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“Vereança não é profissão”, diz presidente da Câmara de Mauá
Wilson Guardia
08/07/2024 | 09:52
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FOTO: André Henriques/DGABC

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Getúlio Batista de Andrade Junior, vereador Junior Getúlio (PT), presidente da Câmara de Mauá, tem como missão, neste ano, garantir que o processo eleitoral não contamine as discussões em plenário, concluir as obras de reforma do prédio legislativo, assim como modernizar os sistemas de tecnologia da informação com novos equipamentos e softwares. Além disso, o número 1 no parlamento mauaense, eleito após renúncia de ex-presidente acusado de crimes sexuais contra menor de idade, quer melhorar a segurança da Casa com controle de acesso e trazer de volta os tablets para votação eletrônica, como destacou o morador do bairro Itapeva ao Diário. 

RAIO X

Nome: Getúlio Batista de Andrade Junior (Junior Getúlio)
Estado civil: Solteiro – namorando com Daine
Filho: Bernardo, no 7º mês de gestação
Idade: 42 anos
Local de nascimento: Mauá e morador do bairro Itapeva
Formação: Faculdade Estácio
Hobby: Cozinhar massas
Local predileto: Minha casa
Livro que recomenda: Todos de Zíbia Gasparetto
Pessoa que inspira a vida: Mãe, Helena Alves de Andrade
Profissão: Tecnólogo em Marketing

Presidente, por causa do lapso temporal, o senhor terá pouco tempo à frente da Câmara. Ficará no cargo até 31 de dezembro. No entanto, há algum projeto que deseja concluir até o término de seu mandado na chefia do Legislativo de Mauá?

Algumas coisas estão em processo. Na verdade, elas já vinham ocorrendo por causa dos servidores efetivos da Câmara que têm trabalhado para melhorar a sistematização do Legislativo de forma geral. Estamos estudando, pesquisando preços, melhores softwares e equipamentos para fazer mudanças na área de TI (Tecnologia da Informação) com a atualização de computadores e sistemas. Tem também a questão das catracas, que há um ano e meio, mais ou menos, foram retiradas. Sem essas barreiras, os vereadores, os servidores e o patrimônio ficam muito vulneráveis. Precisamos ter um controle de acesso e cadastro de quem entra no prédio e nas galerias, por exemplo. Devemos sempre ter em mente que a questão da segurança é importante. Em qualquer local estamos sujeitos a qualquer coisa. Outra questão que está em andamento refere-se ao painel eletrônico e aos tablets utilizados pelos vereadores para votações eletrônicas. O equipamento havia sido retirado há pouco mais de um mês por causa do fim do contrato com a empresa prestadora de serviços. Após atuação da equipe técnica da Câmara, os trabalhos para abrir uma nova licitação estão avançando bem, já estão praticamente no fim para fazer a publicação. Acredito que antes de terminar o recesso, no fim deste mês, o edital deve ser publicado.

Recentemente o senhor afirmou ao Diário sobre um aditivo de R$ 1 milhão no contrato das obras da Câmara. O que falta para as intervenções serem concluídas?

Os gabinetes já estão todos funcionando. As obras, no geral, estão bem adiantadas. Falta ajustar e corrigir uma coisa ou outra. As pedras dos banheiros já estão em processo de colocação, e considere que foi uma decisão acertada. Isso porque elas duram 20, 30 anos, enquanto as antigas divisórias de madeira apodreciam muito rápido, e a Câmara era obrigada a trocar quase todo ano. A obra, porém, tem uma parte um pouco mais demorada por uma questão estrutural, que a empresa está trabalhando para concluir. A parte do telhado, das lajes, na parte de trás de onde fica a administração da Câmara, local onde fica a maioria dos funcionários, tem um problema de infiltração e, por isso, precisa de um sistema de captação de água. Nos primeiros dias que assumi como presidente deu uma garoa e eu entrei na administração e tinha várias baldes espalhados para conter as goteiras. No local, por causa da chuva, tem muito mofo, totalmente insalubre, gerando prejuízos para os trabalhadores, além de danificar móveis e equipamentos. A obra está ficando muito boa, até convidei o MP (Ministério Público) para visitar as instalações e conferir de perto tudo o que foi ou está sendo feito. É muito melhor verificar no local do que apenas se basear e ler relatórios apresentados. Porém, outra questão precisa ser corrigida com rapidez, até para se evitar prejuízos ao dinheiro público. Na parte de trás do estacionamento da Câmara, vou licitar um muro de contenção. Quando chove muito, parte da água que vem da Prefeitura invade nossas instalações, apesar dos esforços do prefeito Marcelo Oliveira (PT) de resolver as questões do piscinão, e pode danificar nossos novos móveis e equipamentos. Além disso, há uma parte do estacionamento para acesso dos vereadores ao Legislativo que não tem cobertura. Eu e outros colegas, assim como a equipe técnica da Casa, achamos importante mexer ali, afinal não faz sentido reformar todo o pátio e deixar aquele pedaço sem melhorias.

