Pirmeiro dia sem aparelho Conselho Estadual de Educação aponta que solução é utilizar estratégias de apoio e a realização de ações educativas para minimizar sintomas
FOTO: André Henriques/2022

Ao menos 400 mil alunos, somente da rede pública, voltam às aulas a partir desta segunda-feira (3), a depender do município, nas sete cidades do Grande ABC e enfrentam uma novidade: a restrição quanto ao uso de celulares e outros aparelhos eletrônicos em sala de aula. Segundo especialistas, porém, a abstinência dos celulares pode gerar sintomas em alguns alunos, como ansiedade. A indicação do Conselho Estadual de Educação, por exemplo, é utilizar estratégias de apoio e a realização de ações educativas para minimizar sintomas como ansiedade e irritabilidade com a retirada do celular.
A determinação em vigor a partir de hoje foi dada pela Lei Estadual nº 18.058/2024 e pela Lei Federal nº 15.100/2025. O objetivo, segundo a legislação, é garantir melhor aprendizagem e socialização, mas a questão pode ser motivo de gerar resistência por parte de alguns alunos com dependência dos aparelhos, demandando um período de adaptação.
“As escolas devem promover atividades que estimulem a interação social presencial e a educação digital, ajudando os estudantes a entender os benefícios e as limitações do uso das telas. Com essas medidas, busca-se uma transição mais tranquila e uma adaptação gradual ao uso consciente da tecnologia no ambiente escolar”, ressalta Hubert Alquéres, um dos relatores da indicação elaborada pelo Conselho Estadual de Educação.
Ao Diário, a Secretaria de Educação de Diadema informou que já orientava os pais a não deixarem aparelhos celulares com as crianças durante o período de aulas, além disso, o Paço afirma que fornece atividades interativas. “Durante o intervalo das aulas, os estudantes participam de jogos e brincadeiras dirigidas e organizadas pelos professores em espaços destinados a essas atividades. Também têm à sua disposição livros e revistas adequados à sua faixa etária”, afirmou o Paço.
Amanda Voivodic, professora e gerente de Conteúdos da FTD Educação, acredita que após as primeiras semanas novas ferramentas já possam auxiliar a superação de desafios impostos pela nova . “A escola pode propor atividades de socialização para atrair os estudantes e substituir o uso da tela. Em situações mais desafiadoras, o apoio psicológico profissional pode ser um grande aliado”, sugere a professora.
O secretário de Educação de São Caetano, Fabiano Augusto João, comentou no encontro com gestores realizado no município, em 23 de janeiro, que um dos caminhos para mitigar os efeitos da legislação é ter uma educação mais humanizada e também defende o resgate das experiências interativas e atividades de lazer, para compensar a ausência dos celulares no cotidiano escolar.
“Temos que nos aproximar da comunidade e privilegiar as relações das nossas crianças. Vamos resgatar algo que havia sido esquecido, que é o direito ao brincar e às experimentações lúdicas no Ensino Infantil. Uma educação de alta qualidade passa necessariamente por um ensino mais humano”, avaliou.
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