Como Cláudia Raia Gravidez tardia ocorre a partir de 35 anos e é considerada de alto risco; tema ganhou destaque após atriz Cláudia Raia anunciar espera de bebê aos 55
Claudinei Plaza/DGABC

Após a atriz Claudia Raia, de 55 anos, anunciar na semana passada que está esperando seu terceiro filho – mesmo durante a menopausa – a discussão sobre gravidez tardia voltou a ganhar destaque no País. Este tipo de gestação ocorre em mulheres na faixa etária de 35 anos ou mais e pode ser considerada de alto risco, podendo gerar complicações tanto para mãe quanto para o bebê.
A gravidez acima dos 50 anos é avaliada pelos médicos como mais rara de ocorrer naturalmente devido à baixa produção de óvulos nesta faixa etária. No Grande ABC, de janeiro a setembro deste ano, seis cidades registraram 140 casos de grávidas acima dos 50 Rio Grande da Serra não informou os dados.
No total, 5.784 mulheres acima dos 35 anos realizaram acompanhamento pré-natal ou parto nos municípios. Gestantes na faixa etária de 35 a 40 anos representam 73% do total, com 4.201 casos.
No mesmo período, 1.443 grávidas, de 40 a 50 anos, foram atendidas na rede municipal de saúde. (Veja tabela abaixo) Mesmo com baixas chances de engravidar, a auxiliar administrativa, Luciana Azevedo Rigoni, vive aos 46 anos a expectativa de dar à luz nos próximos dias a sua primeira filha. Moradora de Santo André, a gestante realiza o prénatal no Hospital da Mulher da cidade e conta que mesmo com a idade avançada não passou por nenhum tipo de complicação durante o período gestacional, e a previsão médica é que o parto ocorra de maneira normal.
"Sonhei em ser mãe quando era mais nova, mas por conta da idade pensei que não seria mais possível realizar esse sonho. Quando pensei que havia entrado na menopausa, comecei a ter alguns sintomas de gravidez, fiz o teste e deu positivo. Até agora está sendo tudo tranquilo, mantenho uma alimentação saudável, tomo todas as vitaminas necessárias, e faço o acompanhamento médico", conta animada Luciana, que revela que essa é a sua segunda gravidez. Em outubro do ano passado ela teve um aborto espontâneo com quatro semanas de gestação devido a falta de formação do embrião.
A gravidez da andreense ocorreu de maneira diferente da atriz Claudia Raia. A artista engravidou durante a menopausa, enquanto Luciana não chegou a entrar no período que corresponde ao último ciclo menstrual da mulher. Segundo afirmou Claudia Raia, ela passou uma por uma FIV (fertilização in vitro) que não deu certo e depois sua médica informou que ela tinha voltado a ovular caso considerado extremamente raro e possui 1% de chance de acontecer, conforme destaca o ginecologista e professor de ginecologia da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), Mauricio Abrão.
"A faixa etária em que é provável que uma mulher engravide naturalmente é dos 18 aos 35 anos, após essa idade as chances caem muito. Porém, hoje a saúde das mulheres com 50 anos ou mais é muito melhor do que há 30 anos, então se elas se cuidaram e manterem hábitos saudáveis, como alimentação adequada e prática de atividade física, terão mais chances de sucesso na concepção e evolução da gravidez", explica o docente.
A ginecologista e obstetra Mariana Rosario destaca que a possibilidade de engravidar naturalmente acima dos 50 anos pode ocorrer durante o climatério, período de transição em que a mulher passa da fase reprodutiva para a fase de pós-menopausa.
"Existe uma falha de dois a três meses até a última menstruação, período que é chamado de climatério, onde muitas mulheres acabam engravidando porque ainda possuem óvulos disponíveis para fecundação. Se você entrou na menopausa é porque seus óvulos acabaram", pontua a médica.
OUTROS MÉTODOS
Além da concepção natural, o ginecologista Mauricio Abrão reforça a utilização de outros métodos para gestação em mulheres acima dos 35 anos.
"A paciente pode recorrer à estimulação de óvulos, coito programado, reprodução humana assistida para a realização de uma FIV, inseminação intrauterina e até mesmo o uso de óvulos doados por uma mulher mais jovem. A gestação tardia também precisa levar em consideração a saúde da paciente e os principais riscos que podem ocorrer com a mulher durante a gravidez, como sangramentos, diabetes gestacional, eclâmpsia (hipertensão arterial na gestação) e até mesmo abortos espontâneos", finaliza o médico.

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.