VIVIA JANDO Tenho observando uma quantidade alarmante de assaltos e sequestros-relâmpagos ocorrendo em shoppings centers e nos seus estacionamentos ultimamente.
Usando da técnica de invadir as famosas ilhas de segurança, principalmente aos fins de semana, quando estes locais se tornam praias para a população urbana, fazendo com que, nos corredores lotados de clientes e com uma segurança minimalista, em efetivos de guardiões, bandidos encontrem o ambiente perfeito para agir e atacar. Os famosos paraísos de compras estão cada vez mais infernais, inseguros e preocupantes.
Para quem não tem informações, saiba que o custo de se instalar em shoppings para os empresários sempre fora um grande desafio. As locações têm o valor de metro quadrado abusivamente custosa – aqui se faz um parênteses, sobre a prestação de contas que estes shoppings se recusam a fazer aos locatários relacionada às abusivas cotas condominiais, e que pela lei, seria obrigatória.
Lojas com espaços minúsculos de 12 metros quadrados custam em vários casos valores mensais equiparados a um apartamento de três dormitórios em uma área nobre. Em síntese, a locação absurdamente custosa, que se vangloria por oferecer qualidade, variedade de produtos e serviços e principalmente segurança, não tem cumprido seu papel no contrato entre as partes.
As agências de viagens que ainda permanecem nestes ambientes de shoppings centers são efetivamente os que mais estão sofrendo, pois, como sabemos, todos os mercados estão voltando com força total: alimentos, vestuários, eventos... Enfim todos os que compõem o mix de um shopping. Contudo, o turismo ainda não alcançou os números de vendas que sustentem uma operação nestes pontos e deste porte.
Como se não bastasse a insegurança dos shoppings estar afastando os clientes, a internet, que já foi um ambiente complicado, se torna a cada dia mais segura e eficiente, e tem sido uma pedra no sapato das agências físicas. Os clientes já não sentem tanto receio de comprar pela rede, aprenderam muito no isolamento social a lidar com aquisições on-line, demonstrando assim se sentirem mais seguros em ambientes virtuais do que físicos, principalmente se este ambiente físico estiver próximo a uma joalheria.
Com o custo de operação virtual infinitamente menor que o físico, além da segurança e do conforto, ainda tem o valor final ao cliente. Os sites praticam valores muito menores do que os das agências físicas.
Em resumo, como se não bastasse o desafio do recomeço, o dólar que segue acima dos R$ 5, o visto americano com prazo de entrevista para mais de um ano, as eleições para presidente e governadores, a Copa do Mundo que praticamente terminará ao som de Jingle Bells, festividades de Natal e Réveillon, os preços da internet arrancando clientes das mesas dos agentes, agora ainda temos os shoppings fazendo parte das matérias policiais diárias.
O quê mais surgirá na sofrida vida do agente de viagens? Dias duros e lastimáveis.
Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.
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