Acusação Multinacional Prodata acusa dois antigos executivos de furtarem tecnologia desenvolvida pela companhia e implantá-la em negócio adversário
FOTO: Divulgação

Multinacional de capital belga e líder do mercado de bilhetagem eletrônica no Brasil, a Prodata Mobility tenta impedir na Justiça que a concorrente Tecsomobi comercialize validador de passagens de ônibus batizado de B80 e que chegou ao mercado no fim de 2024. O equipamento utilizaria, sem licença, softwares cuja tecnologia teria sido desenvolvida pela autora da ação e furtada por dois ex-diretores.
O caso veio à tona na última quinta-feira (10) depois que a companhia emitiu nota de esclarecimento a clientes e parceiros avisando que “ampliou e intensificou suas medidas legais em face do uso indevido de seus softwares”: “Em continuidade às ações criminais já em curso, a Prodata informa que iniciou também as competentes ações cíveis visando a reparação dos prejuízos decorrentes da violação de sua propriedade intelectual”.
A Prodata, cuja sede brasileira fica em São Paulo e opera 80 mil validadores de passagens em todo o País, está em litígio com dois de seus ex-executivos, Leonardo Ceragioli e Carl Bequet, desde 2022, quando a dupla deixou a empresa, após mais de duas décadas de trabalho, para ser contratada pela Tecsomobi Fábrica de Software e Inteligência Digital, também na Capital paulista.
De acordo com as denúncias apresentadas à Justiça pela Prodata em duas queixas-crimes que correm em segredo de Justiça, mas ao conteúdo das quais o Diário teve acesso, a Tecsomobi foi fundada graças à atuação desleal e nociva de Ceragioli e Bequet, sócios minoritários e ex-diretores. Ao deixarem a antiga casa para serem admitidos na nova, além da tecnologia, levaram consigo outros 25 colegas.
Ainda de acordo com as denúncias, Ceragioli e Bequet seriam os verdadeiros donos da Tecsomobi, que estaria em nome de uma laranja, Samara Shaiane Behnen. A dupla de ex-funcionários da Prodata também ocupa cargo na diretoria da Autopass, que opera o cartão Top, utilizado para embarque nas estações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e Metrô, assim como nas linhas de ônibus intermunicipais operadas pela Next, empresa com sede em São Bernardo.
Há suspeitas de que Tecsomobi e Autopass atuem em conluio para – baseadas em violação de direito intelectual, violação de autor de programa de computador e concorrência desleal – prejudicar a Prodata.
Na segunda-feira (8), dois dias antes de a Prodata divulgar a nota de esclarecimento sobre a intensificação das ações judiciais contra a Tecsomobi, o CEO da Autopass, Rodney Freitas, que estava no cargo havia sete anos, anunciou sua demissão. “Enfrentamos mudanças profundas no setor, aceleramos a digitalização, expandimos parcerias e construímos soluções que hoje impactam milhões de brasileiros todos os dias”, comunicou o executivo em perfil em rede social, onde avisou que vai se dedicar a “novos projetos”.
A reportagem do Diário entrou em contato com os envolvidos. A Autopass disse não possuir “qualquer vínculo relacionado a este assunto”. “Desconhecemos essas informações”, argumentou a empresa, via assessoria de imprensa. A Prodata não quis se pronunciar. O jornal não conseguiu contato com a Tecsomobi.
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