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Pleno emprego e qualificação

Capacitação é fundamental para darmos salto de qualidade no potencial dos trabalhadores


Cláudio Conz

12/05/2011 | 00:00


Muito tem se falado sobre a questão de possível situação de pleno emprego no Brasil em breve, mas o que isso significa? Com o forte ritmo de crescimento da economia brasileira nos últimos anos e o desempenho vigoroso do nosso mercado de trabalho, vemos que o desemprego decresce cada vez mais e muitos economistas apontam para o caminho do pleno emprego.

No ano passado, muita gente conseguiu trabalho e o Brasil registrou a menor taxa de desemprego desde 2002, ficando em 6,7%. Em Porto Alegre, a taxa foi a mais baixa, 4,5%. Em Belo Horizonte foi de 5,5% e no Rio de Janeiro, 5,6%. Em São Paulo, a taxa foi de 7%. As capitais do Nordeste, como Recife com 8,7%, e Salvador com 11%, continuam com números bem acima da média nacional. Um índice de desemprego de 6%, para os especialistas, já pode ser considerado como um contexto de pleno emprego. E vemos que esses números vêm se mantendo relativamente estáveis, apesar de terem subido um pouco neste começo de 2011. Mas a tendência continua.

A expressão ‘pleno emprego' para a economia acontece quando o sistema está em equilíbrio. Assim, num mercado de trabalho onde a oferta de trabalho é definida a partir da disposição do empregado de receber certo salário, o pleno emprego significa que todos os trabalhadores que aceitem receber os salários de equilíbrio são empregados. O pleno emprego não significa o fim do desemprego, mas ocorre quando o nível de trabalhadores sem emprego se situa em uma faixa que os especialistas definem como friccional, ou seja, quando o trabalhador fica fora do mercado de trabalho por um curto período de tempo, entre 30 e 60 dias.

QUALIFICAÇÃO - No Brasil, temos ainda uma questão muito específica, que é o problema da qualificação profissional. Venho batendo nesta tecla há vários anos, pois sei que este é um problema que temos de enfrentar e que se apresenta cada vez mais gritante em nosso cotidiano.

Especificamente no nosso setor, vemos que esta dificuldade é gritante, pois além de comprometer o desempenho, os prazos e a produtividade, a falta de qualificação causa muitos acidentes. Nove em cada dez empresas da construção civil sofrem com a falta de trabalhadores qualificados no setor, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria.

Existem muitas vagas, mas falta gente capacitada para preenchê-las, desde o peão do canteiro de obras até o engenheiro. De acordo com a CNI, a falta de trabalhadores é maior para os serviços básicos da construção civil: 94% das empresas sofrem pela falta de mão de obra básica, em especial com a escassez de serventes e pedreiros. Para encarregados e mestre de obra, a falta de trabalhadores qualificados atinge 92% das companhias. Engenheiros e arquitetos faltam em 81% das empresas. Administradores e gerentes são escassos em 63% e 56% das firmas, respectivamente.

O mercado de trabalho brasileiro vive um dilema: em alguns lugares temos a falta da mão de obra qualificada, enquanto em outros observamos trabalhadores sem qualificação para a indústria ou o comércio sobrando. A questão da qualificação é fundamental para darmos salto de qualidade no potencial humano dos nossos trabalhadores e imprescindível para uma situação de pleno emprego.

FIM DAS BARREIRAS DE CONTRATAÇÃO

Outra questão importante no tocante à situação do mercado de trabalho brasileiro é a modernização das leis trabalhistas. Num mercado de pleno emprego não faz sentido manter entraves para a livre concorrência da mão de obra. O trabalhador deve ter a facilidade de escolher o melhor para si e ter a autonomia para migrar.

Daí a necessidade de uma reforma trabalhista, que adeque as leis que vigoram desde o período getulista a uma economia mais moderna e dinâmica, com o intuito de beneficiar o crescimento do Brasil como um todo, melhorando as condições de trabalho para os funcionários, facilitando a contratação para os empregadores e empresários e aumentando a produtividade do País.

Para tanto, é preciso que haja uma discussão produtiva entre os diversos setores da nossa economia, para que possamos chegar a um lugar comum. Um ponto é fato incontestável: a atual política trabalhista não é mais capaz de dar conta da nova situação do mercado de trabalho brasileiro e precisa melhorar para todas as partes envolvidas.



