Esportes Titulo Dia 21 de agosto

Ex-goleiro Aranha realiza jogo beneficente no Baetão

Partida tem intuito de trazer à tona discussão sobre o tráfico humano dentro do esporte

Heitor Agrício
Especial para o Diário do Grande ABC
01/07/2022 | 08:46
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Claudinei Plaza/DGABC
Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O ex-goleiro Aranha, com passagens no futebol por Ponte Preta, Atlético Mineiro, Palmeiras e principalmente Santos, será um dos nomes do meio esportivo em jogo beneficente em São Bernardo, evento que tem intuito de levantar a discussão sobre o tráfico humano dentro do esporte. A partida contará também com a presença do rapper Dexter, dos músicos Mc Lon, Livinho e Pinha Presidente, ex-Exaltasamba, além dos ex-jogadores Pavão, ex-lateral-direito do São Paulo nos anos 90, Whelliton Silva, ex-Santos, e Betinho, treinador do Instituto Neymar como técnico de uma das equipes.

O duelo será realizado no Estádio Municipal Giglio Portugal Pichinin, popularmente conhecido como Baetão, dia 21 de agosto, e é parceria com a Turma do Campana City, ONG esportiva responsável por realizar projetos sociais e jogos beneficentes. Junto haverá o lançamento do projeto #EsporteSemTráficoHumano, idealizado pelo advogado Victor Del Vecchio e Swany Zenobini, ativista da luta contra o tráfico humano.

Por se tratar de evento beneficente, o ingresso à partida tanto de torcedores quanto apoiadores será a doação de alimentos não perecíveis, kit higiene e absorventes, que serão destinados ao auxílio na luta contra a pobreza menstrual. Os itens arrecadados serão distribuídos para fundos sociais de municípios da região.

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Nascido Mário Lúcio Duarte Costa, mas apelidado por antigo treinador na época de escolinha de futebol em referência ao lendário arqueiro soviético Lev Yashin – o Aranha Negra, alcunha por causa das roupas pretas que utilizava nos jogos –, Aranha formou-se na Ponte Preta, de Campinas, e, depois, por clube tradicionais do cenário nacional. Para ele, que diz participar de vários eventos do gênero por ano, o que ocorrerá em São Bernardo tem significado especial. “Esse vem com caráter de chamar atenção para problema grande que acontece no nosso País, que é realidade, mas que poucas pessoas abrem os olhos para isso”, alerta.

O ex-goleiro compartilha também como o aprendizado elucidou sua visão do tópico dentro do esporte. “Eu no futebol tenho várias experiências que antes eu não enxergava como tráfico humano e hoje eu vejo dessa forma porque a gente vai aprendendo”, revela.

Militante da causa, o ex-goleiro também relembra episódio no dia 24 de agosto de 2014 no qual, em partida do Santos, clube que defendia na época, contra o Grêmio, foi vítima de racismo da torcida do clube gaúcho. “Já estou nessa militância desde os 14 anos. Sempre participei de reuniões, palestras, eventos, porém, por ser jogador, não tinha espaço para falar de outra coisa que não fosse futebol. A partir de 2014 foi a primeira vez que os microfones vieram para mim com perguntas diferentes e aí consegui expor toda uma vida que eu tinha para trás. Aquele episódio foi muito importante porque, a partir daquele momento, as pessoas decidiram que não iam mais se calar.”

Swany salienta a importância de trazer a discussão do tráfico humano dentro e fora do esporte e afirma que jogo com personalidades como o ex-jogador e o rapper irá amplificar o discurso para quantidade maior de pessoas. “A gente entende que fazendo futebol solidário a gente alcança pessoas que não alcançaríamos se fizéssemos de outras formas. Seria público mais limitado”, destaca a ativista.

À LITERATURA

Aranha, além de ex-jogador, é também ativista do movimento negro e escritor. Com o lançamento do livro Brasil Tumbeiro em 2021, Mário Aranha, como assina suas obras, deu início à sua carreira na literatura falando sobre a história dos afrodescendentes no Brasil. Segundo ele, visa conscientizar principalmente os jovens a respeito da identidade racial. “Eu sabia que minhas entrevistas, documentários e tudo que fazia tinha valor e alcance, mas queria concretizar e resolvi fazer isso por meio do livro!, encerra. Mário Aranha inclusive planeja o lançamento de sua próxima obra, José do Patrocínio, na próxima Bienal.  




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