Setecidades Titulo Crescimento populacional

Em 12 anos, população da região aumentou 6%

Crescimento do Grande ABC está abaixo da média nacional, que teve aumento de 6,5%

Beatriz Mirelle
29/06/2023 | 09:55
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Claudinei Plaza/DGABC
Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A população do Grande ABC chegou a 2.696.530 moradores, de acordo com os primeiros resultados oficiais do Censo Demográfico de 2022 produzido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O número representa alta de 5,6% em comparação ao último levantamento realizado em 2010, que contabilizava 2.551.328 pessoas. Em comparação ao índice nacional, a região está abaixo do crescimento populacional do País. Em 12 anos, o Brasil teve aumento de 6,5%, ao passar de 190.755.799 pessoas em 2010 para 203.062.512 habitantes em 2022, ou seja, 12.306.713 pessoas a mais.

“A pesquisa busca bater à porta de todos os domicílios dos 5.570 municípios brasileiros para produzir um retrato fiel da sociedade”, destaca o IBGE, em nota. “O Sudeste continua sendo a região mais populosa do País, atingindo, em 2022, 84.8 milhões de habitantes. Esse contingente representa 41,8% da população brasileira.”

A demógrafa Roberta Peres, coordenadora do bacharelado em Ciências e Humanidades e professora do bacharelado em Políticas Públicas da UFABC (Universidade Federal do ABC), destaca que o Censo é o único levantamento que abrange todo território nacional, sendo fundamental para se ter um diagnóstico da estrutura do País e pensar em ações futuras. 

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“O Censo tem a capacidade de subsidiar políticas públicas e o planejamento no nível local ao oferecer informações sobre os domicílios e a população residente. Sem isso, os municípios não teriam uma orientação e conhecimento das demandas para a melhoria das condições de vida de seus habitantes”, pontuou a docente.

De acordo com o instituto de pesquisa, os números divulgados ontem ainda podem ser retificados em futuras publicações, já que os dados de algumas cidades brasileiras ainda estão em fase de revisão. 

MORADIAS

O Grande ABC tem 1.122.258 de domicílios. Desse total, 1.121.207 são particulares e 997.701 estão permanentemente ocupados. Dos espaços que possuem moradores, a média de habitantes é de 2,72 pessoas. 

No Brasil, são 90.688 milhões de domicílios. A média de moradores em 2010 era de 3,31. Em 2022, o número foi para 2,79 pessoas por habitação. De acordo com Roberta, a taxa de fecundidade no País é uma das explicações. “O número de filhos por mulher em idade fértil vem diminuindo. As famílias estão cada vez mais enxutas. No entanto, também houve o aumento do número de domicílios no Brasil.” 

Em 2010, o País tinha 67.570 milhões de habitações, o que representa alta de 34%. Roberta também aponta que o número de domicílios desocupados aumentou. Na região, por exemplo, são 110.490 locais particulares que estão vagos.

"Tudo isso aponta para a urgente necessidade de uma discussão profunda sobre políticas habitacionais, especialmente as habitações de interesse social”, analisa a professora.

ESTIMATIVA 

Em dezembro, o IBGE divulgou a prévia do Censo Demográfico. Na ocasião, o instituto indicou que o Grande ABC teria 2.725.209 moradores. Nas primeiras informações oficiais divulgadas ontem, o número de habitantes na região é 1,05% menor que a estimativa. 

(As prévias) de 2022 são feitas a partir da coleta censitária de 2010. Para calibrar as projeções, o IBGE realiza, no meio do intervalo entre censos demográficos, uma contagem populacional. Essa contagem, que estava prevista para 2015, não aconteceu em função de um corte de verbas”, indica Roberta Peres.

Segundo ela, a pandemia também influenciou os resultados por impor dificuldades nas coletas dos agentes do Censo devido ao isolamento social, assim como movimentos de negação da ciência que aconteceram nos últimos anos.

Diadema e São Caetano têm alta densidade demográfica

Diadema e São Caetano estão entre as seis cidades brasileiras com maiores densidades demográficas. O território diademense possui 12.795,69 habitantes por quilômetro quadrado, enquanto a área sul-caetanense tem 10.805,23 habitantes por quilômetro quadrado. Os outros municípios com números expressivos são Taboão da Serra, Osasco, Carapicuíba (todos em São Paulo) e São João do Meriti, no Rio de Janeiro.

Com 393.237 habitantes, Diadema tem 31 quilômetros quadrados de extensão, enquanto São Caetano, com 165.655 moradores, tem 15 quilômetros quadrados. “Estamos em uma região que é espaço histórico das migrações internas e que continua compondo uma dinâmica de redistribuição espacial da população bastante complexa no conjunto da Região Metropolitana de São Paulo. É justamente essa dinâmica que compõe um desafio para a gestão de políticas públicas”, avalia a demógrafa Roberta Peres, coordenadora do bacharelado em Ciências e Humanidades e professora do bacharelado em Políticas Públicas da UFABC (Universidade Federal do ABC).

Nesse contexto, as movimentações populacionais existentes devem ser consideradas pelos líderes políticos ao pensarem ações públicas mais assertivas. “As prefeituras têm a oportunidade, com a divulgação dos dados censitários, de entender mais detalhadamente cada localidade em seus municípios, mapear as áreas mais densas, conhecer de forma mais aprofundada as demandas que emergem desse contexto de alta densidade para a construção de políticas públicas com maior efetividade social”, analisa Roberta.

Para a demógrafa, detalhamentos como a quantidade de habitantes por quilômetro quadrado são essenciais para o planejamento baseado em evidências consistentes. Assim, é possível garantir, de fato, “direitos básicos a todas as pessoas” e “incrementar as condições de vida da população” de cada município.




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