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Artigo: Crise bancária: contornada ou adiada?

Pedro Carvalho de Mello
27/03/2023 | 06:03
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Este mês o mundo financeiro internacional recebeu notícias preocupantes, sinalizando uma crise bancária com dimensões imprevisíveis. Parecia ser a volta e o temor de uma nova crise financeira sistêmica. Os quatro principais bancos americanos eram ícones do setor de startups da Califórnia, dois faliram rapidamente.

O quarto banco, o europeu Credit Suisse, um dos maiores do mundo, causava preocupações no mercado financeiro. É o que Nouriel Roubini (professor da NYU) caracteriza como “grande demais para quebrar, mas também muito grande para poder ser salvo.” O Credit Suisse acabou unido com o banco UBS.

As razões para a crise se deveram à má gestão e excessiva alavancagem com títulos de longo prazo do Tesouro. Com o aumento da taxa de juros dos títulos de curto prazo, o “achatamento” da curva de juros provocou fortes retiradas dos bancos, ao mesmo tempo que a carteira de aplicações estava comprometida com empréstimos de médio e longo prazo.

Existem fortes sinais de que a crise foi contida pela atuação do governo, instituições de regulação e bancos privados nos Estados Unidos e Europa. As três principais medidas para mitigar a crise foram:
1) a rapidez da intervenção: as lições das crises passadas não foram esquecidas e isso é importante, dado o ambiente emocional que cerca as crises;
2) o posicionamento “duro” de liquidar bancos problemáticos ou de buscar soluções rápidas para os outros bancos. O FED deu prioridade ao mercado, e não aos acionistas e
3) postura rígida na defesa dos fundamentos da macroeconomia. A prioridade continua sendo o equilíbrio fiscal e o combate à inflação.

Eles devem manter a política de juros que estava sendo conduzida sem “afrouxamento”. A economia, principalmente em tempos de maior volatilidade nas expectativas, necessita de âncoras que balizem as estratégias a serem tomadas pelas empresas e investidores. Finalmente, a questão permanece: a crise foi “resolvida” ou adiada para uma crise mais profunda no futuro.

As crises financeiras são traiçoeiras, pois eclodem no “mundo das expectativas”. Não se deve comemorar prematuramente o “fim da crise bancária”. Vale lembrar a Crise de 1929, a maior da história, que caracterizou-se por diversas “mini crises”.

No cenário atual, a maior ameaça ao sistema está ligada à estagnação do consumo. A economia internacional vive uma divergência entre aumento de receita e lucratividade de muitas empresas, mas cada vez menos criação de empregos e renda.

Pedro Carvalho de Mello é PhD em economia do Centro Europeu de Pesquisas e Estudos da Strong Business School. 

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