Apresentados como antagônicos aos eleitores, partidos têm um histórico ‘promíscuo’ na cidade marcando as últimas gestões
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A ausência da vereadora oposicionista Ana do Carmo (PT) na votação do sétimo pedido de impeachment contra o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), na Câmara esta semana voltou a levantar desconfianças a respeito da relação entre PT e PSDB, frequentemente apresentados como antagônicos. O episódio trouxe à tona o histórico de uma relação “promíscua” entre as legendas que marca as últimas eleições na cidade.
O primeiro caso “suspeito” ocorreu no dia 28 de dezembro de 2016, a quatro dias do fim da administração do então prefeito Luiz Marinho (PT), que envolve uma indenização de R$ 1 milhão paga ao atual chefe do Executivo pela desapropriação de uma área de propriedade do tucano. A transação foi alvo de inquérito no Ministério Público, que apura a regularidade do pagamento. Embora Marinho tenha defendido a legalidade da operação, a situação levanta dúvidas sobre a rigidez da oposição entre os partidos. Morando alegou que insistiu para que Marinho fizesse o pagamento porque não poderia pagar a indenização a ele mesmo.
Outro episódio que gerou desconfiança foi a abstenção de Ana do Carmo na votação, ocorrida em abril deste ano, da convocação do secretário de Saúde, Geraldo Reple Sobrinho, para dar explicações sobre os casos de negligência registrados no Hospital da Mulher. A ausência de Ana do Carmo, figura histórica do PT, deixou eleitores intrigados, dado o tom oposicionista que o partido costuma adotar contra o PSDB. A atitude também diverge das expectativas de uma oposição firme, especialmente em temas que envolvem a gestão da saúde pública.
Além disso, a falta de condenação pública à rejeição do sétimo pedido de impeachment por parte da campanha de Luiz Fernando Teixeira, candidato petista à Prefeitura, reforça a percepção de conivência entre os partidos. Embora os discursos de campanha mantenham o tom de oposição acirrada, gestos discretos dentro do Legislativo sugerem relação menos conflituosa nos bastidores.
OUTRO LADO
Em resposta às críticas, Cleiton Coutinho, presidente do PT em São Bernardo, negou qualquer proximidade entre os dois partidos. O dirigente reafirmou que a relação é de oposição e que o partido já moveu várias ações contra a administração tucana. “Não fazemos oposição com o fígado e sim pensando no conjunto da cidade”, declarou.
A vereadora Ana do Carmo também se defendeu, afirmando que sua ausência na votação do pedido de impeachment ocorreu devido a um compromisso agendado fora da cidade. A parlamentar negou qualquer tipo de vinculação com o prefeito ou o PSDB e garantiu que, caso estivesse presente, teria votado pela abertura do processo, como fez nas votações dos últimos pedidos de impeachment do prefeito.
Luiz Fernando Teixeira, candidato petista à Prefeitura de São Bernardo, foi categórico ao afirmar que “não existe nenhuma relação entre PT e PSDB”. O prefeiturável classificou Orlando Morando como “a antítese do Partido dos Trabalhadores” e reforçou que a oposição ao prefeito é firme.
No entanto, as declarações não têm sido suficientes para afastar as dúvidas, sobretudo em um cenário político em que alianças e interesses podem estar ocultos.
O prefeito Orlando Morando e o PSDB de São Bernardo foram procurados pelo Diário para comentar as acusações, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.
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