Preservação Neste sábado (22), o reconhecimento ao trabalho de preservação histórica foi celebrado com a entrega da Medalha Cívico Cultural D. Pedro II ao Diário
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Neste sábado (22), o reconhecimento ao trabalho de preservação histórica foi celebrado com a entrega da Medalha Cívico Cultural D. Pedro II ao Diário, distinção concedida pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. O motivo se dá porque há quase quatro décadas de compromisso em manter viva a identidade regional, consolidado, sobretudo, na coluna Memória, assinada há 37 anos por Ademir Medici.
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"A escolha das entidades homenageadas segue critérios rigorosos: é preciso que tenham um trabalho significativo em prol da preservação e divulgação da história. O Diário do Grande ABC tem esse compromisso há quase 40 anos, por meio da coluna ''''Memória'''', que resgata fatos históricos enquanto mantém a cobertura do dia a dia – a história cotidiana. Esse trabalho é essencial para manter viva a identidade da região", destacou o presidente do Instituto, Prof. Dr. João Tomás do Amaral. A distinção coroa um trabalho iniciado muito antes de chegar às páginas do jornal. Para Medici, a paixão pela história do Grande ABC remonta à juventude, quando, aos 18 anos, fundou um pequeno jornal mimeografado na indústria química Resana, em São Bernardo. "Desde o primeiro número, a memória esteve presente, ora contando a história de vida dos trabalhadores, ora da própria fábrica", relembra. Mais de três décadas depois, essa vocação se traduz em um espaço jornalístico que não apenas resgata o passado, mas o conecta ao presente. "A história é viva. Precisa ser avaliada, repensada sempre. Discutida. Estudada. O debate em torno da memória é fundamental", enfatiza o jornalista. E esse olhar crítico já gerou impactos concretos: Medici recorda a série de reportagens sobre acidentes de trabalho que revelou falhas na segurança das fábricas e falcatruas na emissão de exames de saúde. O trabalho provocou mudanças na forma como o tema passou a ser tratado na indústria.
LEIA MAIS: Novos membros do IHGSP apostam em digitalização e conquista dos jovens A longevidade da coluna Memória também se explica pelo seu apelo popular. "A memória apaixona. Aproxima gerações. Desperta curiosidade. As pessoas gostam de contar suas histórias e ouvir as dos outros", analisa Ademir. Mas, apesar do reconhecimento, a preservação histórica da região ainda enfrenta desafios. O jornalista lamenta a precariedade dos museus e centros de memória das cidades do Grande ABC, alguns fechados ou abandonados. "O movimento da memória local foi fundamental para criação dessas instituições, mas elas precisam de atenção do poder público para seguir existindo." Ao ser questionado sobre sua própria identidade como "memorialista", Medici prefere se definir como repórter. "O meu papel é ouvir as pessoas, dar espaço aos verdadeiros narradores da história, demonstrar que cada indivíduo tem uma trajetória importante. Talvez, se não fosse a coluna Memória, eu já estaria aposentado. A busca pela identidade regional me mantém vivo no jornalismo."
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