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Pessoas ao desalento

17/09/2024 | 23:09
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A condenação imposta pela Justiça à Prefeitura de São Caetano, obrigando o município a pagar auxílio-aluguel para 102 famílias que foram desabrigadas após a demolição do Edifício Di Thiene, em 2019, mostra como o quase ex-prefeito José Auricchio Júnior trata a questão da habitação.

Passados cinco anos da desocupação do prédio, os antigos moradores ainda esperam que a administração são-caetanense cumpra a promessa feita à época de que teriam abrigo, auxílio emergencial, atendimento assistencial e receberiam novas unidades habitacionais por meio de convênio com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), que deveriam ter sido entregues em dezembro de 2022. 

Até este momento, entretanto, as obras nem sequer foram iniciadas. Segundo o órgão estadual, por culpa da Prefeitura, que ainda não enviou os documentos técnicos, ambientais e fundiários para poder dar sequência à análise do terreno indicado para construção dos imóveis. 

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A inércia neste caso contrasta com a agilidade de Auricchio na mudança da Lei de Zoneamento da cidade, quando o quase ex-prefeito mobilizou os vereadores de sua base – inclusive suspendendo o recesso de meio de ano da Câmara – para que estes modificassem a legislação liberando a construção de prédios de até 100 metros de altura em locais onde antes eram proibidos.

A forma distinta como encarou os dois casos sinaliza quais são os reais interesses do quase ex-prefeito. O primeiro envolve pessoas desafortunadas, que moravam em um prédio carcomido pelo tempo e que, por essa razão, acabaram ao relento.

O segundo tem como protagonistas construtoras e incorporadoras ávidas para aproveitar as poucas áreas ainda desocupadas na cidade e ali erguerem seus arranha-céus.

Auricchio convenientemente pendeu para o lado mais abastado, fazendo o possível para tornar legal o que até então a lei não permitia. No caso dos desabrigados do Di Thiene, ele também se esforçou. Mas para barrar os pagamentos na Justiça. E perdeu.




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