Violência Abaixo-assinado já conta com 1.062 assinaturas; mapa colaborativo identifica ruas com mais ocorrências
Celso Luiz/DGABC

Estudantes da UFABC (Universidade Federal do ABC) criaram uma campanha contra constantes assaltos registrados nas proximidades do campus Santo André, no bairro Bangu. A mobilização conta com abaixo-assinado online, que em menos de 15 dias já ultrapassou 1.000 assinaturas (1.062 até hoje), e com um mapa colaborativo que identifica as ruas com mais ocorrências de crimes contra o patrimônio, como roubo e furto.
Essa não é a primeira vez que alunos da UFABC precisam se mobilizar por conta da falta de segurança no entorno do prédio acadêmico andreense. Em 2018, o Diário mostrou que, na época, estudantes criaram uma plataforma similar onde eram destacadas as vias consideradas mais perigosas, com o intuito de evitar o aumento de vítimas. Porém a falta de segurança na região é denunciada, pelo menos, desde 2011.
Assim como há sete anos, o objetivo da mobilização estudantil, que também tem apoio de professores, comerciantes e moradores de bairros próximos, e é organizada pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do ABC), é reivindicar policiamento comunitário e políticas de segurança pública efetivas para a região. No total, a campanha denuncia a violência em nove bairros: Bangú, Santa Terezinha, Parque das Nações, Vila Metalúrgica, Jardim, Campestre e Centro.
O mapa colaborativo foi criado em novembro do ano passado, por iniciativa do estudante do curso de Planejamento Territorial Miguel Ângelo de Simone, 26 anos, após ele ter sofrido dois assaltos em apenas cinco dias, sendo uma ocorrência de roubo em frente ao portão seis da universidade.
Na plataforma, pelo menos 60 casos já foram listados, desde 2022, sendo ocorrências de tentativas, roubo e furto, inclusive a mão armada. As vias com mais notificações são as ruas Abolição, Santa Carolina e Speers – todas no entorno da universidade. Além do levantamento em Santo André, Simone também criou um mapa colaborativo para São Bernardo, onde está localizado outro campus da UFABC. No município são-bernardense, apenas três casos foram registrados.
Segundo descrição do abaixo-assinado virtual, criado por moradores da região da universidade, as respostas serão encaminhadas à Câmara dos Vereadores e ao Conseg (Conselho Comunitário de Segurança Estadual), com o objetivo de reforçar a necessidade de políticas públicas voltadas para a segurança da comunidade. Além do documento online, no último sábado (1º), integrantes do DCE conversaram com moradores e coletaram assinaturas para o abaixo-assinado físico.
“A motivação da nossa campanha foi o aumento expressivo de furto e roubo, inclusive mediante violência. Em janeiro, houve três incidentes de assalto à mão armada na região. Como tem as câmeras das residências, o pessoal documenta e coloca nos grupos. Até o momento não houve uma resolução conjunta, sendo que esse problema necessita de uma cooperação de todos os agentes públicos para ter uma solução efetiva”, denuncia Simone, criador do mapa colaborativo.
MEDIDAS
Questionada sobre a falta de segurança na região, a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) afirmou que reforça o policiamento nas proximidades da universidade com base em indicadores criminais e denúncias da população.
Ainda segundo a Pasta, o 2° DP (Distrito Policial) de Santo André, responsável pela área das denúncias, esclareceu em janeiro mais de 20 crimes patrimoniais, entre eles um roubo ocorrido no dia 25. “Além disso, mais de 50 ocorrências de diversas infrações também foram solucionadas. Em 2024, os roubos em geral na região registraram queda de 17,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os furtos também apresentaram redução de 1,85%.”
No mesmo período, a SSP disse que 556 infratores foram presos ou apreendidos e 47 armas foram retiradas das vias.
Já a UFABC afirmou que mantém contato com autoridades policiais e representantes das prefeituras municipais e que a instituição dispõe de equipes técnicas que atuam com vistorias, manutenção e aperfeiçoamento de medidas que buscam mitigar os problemas relacionados à segurança no entorno do prédio universitário.
“A UFABC atua ativamente no Conseg-Norte (Conselho Comunitário de Segurança), sendo a sede das reuniões deste órgão. Nas últimas semanas, a gestão da universidade tem mantido contato com autoridades competentes da região e já articula nova agenda com agentes policiais, no sentido de tratar sobre os relatos mais recentes e reiterar as necessidades de atuação policial no entorno dos campi”, reforçou.
A Prefeitura de Santo André não respondeu até o fechamento desta edição.
MUNICÍPIO
A Prefeitura de Santo André afirmou que a GCM (Guarda Civil Municipal) realiza patrulhamento preventivo diuturnamente em todos os bairros da cidade, incluindo os mencionados, mas irá aumentar as ações ostensivas no local, em parceria com a PM (Polícia Militar), a fim de ampliar a sensação de segurança da população e prevenir a ocorrência de crimes.
Sobre a possibilidade de ampliar a iluminação pública no entorno do campus, o Paço ressaltou que as ruas Oratório, Abolição e Santa Adélia, que ficam ao redor prédio da UFABC, já foram contempladas pelo programa Banho de Luz, responsável pela modernização do sistema de iluminação pública de Santo André, trocando as antigas luminárias por LED, que ilumina mais e consome menos.
“Por outro lado, o trecho da Avenida dos Estados em frente ao campus ainda não passou pelo mesmo processo, o qual aguarda a finalização da construção do Complexo Viário Santa Teresinha, localizado poucos metros à frente. Assim que este for finalizado, o trecho da Avenida dos Estados passará por procedimentos de drenagem, asfalto e também iluminação”, finalizou.
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