Em São Bernardo Medida foi tomada porque repórter não fez representação após BO
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A Corregedoria da Polícia Civil arquivou o processo contra o ex-vereador de São Bernardo Paulo Chuchu (PL), acusado pelo jornalista Artur Rodrigues, então a serviço do Diário, de tê-lo ameaçado ao fim de sessão da Câmara em 21 de agosto de 2024. A decisão foi tomada porque o profissional não fez representação contra o parlamentar no prazo legal de seis meses.
Chuchu disse que a falta de interesse de Rodrigues em seguir com a acusação prova que a denúncia tinha caráter eleitoreiro – na época, o então vereador havia sido indicado pré-candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo deputado federal Alex Manente (Cidadania). “Adversários políticos fizeram uso dessa mentira para denegrir minha imagem e desgastar o meu potencial”, declarou o ex-parlamentar.
Segundo denúncia de Rodrigues à polícia, registrada em Boletim de Ocorrência, ele conversava com Chuchu, que é policial civil e anda armado, ao fim da sessão, quando o liberal teria perguntado se ele era “petista” e em quem iria votar na eleição de outubro, apontando para a cintura ao mesmo tempo em que recomendava “cuidado” na resposta. O repórter contou posteriormente que se sentiu ameaçado.
O ex-vereador, cuja chapa foi derrotada por Marcelo Lima (Podemos) no segundo turno, revelou que vai processar todos os concorrentes que exploraram o episódio na campanha assim que o arquivamento for publicado. Ele atribuiu o resultado negativo no pleito à denúncia do jornalista. “(Fui) vítima de um desgaste político à época, que me custou a eleição”, argumentou.
Além de Lima, serão acionados na Justiça o deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT), e a comerciante Flávia Morando (União Brasil). “Utilizaram dessa fake news, potencializaram isso em mídias sociais, jornais e vídeos, como se eu fosse agressor de jornalista, não respeitasse as mulheres, entre outras motivações”, ilustrou Chuchu.
“Tenho quase 20 anos de carreira, sem nenhuma mancha. Cobrarei na Justiça, como já foi declarado anteriormente que, no fim desse processo, eu cobraria”, afirmou o ex-vereador, que já havia se livrado de investigação similar na Câmara de São Bernardo, onde o processo foi extinto com o fim do mandato, em 31 de dezembro de 2024.
Artur Rodrigues, que na época recebeu apoio e solidariedade de entidades que defendem a liberdade de expressão jornalística e de partidos políticos de esquerda, lamentou o arquivamento do processo na Polícia Civil. “Acho uma pena, pois abre precedente para que essa situação se repita com outros profissionais”, declarou. Questionado sobre a razão de não ter representado o vereador, o que acarretou a medida, disse que agiu por “orientação dos meus advogados”.
LEIA TAMBÉM:
Paulo Chuchu nega ameaça a jornalista e alega prejuízo à imagem
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.