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‘É muito mais fácil o homem ter disfunção erétil do que infarto’

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

09/05/2022 | 07:00


Ter um problema de disfunção erétil é muito mais frequente do que um ataque do coração. A explicação é simples: enquanto que a artéria coronária tem 3 milímetros de diâmetro, a peniana tem 1 milímetro, o que significa menor passagem de sangue. Quadros como diabetes e hipertensão potencializam o problema. E como as artérias são músculos, um dos caminhos para aumentar o fluxo é desenvolver esse músculo por meio de terapias de ondas, como uma espécie de academia. A técnica é usada pelo urologista Emílio Sebe Filho, fundador da Lifemen e um dos maiores especialistas em saúde sexual masculina do Brasil. O equipamento acaba de chegar em Santo André.

O sr. é um médico experiente com muitos anos de carreira. Como entrou no atendimento à saúde sexual masculina?
Sou médico há 50 anos e há cerca de 20 anos cuido da parte sexual masculina. Trabalho no Sírio-Libanês como urologista há 40 anos. Como pode um médico de tanta idade se voltar para a parte sexual, depois de realizar cirurgias de próstata, rim, bexiga? Tem um detalhe importante. A razão é que sou diabético e insulinodependente há 47 anos. Tenho 79 anos. Todo diabético perde sua capacidade de ereção e isso também aconteceu comigo. E em uma época que eu era mais jovem. Na ocasião, ninguém tinha condições de me ajudar porque não sabia mexer nesta área. E eu, desesperado, ansioso e um pouco depressivo, fui tentar encontrar alternativas e estudar muito. Eu fui aprimorando os conhecimentos e comecei a dominar a área. Eu tinha que sair desse fosso que tinha entrado. Foi quando eu comecei a experimentar no meu corpo produtos que eu importei. Muitos dos meus colegas na época me criticaram, mas tinha que fazer algo. Eu fui aprimorando o conhecimento nas tentativas até a hora que encontrei a solução. E fiquei muito feliz. Comecei a conversar com pacientes da minha clínica e nenhum deles que eram diabéticos admitia que tinha perdido a ereção. Até que comecei a receber telefonemas de familiares de meus pacientes. Das mulheres. Foi bem assim. Elas diziam que os maridos tinham diabetes e não tinham ereção. Foi um caso, depois outro e outro. E cheguei à conclusão que era uma área de fundamental importância não só para mim, mas para muitos homens. No meu consultório começou a crescer o espaço para pessoas com disfunção. Até um dia em que cheguei a conclusão que seria prudente abrir uma clínica apenas para cuidar disso.

Foi aí que surgiu a clínica Lifemen?
Sim, há 18 anos. Antes fiquei por pouco tempo na Boston Medical Group ensinando os profissionais. Fui crescendo aos poucos e hoje a Lifemen é uma empresa que visa o melhor atendimento médico para o paciente, focado em disfunção erétil. Esse é um problema que acompanha a vida do homem. Em algum momento da vida, o homem vai ter. E se tiver patologias como diabetes, hipertensão, é certeza que sofrerá desse problema, já que os medicamentos da hipertensão levam à disfunção. E o diabetes, por si só, já leva a esse problema, porque ele inflama a parede interna do encanamento do nosso corpo, as artérias. E inflama provocando aderência das gorduras do sangue. Formando as placas de gordura, vai diminuindo a passagem de sangue. O diabetes inicia, em muitos pacientes, aos 18 anos. Isso provoca disfunção aos 30 anos ou antes. E nosso trabalho na clínica é melhorar o fluxo de sangue. E melhorando esse fluxo, a ereção melhora.

Como é esse fluxo?
O sangue corre nosso corpo todo bombeado pelo coração 80 vezes por minuto, por meio das artérias. A aorta tem 12 milímetros e o primeiro ramo é a coronária, que vai regar o próprio coração. As coronárias têm 3 milímetros de diâmetro. As carótidas têm 7 milímetros. A artéria peniana tem 1 milímetro de diâmetro. Esse é o problema. A gente não escuta alguém falar de problema de ereção mas escuta toda hora paciente falar de dor no peito. Mas a chance é muito maior de um problema de disfunção erétil do que infarto. Isso é muito mais frequente. É que os bloqueios psicológicos levam o homem a esconder o problema.

O sr. percebe isso no consultório médico?
Às vezes recebo paciente que teve um AVC (acidente vascular cerebral) e diz que a ereção dele é normal. Ou que teve infarto, ponte de safena, e fala que não tem disfunção. Não há como. A incidência de gordura no sangue é o mesmo. Como entope uma artéria de 3 e 7 milímetros e não entope a de 1 milímetro? Não dá para acreditar. Examino e vejo que o homem está escondendo o problema.

Quais são os tratamentos?
Antigamente a gente usava muita injeção no pênis. Só tinha essa alternativa para abrir a artéria. São vasodilatadores para abrir a parede da artéria, que é um músculo. E age nesse músculo para abrir e passar mais sangue. Depois fomos evoluindo e hoje é muito usado o spray sublingual. É de grande efeito porque absorve 92%, enquanto que um comprimido comum que a gente toma absorve 39%. Eu desenvolvi esse produto há 18 anos. O sublingual já era usado há muito tempo pelos cardiologistas e clínicos e eu, visualizando isso nos pronto-socorros por onde trabalhei, entendi que precisaria evoluir também para a urologia.

