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Acusação de injúria racial e homofobia em ônibus acaba em espancamento

Polícia Civil investiga o caso e trabalha para obter imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas que possam ajudar a esclarecer os fatos

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
09/09/2024 | 12:44
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FOTO: Reprodução

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Um grande tumulto com diversas agressões foi registrado no sábado (7), na região do terminal Vila Luzita, em Santo André. A briga começou dentro de um ônibus da linha 101, quando um homem, supostamente, proferiu ofensas racistas e homofóbicas contra uma mulher – e acabou sendo espancado por diversas outras pessoas. 

Policiais que patrulhavam a área foram acionados para averiguar gritos e uma correria no terminal. Ao chegarem ao local, dispersaram a multidão que agredia o homem, de 29 anos. De acordo com o registro, a mulher que acusa as ofensas, de 37 anos, se aproximou dos policiais e relatou o conflito.

O BO (Boletim de Ocorrência) informa que a mulher relatou que estava próxima ao homem no coletivo quando teria ouvido o homem gritar: “Cala a boca, sapatona do c*”. Ao perguntar se o homem estava realmente falando com ela, ele teria respondido: “É com você mesmo, sua macaca do c*. Macaca nojenta”. 

A mulher, então, teria jogado o conteúdo de um copo no peito do homem, e os dois iniciaram uma briga. Outros passageiros teriam intervindo e começaram a agredir o homem, o que gerou mais confusão dentro do ônibus. Ao chegarem ao terminal Vila Luzita, o conflito teria se intensificado novamente durante o desembarque, com agressões generalizadas e correria.

Segundo a polícia, o homem apresentou uma versão diferente. Ele alegou que estava quieto no ônibus quando foi chamado de “louco” pela mulher e que, em resposta, a chamou de “Baraka”, e não de “macaca”, em referência a um personagem do videogame “Mortal Kombat”. O homem afirmou que agiu em legítima defesa e que foi espancado por vários passageiros.

Ainda segundo o Boletim de Ocorrência, a família do homem informou que ele faz uso de medicamentos controlados devido a um diagnóstico de esquizofrenia. 

Após prestarem depoimento no 6º Distrito Policial de Santo André, ambos passaram por exame de corpo de delito e foram liberados.

A Polícia Civil investiga o caso e trabalha para obter imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas que possam ajudar a esclarecer os fatos. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), os relatos são conflitantes, e o caso foi registrado como preconceito racial, enquadrado na lei de injúria racial.

Por nota, a Suzantur, empresa de transporte coletivos, responsável pela operação da linha de ônibus onde o incidente aconteceu, repudiou o caso. “A Suzantur, empresa operadora do sistema tronco-alimentado de Vila Luzita e região, em Santo André (SP), lamenta o ocorrido na noite deste sábado (07) e repudia tanto atos de homofobia e racismo, bem como os de agressão.” 

A operadora informou estar colaborando com as autoridades, com imagens do local e com o relato dos funcionários, para o esclarecimento dos fatos, e disse que “treina os colaboradores, sejam motoristas, cobradores e fiscais, para em casos de racismo, homofobia, agressão ou qualquer outro ato desta natureza, acionarem a Polícia Militar, Guarda Civil e Polícia Civil para os devidos encaminhamentos legais.”




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