Política Titulo Rodrigo Garcia
‘Quem fala em parar o BRT desrespeita o Grande ABC’

Investir em mobilidade urbana é pensar na qualidade de vida da população. A avaliação é do governador Rodrigo Garcia (PSDB), candidato à reeleição e que ontem realizou extensa agenda de campanha no Grande ABC.

Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC
01/09/2022 | 08:04
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André Henriques/DGABC


Um dos temas mais sensíveis do Grande ABC é a questão da mobilidade. E seu plano de governo é o único, entre os três principais candidatos, que cita o Metrô na região. O quanto esse tema está presente na sua gestão e em um possível segundo mandato?

Hoje temos em obras 35 quilômetros de Metrô e trens na Capital. Isso vai fazer com a gente entregue, nos próximos quatro anos, 35 quilômetros e 26 novas estações. Ao lado disso, estamos em obras com o BRT-ABC, que vai ser um importante modal de ligação da região com a Capital. Estamos finalizando as licenças ambientais e até o fim de 2023 o BRT será uma realidade. Além disso, vamos revitalizar todo o corredor de ônibus Diadema-Brooklin. As obras já começaram. E vamos ter, em curto prazo, uma nova realidade na ligação com a Capital, a melhoria de um serviço bem avaliado, que é o Corredor ABD. Temos de olhar para o futuro, mas agindo no presente. Por isso que já contratamos o projeto funcional da Linha 20-Rosa, que vai ser o Metrô chegando à região, ligando com o bairro da Lapa. Provavelmente vamos caminhar para uma PPP (Parceria Público-Privada). Quando a gente fala de mobilidade urbana, a gente está falando em melhoria de qualidade de vida. Menos tempo no transporte coletivo é mais tempo para a gente, com a família.

Quais os próximos passos à implementação da Linha 20?

O projeto executivo é feito durante a obra. O que contratamos é um projeto funcional, que passa por um projeto básico no primeiro semestre do ano que vem, para aí sim ficar pronto para contratação de obra. Nossa expectativa é que ao longo de 2024 a gente tenha condição de licitar a Linha 20. Estamos contratando neste ano uma consultoria financeira para mostrar qual o caminho que vamos adotar. Sendo viável, vamos buscar financiamentos nacional e internacional, mais o dinheiro do Estado e do parceiro privado.

Um de seus adversários, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), tem dito em paralisar imediatamente algumas obras, caso vença. Uma delas seria o BRT-ABC. Como o sr. enxerga isso?

Uma falta de respeito com as pessoas e uma falta de conhecimento da realidade do Grande ABC. Esse adversário que quer paralisar o BRT-ABC é do mesmo partido que deixou projeto contratado sem nenhum dinheiro para viabilizar esse projeto. E nunca foi Metrô, era monotrilho. São modalidades diferentes. Nós optamos por fazer algo mais rápido, que cabia dentro do orçamento do Estado e o BRT está aí e vai ser usado pela população. E, em paralelo, contratamos projeto de uma linha de Metrô. Então, fala isso quem não conhece a realidade, a urgência das pessoas em ter um modal mobilidade melhor, como vai ser o BRT-ABC.

Outro pleito antigo dos prefeitos da região sempre foi em relação à revitalização da Avenida dos Estados. Recentemente, o sr. assinou parceria de R$ 32 milhões para obras no trecho entre Santo André e Mauá. Como sua gestão enxerga a necessidade desse apoio?

Não só prestigiar a região, mas também valorizar o que os prefeitos têm feito. Paulo Serra (PSDB) fez importante intervenção, e quando mostrou o que estava fazendo com orçamento próprio e nos trouxe essa demanda, nós não titubeamos e liberamos os recursos para ele dar continuidade e revitalizar completamente a Avenida dos Estados, que é importante ligação com a Capital.

O sr. tem vindo com alguma frequência na região e trazido novidades em relação a obras. Como o Estado enxerga a importância do Grande ABC?

O governador precisa interpretar os desafios de seu tempo. Depois da pandemia, estamos vivendo uma reorganização das cadeias produtivas no mundo inteiro. E São Paulo e o Grande ABC podem se beneficiar disso. A região tem vantagem competitiva brutal pela qualificação de mão de obra, pela natureza da industrialização que começou por aqui, principalmente na indústria automobilística. Eu vejo grandes potenciais de geração de renda e o Estado precisa ajudar, desde o emprego de alta tecnologia gerada pelas indústrias 4.0, com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), fazendo essa grande qualificação, somada à nossa ação de transformar as escolas de ensino médio integrado ao ensino técnico, levando o padrão das Etecs para o ensino médio regular. Vamos chamar a iniciativa privada para que o Estado possa comprar vagas e oferecer gratuitamente para jovens de São Paulo, além de fomentar a economia criativa, que será grande geradora de emprego nos próximos anos.

Nesse sentido, o Estado vai investir em parques tecnológicos, como o de Santo André?

Sem dúvida. Começando por centros de inovação e startups, que geram muito emprego. O Estado vai buscar dinheiro da Avenida Faria Lima (um dos principais corredores financeiros do Brasil) para investimento em tecnologia em São Paulo. Precisamos ter investimentos desses fundos, com análise da Fapesp.

Além do futuro, olhar para demandas urgentes, como área social, é outro foco de sua gestão?

O governo está aqui para resolver o problema das pessoas, ajudar quem está precisando e dar oportunidade para quem está procurando. Todas as ações de prefeituras e Estado estão voltadas à ampliação de programas sociais, desde os que o Fundo Social coordena, até fazendo parcerias como com Santo André, buscando boas práticas. Hoje temos Vale-gás, o Bolsa-trabalho chega para mais de 100 mil pessoas, hoje temos Bom Prato móvel e vamos criar o cartão Bom Prato. Nosso compromisso é de ninguém passar fome em São Paulo. Além disso, vamos fazer, a partir de janeiro, se estivermos aqui, devolução do ICMS pago pela população pobre.

Como fazer com a que a polarização, que hoje está posta na esfera federal, não se reflita na eleição para o governo de São Paulo?

Meu esforço é mostrar que sou um governador que não estou aqui para dar palanque a nenhum candidato a presidente. Não estou aqui para defender meu partido ou coligação e sim defender São Paulo. Sou um candidato independente, que quero o Estado seguindo o rumo para frente. Não sou contra ideologia, mas não a coloco acima dos problemas reais. A população vai entender importância de ter um governador do mundo real, mudar o que precisa ser alterado. Mas com quem conhece, que vive o Estado. Ninguém consegue amar o que não conhece. E meus adversários não sabem interpretar de maneira correta, um porque viveu em São Paulo mas no mundo da Lua e outro porque não conhece São Paulo. As pessoas vão comparar e vão nos dar a vitória.

Para muita gente, o Grande ABC, que tem mais de 3 milhões de habitantes e 2,1 milhões de eleitores, tem representatividade baixa na Câmara e na Assembleia. Como o sr. enxerga a importância de ter representantes?

É fundamental, porque os deputados estadual e federal são a porta de entrada de uma região. Por isso é importante votar em quem a gente conhece. Em 2018, tivemos uma ventania no Estado, com deputados eleitos sem nenhum compromisso com as cidades. Essa representação tem que ser exercida por quem conhece a região. Espero que o eleitor vote maciçamente nos candidatos do Grande ABC, porque quem vai ganhar com isso é a população. 




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