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Pleno emprego e qualificação

Capacitação é fundamental para darmos salto de qualidade no potencial dos trabalhadores

Cláudio Conz

12/05/2011 | 00:00


Muito tem se falado sobre a questão de possível situação de pleno emprego no Brasil em breve, mas o que isso significa? Com o forte ritmo de crescimento da economia brasileira nos últimos anos e o desempenho vigoroso do nosso mercado de trabalho, vemos que o desemprego decresce cada vez mais e muitos economistas apontam para o caminho do pleno emprego.

No ano passado, muita gente conseguiu trabalho e o Brasil registrou a menor taxa de desemprego desde 2002, ficando em 6,7%. Em Porto Alegre, a taxa foi a mais baixa, 4,5%. Em Belo Horizonte foi de 5,5% e no Rio de Janeiro, 5,6%. Em São Paulo, a taxa foi de 7%. As capitais do Nordeste, como Recife com 8,7%, e Salvador com 11%, continuam com números bem acima da média nacional. Um índice de desemprego de 6%, para os especialistas, já pode ser considerado como um contexto de pleno emprego. E vemos que esses números vêm se mantendo relativamente estáveis, apesar de terem subido um pouco neste começo de 2011. Mas a tendência continua.

A expressão ‘pleno emprego' para a economia acontece quando o sistema está em equilíbrio. Assim, num mercado de trabalho onde a oferta de trabalho é definida a partir da disposição do empregado de receber certo salário, o pleno emprego significa que todos os trabalhadores que aceitem receber os salários de equilíbrio são empregados. O pleno emprego não significa o fim do desemprego, mas ocorre quando o nível de trabalhadores sem emprego se situa em uma faixa que os especialistas definem como friccional, ou seja, quando o trabalhador fica fora do mercado de trabalho por um curto período de tempo, entre 30 e 60 dias.

QUALIFICAÇÃO - No Brasil, temos ainda uma questão muito específica, que é o problema da qualificação profissional. Venho batendo nesta tecla há vários anos, pois sei que este é um problema que temos de enfrentar e que se apresenta cada vez mais gritante em nosso cotidiano.

Especificamente no nosso setor, vemos que esta dificuldade é gritante, pois além de comprometer o desempenho, os prazos e a produtividade, a falta de qualificação causa muitos acidentes. Nove em cada dez empresas da construção civil sofrem com a falta de trabalhadores qualificados no setor, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria.

Existem muitas vagas, mas falta gente capacitada para preenchê-las, desde o peão do canteiro de obras até o engenheiro. De acordo com a CNI, a falta de trabalhadores é maior para os serviços básicos da construção civil: 94% das empresas sofrem pela falta de mão de obra básica, em especial com a escassez de serventes e pedreiros. Para encarregados e mestre de obra, a falta de trabalhadores qualificados atinge 92% das companhias. Engenheiros e arquitetos faltam em 81% das empresas. Administradores e gerentes são escassos em 63% e 56% das firmas, respectivamente.

O mercado de trabalho brasileiro vive um dilema: em alguns lugares temos a falta da mão de obra qualificada, enquanto em outros observamos trabalhadores sem qualificação para a indústria ou o comércio sobrando. A questão da qualificação é fundamental para darmos salto de qualidade no potencial humano dos nossos trabalhadores e imprescindível para uma situação de pleno emprego.

FIM DAS BARREIRAS DE CONTRATAÇÃO

Outra questão importante no tocante à situação do mercado de trabalho brasileiro é a modernização das leis trabalhistas. Num mercado de pleno emprego não faz sentido manter entraves para a livre concorrência da mão de obra. O trabalhador deve ter a facilidade de escolher o melhor para si e ter a autonomia para migrar.

Daí a necessidade de uma reforma trabalhista, que adeque as leis que vigoram desde o período getulista a uma economia mais moderna e dinâmica, com o intuito de beneficiar o crescimento do Brasil como um todo, melhorando as condições de trabalho para os funcionários, facilitando a contratação para os empregadores e empresários e aumentando a produtividade do País.

Para tanto, é preciso que haja uma discussão produtiva entre os diversos setores da nossa economia, para que possamos chegar a um lugar comum. Um ponto é fato incontestável: a atual política trabalhista não é mais capaz de dar conta da nova situação do mercado de trabalho brasileiro e precisa melhorar para todas as partes envolvidas.

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