Carnaval Depois de oito anos, Prefeitura voltou a apoiar a festa popular no município; neste domingo as ruas foram tomadas pelos blocos
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Curtir o Carnaval em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte? Ou até mesmo aproveitar os quatro dias de folia no Litoral Paulista? Não para muitos moradores de São Bernardo, que preferiram aproveitar a festa popular nas ruas do município do Grande ABC e marcaram presença nos diversos cortejos carnavalescos realizados neste domingo (2).
Após oito anos, a Prefeitura, sob gestão do prefeito Marcelo Lima (Podemos), voltou a apoiar os blocos de rua com suporte operacional nos eventos – desde 2017 que não tinha incentivo da administração municipal. No total, 23 grupos realizam manifestações culturais na cidade no pré e durante o Carnaval. A expectativa da prefeitura é que 20 mil foliões participem desses quatro dias de festa (sábado, domingo, segunda e terça).
Neste segundo dia de Carnaval, quatro desfiles de rua atraíram foliões em diversos pontos de São Bernardo. Na região central, a segunda edição do Bloco Amigos do Ditinho da Congada celebrou o espírito carnavalesco e a vida da figura histórica do Grande ABC, Benedito da Silva Lemes, 71 anos, o Ditinho da Congada.
“Criamos esse bloco no ano passado porque o Carnaval em São Bernardo estava morto, completamente esquecido. A ideia foi reunir os amigos e familiares para não deixar que essa importante manifestação cultural fosse apagada”, disse Ditinho, que assim como na primeira edição, não economizou no samba no pé durante o cortejo, que começou na Praça Lauro Gomes e terminou na Igreja Santa Filomena.
Presidente da Escola de Samba Renascente, última agremiação campeã de São Bernardo, em 2016, Ditinho acredita no retorno dos desfiles em 2026. “Estamos na expectativa que a nova gestão olhe para os desfiles das escolas de samba. Estamos prontos para voltar”, pontuou.
Há menos de seis quilômetros, cerca de 3.000 pessoas, de acordo com estimativa da organização do evento, curtiam o Bloco Comigo Não Morreu, no estacionamento do Ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib. Para driblar o forte calor do início da tarde, a produção do evento alugou um caminhão-pipa e fez a alegria do público presente com muita água para o alto.
A cuidadora Sandra Maria Rodrigues, 58, acompanhada da neta, Eduarda Albuquerque, 8, descobriu por acaso o cortejo carnavalesco no estacionamento do ginásio. Moradora do bairro Planalto, Sandra foi passear no Parque Lazzuri quando ouviu a música do trio e resolveu conferir a aglomeração.
“Não sabia que os blocos tinham voltado. Costumo viajar todo Carnaval para Mongaguá, é a primeira vez que passo aqui no município. Fiquei muito surpreendida com o evento, muito divertido, acho que vou aproveitar outros carnavais por aqui”, confessou Sandra, que assim como a neta, estava com o abadá encharcado devido à chuva improvisada.
SUPORTE
Apesar de não empenhar recursos municipais, o organizador do Bloco Comigo Não Morreu, Diego Martinez, 41, destacou a estrutura oferecida pelo Paço neste ano. “Esse apoio (trânsito, banheiros químicos, ambulância do Samu e segurança com a Polícia Municipal) é essencial para o funcionamento do cortejo. Essa foi a primeira edição do bloco, a ideia foi mostrar que o Carnaval em São Bernardo ainda está vivo. Queremos trazer de volta esse sentimento de pertencimento às famílias, às crianças e a todas as pessoas que querem aproveitar a folia”, destacou o produtor de eventos.
A secretária de Cultura, Samara Dinis, esteve presente nos dois blocos, assim como no cortejo dos Brejeiros, realizado na rua Princesa Maria Amélia, no bairro Nova Petrópolis, realizado das 16h às 20h. A gestora afirmou que pretende comparecer em todos os eventos do do Carnaval.
“É uma alegria muito grande essa retomada dos bloquinhos de rua. Por muitos anos o Carnaval ficou parado na cidade e com a chegada do Marcelo, ele entende a necessidade e importância dessa manifestação cultural, que ocupa as ruas e as praças da cidade. Estamos felizes com a adesão da população e por saber que São Bernardo voltou a ter a cultura da leveza e da felicidade”, disse a secretária de Cultura.
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