Economia Titulo Boicote de carne do Mercosul
Restaurantes do Grande ABC se unem contra o Carrefour

Sindicato dos estabelecimentos do Grande ABC divulga nota de repúdio ao boicote da rede à carne do Mercosul

Nilton Valentim
25/11/2024 | 22:46
Compartilhar notícia
Banco de Dados/DGABC

ouça este conteúdo

A declaração do CEO do Carrefour na França, Alexandre Bompard, de que o varejista iria suspender a venda de carnes bovinas provenientes do Mercosul, na última semana, tem gerado uma série de manifestações. No Brasil, produtores deixaram de fornecer produtos para o grupo, que tem ainda as marcas Atacadão e Sam’s Club, e autoridades se manifestaram contra a decisão. 

Na região, o Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC) divulgou nesta segunda-feira (25) nota em que repudia o ocorrido. O documento está alinhado com a manifestação da Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo), que no sábado anunciou boicote ao varejista.

O Sehal classifica a decisão do Carrefour como uma “medida puramente protecionista” e cita o fato de o executivo francês ter alegado questões sanitárias para suspender a comercialização dos produtos. “Tal postura é desrespeitosa quanto à qualidade das carnes e também prejudicial a toda a cadeia produtiva brasileira, reconhecida mundialmente pela sua excelência”, diz a nota.

O Sehal e as entidades que compõem a Fhoresp convocaram todos os empresários do setor de hotelaria e alimentação fora do lar a se engajarem em uma ação de reciprocidade, boicotando essa rede de supermercados enquanto continuar a desvalorizar os produtos brasileiros. “Esta é uma oportunidade de mostrar nossa força coletiva em defesa da economia e dos princípios que sustentam nossa gastronomia e o agronegócio”, diz a nota.

O documento reforça que o Carrefour deveria demonstrar mais respeito e valorização pelos produtos que enriquecem seus acionistas. E consideram inaceitável que uma empresa que prospera em solo brasileiro adote práticas que desconsideram a qualidade e o trabalho dos produtores.

“Apoiaremos a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e todo o ecossistema, somando esforços para promoção da justa valorização dos nossos produtos no cenário global. Unidos, podemos demonstrar que o Brasil merece ser tratado com o mesmo respeito que oferece a todos que aqui desejam empreender, prosperar e conosco fazer negócios. Vamos juntos valorizar o que é nosso e exigir o respeito que nossos produtos merecem!”, conclui a nota.

EM BRASÍLIA

Os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e da Economia, Fernando Haddad, manifestaram apoio aos produtores de carne. Assim como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que cobrou retratação da rede varejista francesa. 

Lira disse que vai pautar na Casa discussão de medidas de “reciprocidade econômica” com a França. “Não é possível que o CEO de um grupo importante, como o Carrefour, não se retrate de uma declaração sobre não contratar as proteínas animais advindas da América do Sul. O Brasil, o Congresso Nacional, os empresários e a população têm de dar uma resposta clara para que esse protecionismo exagerado dos produtores da França não seja motivo de injusto protecionismo”, afirmou.

No início da noite o Carrefour divulgou nota pela qual indica que o executivo deverá se retratar e pedir desculpas ao Brasil.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.
;