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Câmara elabora projeto que eleva salário do prefeito em 76%

Mesa diretora propõe subir remuneração de R$ 20 mil para R$ 35 mil; vice e secretários também terão reajuste

Artur Rodrigues
14/06/2024 | 20:50
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FOTO: Celso Luiz/DGABC

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A mesa diretora da Câmara de São Caetano elaborou projeto que prevê reajuste de 76,31% nos salários do chefe do Executivo, vice e secretários municipais. A peça, que está sendo analisada pelas comissões permanentes do Legislativo, deve ser apreciada pelo plenário na sessão de terça-feira. Se aprovada, a medida passará a valer em 2025, no próximo mandato.  

O projeto prevê os seguintes reajustes: o salário do prefeito sobre de R$ 20 mil para R$ 35.262; o do vice-prefeito, de R$ 10 mil para R$ 17.631; e o do secretariado, de R$ 19 mil para R$ 33.498,90. Na proposta, a mesa diretora atribui as correções ao fato de o último reajuste aos agentes públicos ter sido aplicado em 2013. A inflação no período até 2024, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), é de 88,81%. 

A peça ainda precisa passar por análise de todas as comissões da Câmara para ser votada. Levantamento feito pelo Diário constatou que, se aprovado, o reajuste vai gerar gasto extra de cerca de R$ 3,5 milhões por ano - montante que não leva em conta possível impacto nos vencimentos dos comissionados. Hoje, os salários do Executivo custam aproximadamente R$ 4,7 milhões anuais aos cofres municipais, e a majoração vai elevar o gasto para R$ 8,2 milhões, crescimento de 74,4%.

Integrante da Comissão de Finanças e Orçamento, a vereadora Bruna Biondi, do mandato coletivo Mulheres Por + Direitos (Psol), teve seu pedido de vista negado pelo presidente do grupo, o vereador Marcos Fontes (Progressistas), que pertence à base governista no Legislativo. 

“No momento em que Saúde, educação, cultura e toda cidade precisam de investimentos, a população não quer ver seu dinheiro sendo jogado no bolso do prefeito. A população de São Caetano quer ver esse dinheiro investido em políticas públicas e nos serviços oferecidos no município e que precisam de ajuda e pedem socorro. É vergonhoso ver um projeto como esse tramitando. É um absurdo o que a base do Auricchio quer fazer nesta Casa de Leis. Por isso vou votar contra e vamos a todas as batalhas para que esse projeto não seja aprovado”, disse a parlamentar. 

Para o vereador Edison Parra (Podemos), o reajuste pode gerar impacto ainda maior aos cofres públicos por conta dos funcionários comissionados, que têm seus salários baseados na remuneração do chefe do Executivo. 

“Esse aumento exorbitante irá gerar um efeito cascata dentro da administração, como o aumento dos vencimentos dos secretários e dos demais funcionários que têm seus salários balizados pelo valor pago ao prefeito. Votarei contra”, declarou Parra.

O Diário procurou o líder do governo na Câmara, vereador Gilberto Costa (Progressistas), mas não houve retorno até o fechamento desta edição. 

4,5% AOS SERVIDORES

Há pouco mais de um mês, Auricchio enviou à Câmara projeto que garantiu reajuste aos servidores públicos de São Caetano de apenas 4,5%, índice que representa apenas a reposição da inflação acumulada no último ano. 

“É descolado da realidade um prefeito receber R$ 32.262 por mês, enquanto no piso da educação os funcionários não recebem nem R$ 3 mil e um professor recebe R$ 5 mil se fizer sua carga horária completa. Se pegarmos o tempo em que não houve aumento de salário para prefeito, vice e secretários - de 2013 a 2024 - os servidores tiveram reajuste total de cerca de 50% nesse período. É um absurdo ver isso acontecendo”, comentou Bruna Biondi. 

Pré-candidatos a prefeito criticam reajuste; Tite se cala

Quatro dos cinco pré-candidatos ao Executivo de São Caetano criticaram a proposta da mesa diretora que reajusta em 76,31% os salários do chefe do Paço, do vice e dos secretários municipais a partir de 2025. O único a não se posicionar foi o vereador Tite Campanella (PL), que é o nome indicado pelo prefeito José Auricchio Júnior (PSD) à sucessão municipal. 

O Diário procurou todos os pré-postulantes ao Palácio da Cerâmica e Tite foi o único que não retornou à reportagem até o fechamento desta edição. O primeiro a se posicionar foi Mário Bohm (Novo), que mencionou o baixo reajuste dado aos servidores pela atual administração. “Os servidores de São Caetano têm reajustes atrasados. É uma afronta aumentar o salário do prefeito sem se preocupar com os servidores”, disse. 

Outro pré-candidato a lembrar da correção dos servidores foi Fabio Palacio (Podemos), que também citou o endividamento e aumento das contas públicas provocado pela gestão Auricchio. 

“Estou falando insistentemente sobre a dívida que a Prefeitura está acumulando, sobre a má gestão do dinheiro público e a falta de investimento no que é realmente necessário. Em ano da eleição, querer aumentar o salário em quase 100% chega a ser falta de respeito com a população. Enquanto isso, o funcionário público vai receber 4,5% de correção monetária. É inversão de prioridades”, criticou Palacio. 

Pré-candidato pelo Psol, Professor Rafinha acompanhou o discurso da bancada do partido na Câmara, representada pela vereadora Bruna Biondi, do mandato coletivo Mulheres Por + Direitos, e se posicionou contra o aumento proposto por Auricchio. 

“Nós do Psol somos contra essa medida escandalosa. No momento em que o funcionalismo da cidade é tão atacado por sobrecarga de trabalho, assédio e também por baixa recomposição salarial, com mais um ano sem aumento real, fica nítido quais são as prioridades da atual gestão”, comentou o psolista. 

Jair Meneguelli (PT) também criticou o prefeito são-caetanense pelo projeto. “Fui sindicalista há muitos anos e nunca vi um aumento desse. Tudo o que sonhamos como trabalhadores é um reajuste como esse. Esses vereadores têm de ter vergonha na cara e votar contra isso”, disse.

Matéria atualizada dia 19 de junho de 2024, às 15h57: diferentemente do publicado na edição do sábado (15), a proposta foi elaborada pela mesa diretora da Câmara e não pelo prefeito José Auricchio Júnior.




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