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Geração Alpha tem medo de “ser CLT”?

Nascidos a partir de 2010, os jovens da Geração Alpha já demonstram desinteresse pelo modelo tradicional de trabalho e rejeitam a ideia do emprego formal

Ana Freitas
Especial para o Diário
20/05/2025 | 15:32
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Enquanto o mercado de trabalho ainda tenta compreender a Geração Z, os nascidos a partir de 2010 — a chamada Geração Alpha — já expressam resistência ao “estilo de vida CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)”. Segundo a psicóloga clínica Natália Lourenço Pfeifer, “encontramos uma geração futura com uma visão de carreira mais flexível, sem vínculos empregatícios e mais propensos a trabalhar em projetos ou diversas funções a tempo parcial”.

A Geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1998 e 2009, já é conhecida por desafiar o modelo tradicional. Têm sido criticados por grandes empresas por buscarem crescimento e valorizarem o desenvolvimento profissional. Mesmo interessados em construir uma carreira, não se sentem presos a uma única organização e compartilham a ideia de que “é apenas um trabalho”.

A Geração Alpha, por sua vez, ainda está em fase escolar, mas demonstra pouco interesse em seguir o caminho tradicional. O que antes era visto como uma vantagem — o regime CLT, com suas garantias legais — agora virou motivo de piada entre os jovens.

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Segundo a psicóloga, “hoje, o termo CLT, ocasionalmente tem sido utilizado de forma pejorativa entre os jovens que associam a ideia de inflexibilidade, obstinação e limitação financeira, ignorando o papel essencial que a legislação desempenha na proteção, direitos e benefícios do trabalhador”.

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Esse pensamento aparece em um vídeo publicado pela influenciadora Fabiana Sobrinho. Nele, sua filha de 12 anos expressa receio ao imaginar o futuro profissional. “Andar de ônibus lotado todo dia. Muita gente, chefe, pessoas mandando”, diz a garota.

A fala da filha de Fabiana, no entanto, não é um caso isolado. Comentários semelhantes têm se tornado frequentes entre adolescentes. A mãe conta que começou a estranhar quando a filha passou a dizer frases como “aí vira um CLT”, imaginando se tratar de algum meme. Ao conversar com a menina e seus colegas, percebeu que muitos associam ser CLT a uma condição de pobreza.

A psicóloga ressalta que essa geração ainda está em desenvolvimento cognitivo, aprendendo a lidar com o outro e com o ambiente — tudo isso imersa no universo digital. “Além disso, sonham com a liberdade financeira que vem sendo exposta a eles, através dos influencers digitais que de dentro de sua própria casa, faturam mais do que um trabalhador no regime CLT e ainda possuem uma vida mais livre e flexível”.

Contudo, Natália alerta: “um jovem que extingue a possibilidade de um regime CLT dificilmente encontrará em sua vida profissional oportunidades empregatícias que trarão todos os benefícios de garantia, proteção e direitos que essa legislação oferece”.

Ela também aponta que, apesar do potencial da nova geração — criativa, digital e engajada —, as empresas enfrentarão desafios. “As empresas, apesar de terem ganhos com essa geração por trazerem inovações e serem engajadas com a tecnologia, terão dificuldades, visto que lidarão com uma classe cada vez mais exigente em aspectos de justiça social, meio ambiente e sustentabilidade, o que pode divergir de algumas políticas adotadas pelas empresas”.




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