Da 1h às 5h da manhã Morados do bairro são-bernardense denunciam perturbação de sossego, falta de segurança e aumento de poluição nas ruas por causa das festas
Segundo moradores, caos e barulho ficam intensos das 1h até 5h; em alguns finais de semana, música alta perdura até às 8h30 (FOTO: Celso Luiz/DGABC)

As noites de sono tranquilo para os moradores do Rudge Ramos, em São Bernardo, se tornaram um mero desejo. O barulho ensurdecedor das festas que acontecem na Avenida Doutor Rudge Ramos, altura do número 1.500, tem gerado muito incômodo à vizinhança, que denuncia também o uso de drogas nas proximidades e e o descarte incorreto de garrafas e bitucas, o que ocasiona poluição pela região. Diante disso, um abaixo-assinado com 560 assinaturas solicita que a Prefeitura faça intervenções nesses locais para aumentar a segurança.
“Toca música muito alta. O pessoal fica na rua usando droga, impedindo o trânsito e fazendo racha. Já reclamamos no Atende Bem da Prefeitura, para a Secretaria de Segurança Pública, falamos com vereadores, guardas. O prefeito até falou em uma live que ia ver o alvará de funcionamento, mas nada acontece. A galera não respeita. Nas redes sociais já chegaram a postar um ‘dia da perturbação de sossego’ com fotos dos eventos”, comenta morador do Rudge Ramos que preferiu não ser identificado. “Não queremos que as casas sejam fechadas, só pôr o fim do barulho acima do permitido.”
De acordo com outra moradora do Rudge Ramos, o som é estrondoso, ainda mais por ser perto das janelas da casa dela. A vizinhança já fez boletins de ocorrência e protocolou denúncia no Ministério Público. Ela pontua que são nove locais que causam essas questões, como Bar Toca, Crazy Bar, entre outros.
“As pessoas saem dos bares e deixam a rua cheia de garrafas, copos, cigarros. Várias vezes já tivemos enchentes porque os bueiros não dão conta da sujeira”, declara. “Até agora, a única coisa que temos é a presença da guarda civil eventualmente, mas eles não podem atuar dentro do estabelecimento. Então, só conseguem diminuir um pouco a bagunça externa.”
Em entrevista ao Diário, a moradora afirma que são colocadas carretas de som na rua e há consumo de bebidas por menores de idade. Em relação ao trânsito, se preocupa porque se acontecer alguma emergência em casa, ela não consegue passar pela rua rapidamente por causa da aglomeração. “A passagem de som começa por volta das 20h. O barulho intenso fica das 0h30 até umas 5h. Tem dias que eles vão até às 8h30, porque os bares fecham e o pessoal continua na rua. Tenho vizinhos que já colocaram os imóveis à venda por causa dessa bagunça ainda mais porque os assaltos na região aumentaram.”
Os dois moradores entrevistados optaram por não se identificar com medo de sofrerem algum tipo de ameaça por parte dos proprietários dos estabelecimentos ou outras pessoas ligadas aos locias.
Entre os pontos mencionados, o Crazy Bar, Av. Dr. Rudge Ramos, 1596, disse ao Diário que está há um mês sem evento. No Instagram do estabelecimento, o último show anunciado foi do trapper Yunk Vino para 14 de outubro.
“Estamos sem fazer eventos porque só fazemos eventos específicos. A gente não abre todo final de semana. São as outras casas que abrem todo final de semana, com essa zona que está aqui. Tem vez que ficamos um mês sem fazer evento ou de 15 em 15 dias. Sobre as denúncias de perturbação de sossego, fomos um dos que começaram a pedir. Já fizemos diversas reuniões com a Prefeitura para ver se para um pouco o baile de rua que acontece aqui. O que mais tem na Doutor Rudge Ramos é carro de som com porta mala aberto, ai quem leva a culpa são as casas de show”, relatou a administração.
O Bar Toca Tatu, na Av. Dr. Rudge Ramos, 1548, também declarou que não faz mais eventos apesar de manter um informativo no WhatsApp para que o público garanta “ingresso para Réveillon no Toca”. “Existem casas de show na rua que fazem as festas. Há uns 40 dias trabalhamos com a guarda municipal nas portas do comércio, com a aferição da poluição sonora. Não somos nós que realizamos eventos. Existem casas de show na mesma avenida, mas o Toca está operando como bar sem entretenimento”, comunicou a direção ao Diário. Depois que a equipe de reportagem entrou em contato com o Bar Toca Tatu, todas as publicações no instagram do estabelecimento foram excluídas.
Em setembro, o Prefeito Orlando Morando (PSDB) afirmou em live nas redes sociais que já estava ciente desses casos. “É (perto) de onde vai ser o nosso Hospital Veterinário (inaugurado nesta terça-feira). Mandei averiguar todas as casas o alvará de funcionamento”, comentou brevemente.
O Diário questionou a Prefeitura sobre as denúncias dos moradores, mas não obteve nenhuma resposta até o fechamento desta reportagem.
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