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Morando: ‘deixo uma herança bendita para o Marcelo Lima’

Prefeito de São Bernardo disse que todas as contas com vencimento até 31 de dezembro deste ano serão entregues pagas para próxima gestão

Angelica Richter e Natasha Werneck
18/12/2024 | 23:04
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

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 O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (sem partido), despede-se do Executivo no próximo dia 31 após oito anos no comando da cidade. Essa despedida ocorre em grande estilo, já que, neste fim de mandato, o chefe do Executivo conta com aprovação de 69,6% da população, segundo pesquisa do Instituto Paraná, realizada a pedido do Diário. 

Morando destacou que termina seu mandato “realizado”, tendo em vista que ser prefeito foi “seu projeto de vida”, e que se sente grato por ter a confiança de mais da metade da população. Afirmou, ainda, que entrega a cidade para seu sucessor, o prefeito eleito Marcelo Lima (Podemos), muito melhor do que recebeu – em 2017, disse que encontrou rombo de R$ 200 milhões. 

“Entrego uma herança bendita. Vou entregar a cidade para o Marcelo sem nenhuma dívida. Tudo que vence até 31 de dezembro de 2024 estará pago”, afirmou Morando ao podcast Política em Cena, do Diário. 

O prefeito também ressaltou que as obras em andamento no município serão passadas para o próximo governo com recursos para serem finalizadas, e que deixa crédito aprovado pelo CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) de US$ 90 milhões para que o podemista utilize em novos projetos. 

Morando disse que considera normal que Marcelo Lima dê “cara própria” ao futuro governo, embora seu apoio ao podemista no segundo turno das eleições estivesse condicionado à continuidade ao modelo de gestão que adotou. “É natural. Ele terá um governo com seu formato, com seu jeito e cara própria. Não esperava nada diferente disso. Ter uma nova marca e um novo modelo não é descontinuar o que é bom. Isso é altamente compreensível da minha parte”, afirmou, ao complementar que se coloca como voluntário para ajudar Marcelo onde achar que ele seja necessário, e que existe uma “relação extremamente harmônica e respeitosa” entre os dois. 

BALANÇO

Ao fazer balanço de sua gestão, o prefeito destacou avanços em todas as áreas. Afirmou que seu governo fez uma grande revolução na Educação, com a fila zero por creches, material e uniforme entregues no primeiro dia de aula, cardápio bem elaborado e acessível aos pais dos alunos, bem como o crescimento do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da rede municipal. 

Na Saúde, Morando ressaltou a reabertura do Hospital Anchieta – hoje do Câncer – e a entrega dos hospitais de Urgência, da Mulher e de Olhos, bem como de UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) e a reforma de todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde), entre outros. 

Sobre as denúncias de negligência e mortes no Hospital da Mulher, Morando admitiu problemas, mas afirmou que os responsáveis envolvidos estão sendo punidos. “Mais de 300 mães dão à luz no hospital todos os meses. Duvido que a região metropolitana tenha uma maternidade na qualidade do Hospital da Mulher de São Bernardo. Pode ter ocorrido uma falha, pois trabalhamos com seres humanos. Os médicos que erraram estão sendo punidos. Tenho convicção da qualidade. O hospital passou a levar o nome de minha avó, Emilia Battistin Marson”, pontuou. 

FUTURO

Morando, que deixou o PSDB após 20 anos (mais informações abaixo), afirmou que não pretende estar ativo na política no primeiro semestre de 2025. Sobre o futuro, não descarta concorrer às eleições de 2026, mas não definiu a que cargo, nem por qual partido, apesar de admitir que já recebeu convites de algumas siglas.

“Como não ocorrerão eleições no próximo ano, não tem necessidade de escolha açodada pelo próximo partido. Caso vá disputar a eleição, respeitando o eleitor, tenho de me filiar a uma sigla até abril de 2026”, disse Morando, que pretende consultar a população sobre se deve continuar na vida pública, antes de decidir qualquer candidatura. A entrevista completa está nos canais digitais do Diário.

Prefeito chama PSDB de ‘golpista’

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, anunciou ontem oficialmente sua saída do PSDB. Após 20 anos de filiação, o chefe do Paço justificou sua decisão com duras críticas à condução do partido nos últimos anos, classificando como “golpista” a intervenção na eleição da presidência estadual da sigla, em março. 

Morando fez questão de reconhecer os avanços proporcionados pelo partido em sua trajetória, destacando a liderança do PSDB em iniciativas como concessões, privatiza-ções e programas de impacto social. “Foi o PSDB que teve a coragem de implementar as privatizações e concessões no Brasil, um modelo que melhorou os serviços públicos. Também foi o partido que criou o Poupatempo e o Bom Prato, deixando um legado inegável”, afirmou. 

O prefeito destacou, ainda, sua própria atuação enquanto filiado. “Ajudei a eleger a maior bancada de vereadores do Brasil em São Bernardo. Em minha gestão, fiz valer os bons princípios do PSDB graças aos quais me filiei há 20 anos”, disse. “Porém, os motivos para essa decisão não faltaram”, prosseguiu. 

Morando não poupou críticas à atual gestão do partido – que, segundo o prefeito, “perdeu a sintonia com a sociedade”. Apontou como principal motivo para a saída a intervenção que substituiu Marco Vinholi, eleito presidente estadual em março deste ano, por Paulo Serra. Na época, o diretório nacional anulou a eleição alegando que não houve chamamento oficial para o pleito interno.

“Quando o PSDB aceitou fazer a intervenção e colocou Paulo Serra como presidente, para mim, o partido começou a acabar. O que fizeram com o PSDB foi um golpe. Desde aquele episódio, vimos a democracia interna do partido ser profundamente deteriorada e degradada”, disparou. 

Morando também criticou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), a quem atribuiu a crise que levou ao enfraquecimento do partido. “Eduardo Leite, com apoio de Aécio Neves, arquitetou esse processo de desestabilização democrática. Não posso compartilhar de um partido comandado por pessoas sem espírito público”, afirmou. “Virou partido de golpista, cada histórico que você recupera tem uma maldade.”




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