Grandioso Inicialmente prevista para 2023, obra ficará pronta apenas no segundo semestre de 2025, diz governo
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

Considerada a mais importante obra para o combate às enchentes na região, o Piscinão Jaboticabal deverá ficar pronto somente em dezembro de 2025. A construção do reservatório, localizado na divisa entre os municípios de São Caetano, São Bernardo e a Capital, começou no fim de 2021 e, inicialmente, a entrega estava prevista para o primeiro semestre de 2023. Depois, foi adiada para o segundo semestre deste ano.
Responsável pela construção, o Departamento de Águas e Energia Elétrica do governo do Estado executou até o momento 57% das obras. Segundo o DAEE, o andamento da intervenção foi afetado pelas desapropriações necessárias para a implantação do empreendimento. A autorização judicial para a desapropriação da última área ocorreu em fevereiro deste ano, 26 meses após o início dos trabalhos.
“Esta área é de extrema importância, pois faz parte do volume útil do piscinão e será o local de instalação do vertedor principal, que receberá a contribuição do Ribeirão dos Meninos, além da casa de comando dos equipamentos hidromecânicos. Também foram feitas adaptações para preservar o lençol freático na área, com a implantação de uma estação de tratamento de águas captadas”, explicou o departamento, em nota.
Com um investimento de R$ 401 milhões, o reservatório será o maior da América Latina e terá capacidade para armazenar 900 mil metros cúbicos de água da chuva, equivalente a 360 piscinas olímpicas. Localizado no Córrego Jaboticabal, entre os ribeirões dos Meninos e dos Couros, o piscinão pode beneficiar 500 mil habitantes, segundo a expectativa do DAEE.
A professora de hidráulica e drenagem da UFABC (Universidade Federal do ABC), Melissa Graciosa, e o diretor de Programas e Projetos do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, João Ricardo Guimarães Caetano, explicam que o piscinão deverá ajudar a reduzir significativamente as enchentes provenientes das grandes chuvas em alguns locais, como a Avenida dos Estados, próximo à Avenida Guido Aliberti, a Rodovia Anchieta e Heliópolis, na Capital.
“Essas obras foram planejadas pensando em chuvas de 100 milímetros, que eram consideradas raras. No entanto, hoje em dia, essas chuvas ocorrem com maior frequência e intensidade devido às mudanças climáticas. Portanto, precisamos encontrar outras soluções para reservar esses maiores volumes de água, cada vez mais frequentes”, comenta Melissa.
Caetano esclarece que a construção de piscinões e a canalização de rios foram algumas das principais medidas de drenagem urbana adotadas pelas cidades devido ao processo de urbanização acelerada, que trouxe como consequência a impermeabilização do solo. Com isso, todo o espaço antes destinado ao armazenamento natural das águas, como as várzeas dos cursos d’água, acabou sendo eliminado, dando lugar a áreas urbanizadas e inundáveis.
A docente da UFABC complementa que o Grande ABC foi uma das primeiras áreas a ser urbanizada intensamente, devido às instalações das indústrias, que pressionaram a construção desenfreada de habitações. “Isso ocorreu antes da urbanização de outras bacias hidrográficas, como a do Pinheiros e a de Guarulhos”, pontua Melissa.
HISTÓRICO
A construção de um piscinão próximo ao córrego Jaboticabal já estava prevista desde 1998, na primeira versão do PDMAT (Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê). A projeção seguiu nas outras duas revisões do plano, em 2009 e 2013. Em 2016, o Consórcio apresentou o Plano Regional de Macro e Microdrenagem do Grande ABC e também incluiu a necessidade da obra.
O projeto só foi destravado pelo governo estadual em 2019, após a região passar por uma das piores enchentes de sua história, na qual 10 pessoas morreram e 284 ficaram desabrigadas.
Especialistas alertam para adoção de medidas sustentáveis
Além das medidas de drenagem urbana frequentemente adotadas nos municípios, como a construção de reservatórios e a canalização de rios e córregos, os especialistas, Melissa Graciosa e João Ricardo Guimarães Caetano citam a necessidade de adotar medidas sustentáveis para reter a água das chuvas.
Entre as soluções apresentadas estão jardins sustentáveis, parques lineares e bosques urbanos, entre outros. “Hoje, é necessário considerar a preservação das bacias, as taxas de permeabilidade e as reservas de várzeas, além da preservação da vegetação. Essas medidas são essenciais para evitar a ocorrência de enchentes. Quando uma enchente já ocorre, as soluções são limitadas e muitas vezes se concentram na canalização, que não resolve o problema, apenas o transfere para outro local”, afirma Melissa Graciosa, docente da UFABC.
O diretor do Consórcio João Ricardo Guimarães Caetano diz que, além do aumento da permeabilidade do solo, as soluções sustentáveis auxiliam no microclima. “Quando você adensa o sombreamento e deixa árvores na cidade, está ajudando a reduzir os extremos de temperatura. Está criando áreas que funcionam como pequenos condicionadores de ar”, explica.
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