Economia Titulo Alta
Cesta básica chega a R$ 1.090 e atinge 90% do salário mínimo

Grupo de 34 itens necessários para uma família de quatro pessoas subiu 8,16% em comparação a fevereiro; tomate, frango e ovos elevaram preços

Por Beatriz Mirelle
Especial para o Diário
11/04/2022 | 00:01
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Celso Luiz/DGABC


O valor da cesta básica em março foi de R$ 1.090,53 no Grande ABC, o que corresponde a 90% do valor do salário mínimo (R$ 1.212). A alta foi de 8,16%, somando R$ 82,31 a mais na comparação com fevereiro. Esse levantamento da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) considera os preços de 34 produtos de necessidade básica para o consumo de uma família com quatro pessoas, dois adultos e duas crianças. O total atingiu quatro dígitos pela primeira vez em janeiro.

O tomate foi o primeiro na lista de aumentos, com salto de 50% no valor. Para economizar, muitos consumidores optam por substituir os produtos durante as compras. Ao invés de escolher a carne bovina, por exemplo, frango e ovos eram opções mais viáveis. Agora, esses dois alimentos também apresentaram acréscimos, de, respectivamente, 36,88% e 26,80%.

“Quando aumenta a demanda por alternativas mais baratas, essa é a consequência. Além disso, o custo de produção subiu por causa dos combustíveis”, pontua Fábio Vezzá De Benedetto, engenheiro agrônomo responsável pela pesquisa da Craisa. Para ele, uma boa alternativa no momento é a carne suína.

No caso do tomate, o especialista afirma que as condições climáticas são determinantes. “Um período de chuva ou com temperaturas mais frias na região produtora já prejudica as vendas.”

A aposentada Aparecida Flamino, 65 anos, comenta que compara valores ao realizar qualquer compra. “Se o pé de escarola está R$ 10 e o de alface também, eu escolho o de escarola porque rende mais. Mesmo sem mudar a quantidade que consumo, minhas despesas de mercado aumentaram em 30%”, observa a moradora da Vila Junqueira, em Santo André. 

A dona de casa Marlene Conceição, 68, mora com o marido e o filho na Vila Marina, em Santo André, e vai ao mercado uma vez por semana. “Eu gastava de R$ 110 a R$ 120. Agora, comprando as mesmas coisas, eu pago em torno de R$ 180 a R$ 200.” Outras despesas também pesaram no orçamento dela, ainda mais com o reajuste no valor do gás de cozinha. “Eu cozinho uma vez por dia. A gente usa mais o micro-ondas para poupar, mas não adiantou porque a conta de energia elétrica subiu”, afirma.

Não foram só os alimentos que tiveram altas significativas. O sabonete (22,87%) e sabão em barra (20,57%) ficaram entre os produtos mais caros de março. “Geralmente, demoram para fazer ajustes. Em ambos, a indústria segura para repassar tudo de uma vez.” Segundo De Benedetto, os encarecimentos se dão por uma soma de fatores. “Esses números se justificam porque a pandemia se junta à guerra (na Ucrânia), mudanças climáticas e oscilações do dólar.” 

Em contrapartida, a cebola, banana, batata e laranja tiveram retrações. “A tendência é que as frutas cítricas, como caqui e tanjerina, fiquem mais em conta, porque a procura cai no outono”, aponta.




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