No geral, as casas legislativas são locais escolhidos por movimentos civis e sociais para manifestações, sejam para cobrança de posicionamentos diferentes por parte dos vereadores ou contra projetos, que em tese, seriam, ruins para a sociedade. Recentemente, estudantes estiveram na Câmara para protestar contra a implementação das escolas cívico-militares. E vereadores levantaram a questão de tirar a separação de vidro entre a galeria e a tribuna. O senhor é favorável à manutenção da divisória?

Primeiramente, na condição de presidente da Casa, independentemente de ser a favor ou contra ao que se pedia da galeria, tive que ser contundente em minhas falas para que o regimento interno fosse cumprido. Por isso, pedi para que os manifestantes diminuíssem o tom para não atrapalhar o andamento dos trabalhos. Eu não vejo problema em o vidro ser mantido. Volto a lembrar a questão da segurança. É importante ter um controle maior, ter um cadastro de quem acessa à Câmara, inclusive da imprensa, para que tenha um local específico só para ela, sem outras pessoas, e desta forma possa fazer o trabalho com mais qualidade e tranquilidade. É bom para todo mundo quando todos respeitam seus espaços. Por exemplo, o controle serve também para o bom trabalho dos vereadores. Antigamente era muita gente em plenário andado para lá e para cá. Limitamos o número de assessores parlamentares em plenário para cada vereador em um. É importante que cada colega tenha sua assessoria para auxílio e também para fotografar e filmar os trabalhos para divulgação, mas tudo tem que ser feito de forma ordeira e os pares entendem e estão colaborando. E isso tem dado resultado para o andamento mais tranquilo e organizado da sessão. Sem aquela confusão de muita gente as falas dos nobres colegas ficam mais claras e desta forma o debate é enriquecido.

O senhor assumiu o comando da Câmara após uma grande polêmica em relação ao ex-presidente que, acusado de crime sexual, acabou renunciando meses depois. Como foi assumir a condução da casa em clima político com a temperatura lá em cima e tentar arrefecer os ânimos?

Nasci em Mauá e moro na periferia, no Itapeva, e sei o quanto a vida é dura. É preciso trabalhar, criar espaços e conviver com a diversidade para conseguir conquistar algo e crescer. Sou de uma família simples, não venho do meio político, não tive pai vereador, prefeito ou sou filho de deputado, ou algo assim. Cheguei onde estou por mérito, por fazer o certo e com dedicação. Quando assumi a vereança, em 2020, não tive nenhuma preparação, mas com diálogo, respeito aos colegas vereadores e ao regimento interno, tenho conseguido desenvolver um trabalho sério e reconhecido. Independentemente da linha ideológica-partidária, o respeito deve prevalecer e por isso, todos, sem exceção, ajudam. Sempre digo: não sou presidente, estou presidente. Vereança não é profissão e não devemos nos apegar a cargos e nos perpetuar no poder. Defendo, ao máximo, três mandados de vereador.

Com a proximidade das eleições municipais e projetos individuais de cada vereador, o senhor acredita que as bandeiras partidárias podem atrapalhar os trabalhos na Câmara?

Pautas de grande relevância já passaram pela Casa e foram votadas, então não teremos debates mais acalorados ao longo deste ano. Mas tenho conversado muito com os vereadores, como amigo e também como presidente, para que o debate político fique do lado de fora, na rua. Do lado de dentro devemos focar no que for melhor para o desenvolvimento da cidade de Mauá. Os projetos pessoais de cada um não podem contaminar o ambiente de trabalho. E se for preciso, eu como presidente da Câmara, guardião do Regimento Interno, tenho que fazer com que as coisas andem dentro das regras, para o bem de todos.

A polarização nacional entre PT e PL tem elevado o debates nos municípios. Em Mauá não seria diferente, porém, se puxar no passado, enquanto o debate direita e esquerda pauta a maioria das discussões, muitos se esquecem que os dois partidos, hoje rivais, já estiveram juntos na no comando da Nação, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice José Alencar (PL). Na visão do senhor, que já foi presidente do Partido dos Trabalhadores de Mauá, as duas siglas podem estar juntas em algum momento da política local?

A política é muito dinâmica e muito de momento, então, com o tempo muda. Os partidos são compostos de pessoas que em determinado momento podem ter uma mudança de comportamento em relação à sociedade. Eu costumo falar que o PT, por ser de esquerda, é mais consolidado e mantém uma linha, mas nos outros partidos há uma migração, eles acabam indo para o sistema da direita, voltam para o centro, voltam para a centro-esquerda e por aí vai. Você pega o PT, porém muitas vezes para você manter a governabilidade, faz acenos ao centro e até para a direita para fazer uma recomposição e acabar governando. Eu acho, neste momento, um apoio difícil, mas no futuro não dá para falar que não vai ter, né?




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