Região teve 609 sinistros no último mês e 4.365 desde janeiro, maiores números da série histórica
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A região voltou a apresentar dados preocupantes de mortes e acidentes em relação ao trânsito. Segundo dados do InfoSiga, sistema de monitoramento do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo), foram registrados 609 acidentes em agosto, recorde mensal no ano, batendo os 606 de junho. Aconteceram 4.365 no total de janeiro a agosto, maior marca para o período na série histórica, iniciada em 2019, superando o número do ano passado, de 4.211. Foram considerados acidentes fatais e não fatais.
Apesar do alto número de registros de acidentes no ano, grande parte dos sinistros foi de grau leve (2.011 no total, ou 46%), ou os envolvidos saíram ilesos (1.713, ou 39%). Os sábados foram os dias da semana mais perigosos para se dirigir na região. São Bernardo foi a cidade com mais ocorrências, 1.746. Já Rio Grande da Serra se destacou com apenas 30. No mesmo período, o Grande ABC contabilizou 144 óbitos, sendo 90 deles em vias municipais (62%).
O atropelamento e a colisão foram os principais motivadores das mortes, com 45 registros cada, seguidos pelos choques, com 29. A maioria das vítimas dirigia motocicletas (61), era o condutor (84), do gênero masculino (118) e tinha entre 20 e 29 anos (37). Durante o período, apenas Rio Grande da Serra não computou mortes. São Bernardo apresentou a maior quantidade, com 57, seguida por Santo André (37), Diadema (23), Mauá (16), Ribeirão Pires (8) e São Caetano (3).
Para Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, de forma geral, ainda não há elementos suficientes para atribuir o aumento ocorrido a um fator específico, mas ele destaca que se trata de um movimento nacional, e não apenas na região. Para ele, isso pode estar relacionado ao crescimento no número de deslocamentos, já que as cidades estão vivendo uma maior movimentação, com uma perspectiva de melhora na geração de empregos, o que também pode contribuir para exposição da população aos sinistros de trânsito.
“Para lidar com isso, é fundamental investir em campanhas educativas, além de fiscalização constante”, comenta o especialista. “A outra parte da responsabilidade compartilhada recai sobre o poder público. A infraestrutura para usuários vulneráveis ainda é muito deficiente. Por fim, também há a (responsabilidade) dos demais usuários, como motoristas de automóveis e caminhões. Veículos maiores devem zelar pela segurança dos menores. Mesmo que o motociclista apresente um comportamento imprudente, ele não deve pagar com a vida.”
O Estado de São Paulo apresentou alta de 22% no número de mortes no trânsito de janeiro até agosto, em comparação ao período homólogo. Houve 3.339 ocorrências no intervalo em 2023, e neste ano foram registradas 4.088. Mesmo com a alta nos casos, o Estado teve queda nos sinistros em relação aos oito primeiros meses do ano passado, passando de 92.821 para 90.804 – uma diminuição de 2%.
AÇÕES
Com o aumento dos números, as prefeituras e concessionárias da região divulgaram ao Diário ações para mitigação no número de óbitos e acidentes. A Prefeitura de Santo André afirmou que desenvolve campanhas educativas e melhoria nas condições de trafegabilidade com asfalto novo – e cita reforço da sinalização horizontal e vertical, instalação de semáforos sonorizados e temporizados, como a Rua Coronel Alfredo Fláquer, além de semaforização de solo.
Rio Grande da Serra apontou que vem constantemente trabalhando em melhorias das condições das vias, sinalização adequada, educação no trânsito e campanhas de conscientização. Além disso, há um planejamento para implantação de uma série de ações voltadas à segurança no trânsito em breve – porém, o Paço não citou quais. As outras prefeituras (São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires) não retornaram os questionamentos.
A Ecovias, responsável pelo SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), informou que continua seu Programa de Redução de Acidentes, que inclui melhorias na infraestrutura, como barreiras rígidas e luminárias de LED, além de investimentos em tecnologia. Campanhas de conscientização também são realizadas para motoristas, caminhoneiros, motociclistas, ciclistas e pedestres, especialmente em eventos como o Maio Amarelo.
Já Andrew Aquino, gerente de operações da SPMar, que cuida dos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mario Covas, ressalta que nos últimos anos a concessionária registrou um crescimento de tráfego superior a 6,99% na região. “Para comportar de forma segura essa nova demanda, ampliamos nosso programa de redução de acidentes com ações práticas de conscientização dos motoristas sobre a importância da direção segura e do respeito às leis de trânsito, independente do meio de transporte que utilizem, seja bicicleta, moto, carro ou caminhão”, disse.
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