‘Sou ladrão e vacilão’ Ruan Rocha da Silva estava preso desde 2019, e fugiu do CDP com outros seis detentos em 25 de dezembro do ano passado; ele foi capturado dois dias depois
Claudinei Plaza/DGABC

Ruan Rocha da Silva, 23 anos, que teve a testa tatuada sob tortura com a frase "Eu sou ladrão e vacilão" em junho de 2017, em São Bernardo, fugiu da cadeia e perdeu o direito de cumprir a pena no regime semiaberto. O jovem estava detido desde 2019 no CDP (Centro de Detenção Provisória) Belém I, por furtar funcionários da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Silvina, no bairro Ferrazópolis.
A fuga ocorreu no dia 25 de dezembro do ano passado, quando Silva, ao lado de outros seis detentos, teriam quebrado a grade de proteção de uma das janelas e escalado o alambrado que cerca a área e seguido em direção à Avenida Salim Farah Maluf, onde está localizada a unidade prisional.
Segundo comunicado do CDP anexo ao processo, durante a evasão, os presos teriam também rendido na área externa um dos agentes de segurança penitenciária, onde teriam amarrados suas mãos e pés, e roubado seu tênis e o rádio comunicador portátil.
O jovem de São Bernardo foi capturado dois dias depois, em 27 de dezembro e foi transferido para o regime fechado por ordem da juíza Carla Kaari. "A medida cautelar se faz necessária para a conveniência da instrução disciplinar e para assegurar a aplicação da lei penal, pois, permanecendo em regime semiaberto, possivelmente tentará novamente se evadir", escreveu a magistrada, em sua decisão.
Até a fuga, a conduta de Silva no CDP era classificada como boa pela administração penitenciária, e em novembro do ano passado a defesa solicitou a liberdade provisória do jovem. Na época, a defesa argumentou que o detento já havia cumprido tempo suficiente da pena para progressão de regime - Silva foi condenado há quatro anos e oito meses de prisão.
Aline Evelin Silva Gorni, advogada que defendia o jovem, deixou o caso após a evasão.
Segundo a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), Silva foi incluído pela primeira vez em uma unidade prisional em fevereiro de 2019, no CDP de São Bernardo, após furtar um celular e dinheiro (R$ 20,30) de duas funcionárias da UPA. Em depoimento à polícia na época, o jovem disse que foi até a unidade de saúde para se proteger da chuva, e confessou estar sob efeito de drogas.
Na ocasião, Silva também confessou o envolvimento em outro crime, um furto praticado em março de 2019, na cidade de Mairiporã, na Região Metropolitana de São Paulo. Segundou afirmou o jovem, ele furtou um desodorante de um supermercado e foi solto após pagamento de fiança de R$ 1.000.
Relembre o caso
Em junho de 2017, Ruan Rocha da Silva, ainda menor de idade, teve a testa tatuada com a frase “Eu sou ladrão e vacilão” pelo tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis, e pelo pedreiro Ronildo Moreira de Araújo, que o acusaram de tentar roubar uma bicicleta.
O caso, que ganhou repercussão nacional, ficou conhecido após a dupla divulgar nas redes sociais um vídeo do momento em que tatuaram a testa do jovem – Silva afirmou na época não se lembrar da tentativa de furto já que estava sob efeito de drogas.
Em 2018, Reis e Araújo foram condenados pelos crimes de lesão corporal gravíssima e constrangimento ilegal.
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