Eterno Como atleta, é o único a vencer três Copas do Mundo; marcou mais de 1.000 gols e é reconhecido como ‘Rei’ em todo mundo
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João Ramos Nascimento, conhecido por Dondinho, chorou momentos depois de o Brasil perder a Copa do Mundo para o Uruguai, em pleno Maracanã, por 2 a 1. O então atleta do BAC (Bauru Atlético Clube), extinto clube do Interior Paulista, recebeu consolo do filho, Edson Arantes do Nascimento. O pequeno menino, com então 10 anos incompletos, prometeu ganhar a Copa do Mundo para o pai. Uma forma de tentar diminuir a tristeza do homem que via como exemplo.
Oito anos depois, o filho de Dondinho chorou poucos segundos depois da final do Mundial de 1958, realizado na Suécia. No entanto, as lágrimas eram de alegria. Edson Arantes do Nascimento foi abraçado pelos colegas e, com as mãos no rosto, chorava de emoção. Nos gramados suecos, o mundo conhecia Pelé. Aos 17 anos, o jovem que se tornaria o maior jogador de todos os tempos, conquistava o mundo pela primeira vez. Pelé ainda conquistou as Copas de 1962 e 1970 pela Seleção Brasileira. Pelo Santos, seu eterno clube, ganhou tudo.
Nesta quinta-feira (29), porém, o mundo parou e chorou. O rei do futebol entrou para eternidade, aos 82 anos. Pelé estava em tratamento hospitalar, em São Paulo, por causa de um câncer de cólon. Com a saúde debilitada, passou as últimas semanas internado. Foi do hospital que assistiu a Copa do Mundo do Catar.
Velório e enterro serão divulgados nas próximas horas. Pelé nasceu em Três Corações, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1940.
A estreia em Santo André
Em 1956, aos 15 anos, Pelé assinou contrato com o Santos, depois de impressionar pessoas ligadas ao futebol com seu desempenho pelo BAC, time de Bauru que não existe mais.
Com a camisa do Santos, o primeiro jogo de Pelé foi um amistoso contra Corinthians de Santo André, no estádio Américo Guazelli. O time do litoral goleou a equipe do Grande ABC: 7 a 1. Pelé marcou aos 36 do segundo tempo. As testemunhas daquele amistoso ficaram impressionadas com a habilidade demonstrada por aquele jovem garoto.
Primeiro título
Pelé se destacou nas edições do Campeonato Paulista e Rio-São Paulo em 1957. Goleador, o jogador chamou atenção do técnico da Seleção Brasileira Sylvio Pirillo. Naquele ano, Pelé vestiu a camisa do Brasil para disputar a Copa Roca, uma competição entre Brasil e Argentina. Duas partidas foram realizadas em julho (no Maracanã e no Pacaembu).
A primeira partida o Brasil perdeu por 2 a 1. O gol brasileiro foi anotado por Pelé. Em São Paulo, o Brasil venceu por 2 a 0 e conquistou o título da competição. Pelé e Mazzola marcaram para o Brasil.
Copa de 1958
Comandados por Vicente Fiola, os jogadores da Seleção Brasileira partiram para Suécia em busca do primeiro título da Copa do Mundo, em 1958. Pelé, então com 17 anos, pensava na promessa feita ao pai. Uma das fotos postadas pela equipe de Pelé enquanto o Rei estava internado nos últimos meses fez referência ao Mundial daquele ano. “Em 1958, eu caminhava pelas ruas pensando em cumprir a promessa que fiz ao meu pai”, dizia a postagem de 5 de dezembro último, quando Pelé desejou “boa sorte” aos jogadores do Brasil que, pouco depois, venceu a Coreia do Sul por 4 a 1 pelas oitavas da Copa do Catar.
Naquela edição, Pelé marcou gols a partir das quartas de final (naquela época apenas 16 seleções participavam). O primeiro gol de Pelé em Copas foi contra o Pais de Gales, quando o Brasil venceu por 1 a 0. Na semifinal, contra França, mais uma vez o jovem de 17 anos se destacou. A Seleção venceu por 5 a 2. Pelé marcou três gols.
Na final pela segunda vez na história, os brasileiros entraram em campo contra a dona da casa Suécia. Para espantar a decepção de 1950, O Brasil venceu por 5 a 2. Destes, dois gols foram de Pelé, que foi selecionado para “Seleção da Copa do Mundo de 1958”. O Brasil era campeão e Pelé entregava o presente para o pai.
Copa de 1962
Quatro anos mais tarde, Pelé chega como a maior atração da Copa do Mundo no Chile. Pelé faz duas partidas e marca apenas um gol, na estreia, contra o México. Na segunda partida, contra a Tchecoslováquia, o camisa 10 se machucou e assistiu o restante da Copa. Com uma Seleção brilhante, o Brasil conquistou o bicampeonato.
Copa de 1970
Até o maior astro da história do futebol tem momentos ruins. Este período para Pelé foi na Copa de 1966, na Inglaterra. Caçado em campo de maneira covarde pelos adversários, Pelé não conseguiu desempenhar um bom futebol naquele ano e marcou apenas um gol. A Seleção foi eliminada ainda na primeira fase. Em 1970, Pelé precisou ser convencido a voltar a disputar a Copa do Mundo – e para sorte do futebol, o Rei decidiu jogar seu último Mundial.
Uma Copa com prestígio histórico, o Mundial de 1970, no México, consagrou Pelé e companhia. Pelé marcou quatro gols na competição – um dos tentos contra a Itália, na final. Naquele Mundial, cada lance se tornou memorável, como o passe sutil de Pelé para Carlos Alberto Torres marcou o gol do título contra os italianos. Outra cena histórica, na semifinal, é um drible com o corpo feito pelo camisa 10 contra o goleiro do Uruguai.
Pelé foi carregado pelos torcedores no estádio Azteca, na Cidade do México. Naquele 21 de junho de 1970, Pelé se tornava o maior vencedor de Copas do Mundo. Há 52 anos o recorde é do camisa 10 da Seleção Brasileira.
Títulos pelo Santos
Pelo Santos Futebol Clube, Pelé conquistou Paulistas, Brasileiros, Libertadores, Mundiais e Recopas.
O primeiro troféu com a equipe do Litoral foi o Paulista de 1958. Naquela edição do Estadual, Pelé marcou 58 gols – maior marca do Rei na competição. Pelé foi, no total, artilheiro em 11 edições do torneio estadual.
Pelé foi 10 vezes campeão do Paulista. Conquistou seis Brasileiros (à época, Taça Brasil). Foi bicampeão da Libertadores e do Mundial. Ainda venceu o Torneio Rio-São Paulo três vezes, um Recopa Sul-Americana e Recopa dos Campeões Mundiais.
Pelé ainda jogou pelo extinto New York Cosmos, entre 1975 e 1977, ano em que encerrou a carreira. É, sem dúvida, um dos responsáveis por divulgar o futebol nos Estados Unidos, país que até os dias de hoje caminha para ter um torneio competitivo na categoria.
Pós-futebol
Após deixar o futebol, no final da década de 1970, Pelé foi embaixador da Unesco, ministro dos Esportes do governo de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 1998, comentarista de partidas de futebol e participou de diversos eventos em sua homenagem.
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