Os insumos desses medicamentos são importados?
Tudo importado. No Brasil, não se produz nada porque não há química fina no País até hoje. Nem aspirina é fabricada por aqui. Há nos rótulos ''''fabricado no Brasil'''', mas não é. São embalados no Brasil, porque não há indústria desse tipo aqui, infelizmente.

O sr. tem idéia de quantos pacientes já atendeu e solucionou problemas de disfunção erétil?

Nesses 18 anos, eu atendi mais de 48 mil pacientes. Falando só do meu atendimento. É um trabalho intensivo, de segunda a sábado. É impressionante a quantidade de pessoas que me procuram.

Como está a Lifemen?
Em dado momento eu me entusiasmei demais e comecei a abrir clínicas pelo Brasil a medida que sentia necessidade. E naquele desejo de levar a Lifemen para muitos lugares abri em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Fortaleza, Curitiba, Santo André e Guarulhos. Hoje não tenho mais em Guarulhos e Campinas. A única franquia era a do Grande ABC mas que voltou a ser própria. Hoje o conceito é ter menos mas poder atender bem. E dar a cada paciente o melhor atendimento.

Além dos injetáveis e do spray, que outras soluções há como tratamento?

Tenho também as máquinas de terapia de ondas, que é uma grande solução. A terapia de ondas, tratamento que começou a ser adotado na unidade de Santo André, é uma espécie de academia para o pênis. Uma academia para o corpo melhora a estrutura muscular. E isso é feito por meio de microlesões na fibra muscular, que leva ao crescimento no comprimento e no diâmetro. Israel, que é um país de alta tecnologia, pegou o que uma academia faz no físico e estudou para ver o que acontecia. Se o exercício provoca microlesão, e todas nossas artérias são encanamentos de músculos, a do pênis também é. E decidiram estudar uma forma de melhorar a musculatura das artérias do pênis, que são duas principais, para resolver o problema do homem. Os israelenses então estudaram por cinco anos e há cerca de seis anos chegaram nas máquinas de terapias de ondas. E eu trouxe para o Brasil. As ondas vão atingir o pênis na parte interna, externa e no início. Varia de cada um o número de sessões, mas vou ampliando de acordo com a necessidade. Eu peço um ecodoppler (tipo de ultrassom que verifica o fluxo de sangue nas artérias) antes do início do tratamento e depois de 40 ou 50 dias repito o exame. Faço de novo com três meses até que o paciente esteja realizado.

Hoje está diminuindo a resistência na procura por atendimento?

Acho que esse tabu está sendo quebrado pelo aumento das informações disponíveis. E isso tem funcionado. A maioria dos homens tem procurado. E todas as faixas etárias estão na clínica hoje, desde o jovem, passando por mediana idade até o mais velho. O idoso procura porque realmente tem que melhorar e o mais jovem, porque é mais esclarecido psicologicamente. Mas ele sente necessidade de solucionar um problema aos 30, 40 anos. Ele vai à clínica mesmo. Hoje mudou muito a visão das pessoas. Antigamente um jovem jamais iria sequer admitir a disfunção. Hoje ele procura atendimento. E eram salinhas fechadas na clínica. Hoje não. Somente na clínica de São Paulo faço 40 terapias de ondas por dia. E quero que a unidade de Santo André também seja uma referência neste tipo de tratamento.

Isso tem a ver também com outro tabu, que é o exame de próstata?
Ainda há paciente que não quer fazer o exame e, como urologista, explico a necessidade de fazer com mais de 45 anos. Só o exame de sangue não basta. Sou muito chato com meus pacientes e conto que 8% dos homens acima de 45 anos têm câncer na próstata, não sabem e recebem o diagnóstico tardio. Nenhum exame de próstata é 100% eficaz e por isso é necessário um conjunto de exames, como PSA, ultrassom e toque. Quando o paciente não quer, eu até digo para ele procurar outra clínica. É necessário fazer o exame de toque. Toco em 90% da próstata e 92% dos tumores estão nessa área. E quando eu explico, as pessoas entendem.

Qual a participação da mulher nesse processo?
A mulher é um fator positivo e preponderante no tratamento do homem. Ela empurra o companheiro a procurar solução e aquele que não atende acaba separando. Uma boa parte das separações tem a ver com problema sexual. Isso não é bobagem. Assim como quando o homem tem ejaculação precoce. Nesse caso, os dois ficam insatisfeitos e sofrem. Mexe com autoestima e causa ansiedade. É fundamental o apoio da companheira, porque serve como uma alavanca. Isso também afeta a questão da libido, que tem a ver com ereção fraca. Só 10% desses casos há falta de hormônio. O resto é ligado a disfunção erétil.

RAIO X

Nome: Emílio Sebe Filho
Idade: 79 anos
Local de nascimento: Piracicaba (SP) e hoje mora na Capital
Formação: Medicina pela Faculdade Lusíada, em Santos, com especialização pela Escola Paulista de Medicina
Local predileto: Cidade de São Paulo
Livro que recomenda: A revolta de Atlas, de Ayn Rand
Personalidade que marcou sua vida: Laudo Natel
Profissão: Médico urologista
Onde trabalha: Lifemen
 



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