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Professora de S.Bernardo é a única vencedora de SP em prêmio de arte

Projeto produzido por docente da rede estadual ganhou na categoria ensino médio; premiação recebeu mais de 500 inscrições do País

Thainá Lana
25/08/2024 | 13:10
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FOTO: Divulgação

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Empoderar jovens da rede pública para que eles sejam multiplicadores de iniciativas sustentáveis. O objetivo pode parecer filosófico ou utópico demais, mas foi exatamente isso que uma professora de artes de São Bernardo fez com 60 estudantes do terceiro ano do ensino médio da E.E (Escola Estadual) Doutor Fausto Cardoso Figueira de Mello, no bairro Paulicéia.

Com o projeto Que Diferença Você Quer Fazer no Mundo?, a docente Débora Eliza Freitas, 44 anos, utilizou as linguagens artísticas, como teatro, grafite e cinema documental, entre outras, para desenvolver a iniciativa com base na Agenda 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas). O plano global, assumido por 193 países, possui 17 objetivos sustentáveis e 169 metas para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos os povos e nações. 

Por conta do projeto, Débora venceu na categoria ensino médio o 25° Prêmio Arte na Escola Cidadã, promovido pelo Instituto Arte na Escola. A iniciativa da docente foi a única escolhida do Estado de São Paulo – os demais premiados são de outras regiões do País, em outras cinco categorias que contemplam as modalidades de ensino. O prêmio recebeu 500 inscrições de educadores do Brasil, sendo seis do Grande ABC, e cada ganhador recebeu R$ 10 mil em prêmio.

A iniciativa foi promovida no ano passado, durante quatro meses, com duas turmas do terceiro ano do ensino médio. Os estudantes foram provocados a se perceberem na comunidade em que vivem e se tornarem agentes transformadores, desenvolvendo pequenos projetos de impacto para além dos muros da escola. Com isso, os jovens criaram cinco projetos, baseados na Agenda 2030, com objetivo impactar positivamente a comunidade escolar e melhorar a qualidade de vida. 

A professora conta que, além da parte prática, os alunos aprenderam a produzir propostas culturais com orçamentos, objetivos, prazo, entre outras etapas. Entre as iniciativas criadas, estão o Salva Quadra, projeto que reformou a Praça Lívio Grotti, com grafites, limpeza do espaço e nova iluminação.

“Eles pediram autorização e apresentaram o projeto para a Prefeitura, que realizou a instalação da iluminação, mobilizou comerciantes e moradores do entorno e conseguiram transformar o local com foco no lazer e na cultura”, explica a professora. 

Outro projeto dos alunos foi Sonhos e Poesias, que criou uma peça teatral para apresentar de forma lúdica a Agenda 2030 para as crianças em tratamento de câncer na Casa Ronald McDonald. A iniciativa chamada Impacto buscou promover a conscientização sobre a comunidade LGBTQIA+ através da arte urbana. Os estudantes colocaram peças de lambe-lambe em uma parede da escola com pôsteres ou fotografias que abordaram o preconceito contra esse grupo.

“No início, quando apresentei a proposta, os estudantes não queriam participar, se achavam incapazes, falavam que era impossível e cansativo, então provoquei eles para saírem da zona de conforto”, conta Débora, que reforça ainda a importância da arte na educação.

“A arte é tudo, é determinante na vida, desde o início. Antes de aprender a falar, a gente aprende a cantar, antes de escrever, aprendemos a desenhar. A arte pode ser uma possibilidade de solução para os problemas do dia a dia. Quando falamos em aplicar a Agenda 2030, é importante refletir sobre a maneira como nos relacionamos com o meio ambiente, senão não teremos futuro. A arte ajuda a refletir, a nos repensarmos como sociedade”, finaliza.

O projeto implementado na escola de São Bernardo será agora adaptado para educação infantil. Débora está produzindo uma série animada, com personagens e histórias sobre arte e a Agenda 2030 voltado para crianças. O conteúdo lúdico será disponibilizado nas redes sociais do projeto (@ahoramagica.oficial) e poderá ser utilizado por professores de outras escolas. 

HISTÓRICO

Em 25 edições, três professores do Grande ABC venceram o Prêmio Arte na Escola Cidadã. O primeiro ganhador da região foi Paulo Henrique Lorenzetti, da E.E Professora Diva Gomes dos Santos, de Mauá, em 2014, na categoria ensino fundamental 1. 

Quase uma década depois, a docente Milene Valentir Ugliara, da Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Professor Vicente Bastos, de São Caetano, ganhou com o projeto Saraus Matizes, promovido com alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos).

A analista de projetos responsável pelo prêmio, Thaís Rossi, explica que o principal objetivo da premiação é reconhecer e divulgar projetos que desenvolvam habilidades artísticas e que promovam o ensino e a valorização da arte e da cultura contemporânea brasileira.

“Em tempos em que o ensino de arte tem cada vez menos espaço no currículo da educação formal, contar com a valorização por uma premiação sobre os projetos desenvolvidos é imprescindível para que os arte educadores se sintam valorizados, reconhecidos e ganhem visibilidade local, regional e nacional. Por meio da arte, o educador pode desenvolver olhar crítico e reflexão nos estudantes sobre a sociedade em que vivem e também sobre si”, pontua.




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