Campeão Fernandes, de Santo André, conquista primeiro lugar nas categorias cartum e caricatura no principal evento do traço no País, em Piracicaba
Charge é inspirada em pintura clássica de Norman Rockwell (IMAGEM: Fernandes)

O ilustrador Luiz Carlos Fernandes, 63 anos, que publica seus trabalhos no Diário, conquistou na noite de ontem dois troféus na 50ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o mais importante do gênero no Brasil. Ele obteve o primeiro lugar nas categorias cartum e caricatura. A premiação rendeu R$ 15 mil.
“Piracicaba é o salão mais tradicional do Brasil, um dos mais importantes do mundo, senão o mais importante. E este ano é uma data especial porque está na 50ª edição. Ganhar em Piracicaba é como se fosse a Copa do Mundo. É um torneio grande. Os artistas do mundo inteiro sonham ganhar em Piracicaba”, disse, emocionado, Fernandes.
A solenidade em que os vencedores foram anunciados ocorreu na noite de ontem, no Armazém 14 do Parque do Engenho Central, em Piracicaba. Trabalhos do mundo inteiro que concorreram aos prêmios ficarão em exposição até 29 de outubro. O grande prêmio foi conferido ao cartunista brasileiro Quinho Ravelli.
Com a elaboração do cartum vencedor, Fernandes quis fazer um alerta sobre o avanço da Inteligência Artificial. O desenho é claramente inspirado na pintura Autorretrato Triplo, criada pelo pintor e ilustrador norte-americano Norman Rockwell (1894-1978), publicada na capa do jornal The Saturday Evening Post de 13 de fevereiro de 1960. Na versão feita pelo artista brasileiro, um robô se olha no espelho para capturar suas feições e se enxerga como ser humano.
Já a caricatura idealizada por Fernandes e premiada ontem à noite em Piracicaba mostra o cantor e compositor baiano Gilberto Gil, que recentemente completou 81 anos. “Tinha feito ela a lápis preto e acabei gostando. Resolvi refazer colorida para o Salão. Além disso gosto muito do Gil”, conta o ilustrador ao ser questionado sobre as razões da escolha do personagem.
“E mais uma coisa”, adicionou Fernandes, gargalhando, “tenho mais opções de lápis marrom”. Recomposto, explicou: “Isso é verdade. (Tenho) várias tonalidades, do ocre ao marrom dark. Daltônico tem dessas”, concluiu, citando o distúrbio de visão que lhe impede de diferenciar certas cores, especialmente o verde – o que nunca foi um problema para este palmeirense fanático pelo clube esmeraldino.
PRÊMIOS
Antes desta edição, Fernandes já havia conquistado oito prêmios e um grande prêmio no Salão Internacional de Humor de Piracicaba. “No total, eram nove. Mas este ano se torna especial porque é a primeira vez que ganhei na categoria cartum”, lembrou o artista.
Piracicaba foi o primeiro salão de humor ao qual Fernandes enviou um trabalho. Era 2001 e ele concorreu com uma caricatura do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986). “Achava que nem iria ser selecionado e peguei o primeiro lugar. De lá para cá, sempre participo”, relatou ele, que já foi convidado para ser jurado do concurso em duas ocasiões.
BIOGRAFIA
Natural de Avaré, cidade do Interior de São Paulo, Fernandes chegou ao Grande ABC em 1982. Morou em Diadema, depois em São Caetano e há 17 anos reside em Santo André – neste mês, voltou a publicar seus trabalho no Diário, dividindo espaço com Gilmar Machado e Seri.
“Estou muito feliz porque 2023 é um ano para eu nunca esquecer. Ganhei uma netinha, fui premiado no principal salão do Brasil duas vezes e voltei para o jornal”, finalizou Fernandes, lembrando da pequena Laurinha que nasceu há cinco meses, filha do casal Rodrigo e Paula.
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