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Hospital Anchieta registra falta de insumo para fazer hemodiálise

Informações apontam que direção da unidade de S.Bernardo pediu material emprestado ao Hospital de Clínicas da cidade para garantir tratamento

Por Wilson Moço
Do Diário do Grande ABC
29/11/2023 | 07:00
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Claudinei Plaza/DGABC


Uma semana depois de reportagem do Diário mostrar que pacientes de São Bernardo precisam esperar até oito meses para conseguir vaga para tratamento de hemodiálise, informações passadas ao jornal por meio de mensagens em áudio – a pessoa preferiu não se identificar –, relatam que o HA (Hospital Anchieta), referência no tratamento oncológico no município, registrou falta de insumos para realização da hemodiálise. Diante do quadro, a saída foi buscar socorro junto ao HC (Hospital de Clínicas), para que a unidade pudesse garantir o atendimento a pacientes de câncer que necessitem do procedimento.

“Esse hospital (Anchieta) está uma vergonha. Não tinha insumo para fazer as hemodiálises, o que é um risco muito alto para pacientes que dependem desse tratamento. Eu ouvi uma enfermeira falando da falta de insumo, e que tiveram de pegar emprestado lá com o HC. Ouvi também que não tinha material de escritório, coisas básicas. Mostra que a saúde de São Bernardo está bem debilitada em muitos aspectos, infelizmente”, diz a pessoa em áudio enviado à reportagem. 

No entanto, não disse se o problema da falta de insumos foi apenas momentâneo ou se persiste. Entre os materiais de escritório em falta estariam caneta, lápis, tesoura e até rótulos de soro, usados para identificar a medicação, data e horário para troca de remédios, por exemplo. Segundo informações, determinação da Prefeitura para corte de gastos seria responsável pela falta de produtos, principalmente os destinados aos serviços de escritório. 

Outra denúncia que envolve o HA é o caso de uma paciente que está internada no HU (Hospital de Urgência), onde foi diagnosticada com câncer há cerca de um mês e, desde então, aguarda transferência para o Anchieta para iniciar o tratamento oncológico. “Minha amiga está no HU. De lá ela tem de ir para o Anchieta, que é o hospital de referência de câncer na cidade. Ela descobriu que tem a doença, e está esperando para ser removida para lá (Anchieta), mas até agora nada. E vaga eu sei que tem”, diz outra moradora da cidade, também em áudio.

FALTA DE VAGAS

Outras informações passadas ao jornal, por telefone – a pessoa preferiu não ser identificada –, relatam caso de um paciente internado no Anchieta que está há cerca de quatro meses à espera de vaga para tratamento de hemodiálise fora de lá. Segundo os relatos, o homem estaria com quadro de depressão devido ao longo período longe de casa, à falta de perspectiva quanto a conseguir iniciar o tratamento em uma clínica ou no HC (Hospital de Clínicas), de modo que pudesse passar pelo procedimento – três vezes por semana – e voltar para sua residência. Diante da indefinição, ele já teria perdido em torno de 16 quilos.

“Ele está deprimido, com certeza por causa do tempo que está no hospital esperando por essa vaga, pois lá fica preso o tempo todo. E falam apenas que tem de aguardar, que tem paciente que está há cinco, seis meses esperando. Falaram (familiares de outros pacientes) que uma clínica (particular) que fazia o tratamento não está mais contratada. Ele está definhando por causa de tudo que está vivendo no hospital. Sem contar que corre risco de pegar uma infecção.”

Questionadas sobre todas as situações, a Prefeitura de São Bernardo e a FUABC (Fundação do ABC), gestora do complexo hospitalar do município, não se posicionaram até o fechamento desta edição.




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