendimento de saúde no Grande ABC e, hoje, um símbolo de preocupação à população e da resiliência de ex-funcionários, que lutam há duas décadas para receber o pagamento de seus direitos trabalhistas. Atualmente, dezenas de casos seguem nos tribunais à espera de um desfecho.
O Diário recebeu três ex-trabalhadores do antigo Hospital Jardim, localizado no bairro homônimo em Santo André, após reportagens sobre o futuro do edifício abandonado, motivados a contar o lado de quem espera justiça desde 2005. Simone Oliveira Leal, Claudemir Ribeiro da Silva e Maria Lúcia de Fátima não esquecem as amizades que fizeram na unidade hospitalar e até hoje mantêm um grupo de WhatsApp com aproximadamente 50 pessoas, todas com um objetivo em comum: receber o que é de direito.
Simone ingressou no Hospital Jardim em 1995, como recepcionista e telefonista. “Era bem novinha quando entrei. Era muito bom trabalhar lá, um lugar maravilhoso e não me arrependo de ter passado por lá. Mas, infelizmente, começou toda a nossa luta referente a salários, férias, décimo terceiro, que quando a gente recebia, era aos picados. Houve momentos em que a gente pagava para trabalhar. Infelizmente veio a Polícia Federal e mandou lacrar tudo (em 2005) e a gente saiu com uma mão na frente e outra atrás, sem nenhum tostão”, relatou.
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A partir do fechamento das portas do antigo hospital, Simone passou por uma turbulência que não era prevista na sua vida, com o fim de um casamento, a luta por um novo emprego e o início de uma saga pelos salários atrasados, férias proporcionais, décimo terceiro e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que completa agora 20 anos. “Infelizmente, a Justiça freia, porque não acha os donos, o endereço fixo ou outra coisa. O que peço é que alguém faça alguma coisa por nós, em nome de todos os funcionários que ainda estão lutando e para aqueles que, infelizmente, já se foram. Precisamos de alguém para dar um norte, para que tenhamos o que é nosso de direito”, desabafou Simone. Em 1999, Claudemir entrou no Hospital Jardim para uma entrevista de emprego, após se tornar recém-formado em enfermagem. Era a oportunidade de escrever um novo capítulo de sua vida e garantir a pensão à filha todo fim do mês. Foram cerca de três anos de boas lembranças, até que o dia a dia começou a mudar. “Em 2003, começaram os atrasos no pagamento, vale transporte e benefícios. Era um hospital conceituado, muito bom, mas começou a não pagar médico, faltar medicação. Graças a Deus, na época, tive a minha família que ajudava a pagar aluguel e com minha filha”. relatou. Funcionária da maternidade e pediatria, Maria Lúcia mantém a esperança de justiça para receber os valores trabalhistas, para que o fim dessa relação com o Hospital Jardim, seja como começou: “Éramos felizes. Tínhamos muitos amigos, saíamos para comemorar. Era muito bom e, por isso, senti bastante ao sair de lá”. Conforme antecipou o Diário, a Prefeitura negocia com os proprietários por uma nova destinação social ao espaço. No entanto, ex-funcionários do hospital não querem ser esquecidos nessa história. LEIA TAMBÉM:
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