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García assume presidência do Peru pela segunda vez

Da AFP
28/07/2006 | 17:30
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O social-democrata Alan García prestou juramento nesta sexta-feira como novo presidente do Peru, voltando ao poder depois de duas décadas, diante do desafio de apagar a imagem ruim deixada por seu primeiro governo e com a pressa de encontrar soluções em um país onde metade da população vive na pobreza.

Ao iniciar seu governo de cinco anos, García, de 57 anos, prestou juramento pouco antes do meio-dia, diante da presidente do Congresso, Mercedes Cabanillas, e na presença de nove presidentes latino-americanos, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva, e de delegações de Estados Unidos, Europa e Ásia.

Após o juramento, García, líder da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), partido mais antigo do Peru, tornou-se o presidente de número 75 em 185 anos de história republicana, sucedendo Alejandro Toledo.

Além de Lula, assistiram à cerimônia de posse os presidentes Alvaro Uribe (Colômbia), Michelle Bachelet (Chile), Martín Torrijos (Panamá), Nicanor Duarte (Paraguai), Antonio Saca (El Salvador), Evo Morales (Bolívia), Alfredo Palacio (Equador) e Manuel Zelaya (Honduras).

Ao assumir o cargo, o novo presidente peruano pediu à América Latina para acelerar a integração, com o objetivo de enfrentar o atual esquema de globalização, que promove "a desigualdade e a exclusão social".

García convocou os governos da região a estabelecer as bases de um "consenso latino-americano", que substitua "o caduco consenso de Washington", na presença dos chefes de Estado de Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Panamá, El Salvador e Honduras.

O novo presidente culpou implicitamente o atual modelo de globalização de ter feito aumentar a desigualdade social no Peru, onde a pobreza atinge quase metade da população (27 milhões).

"Precisamos de um Estado que avance no emprego e na Justiça, e que garanta a participação cidadã sem exclusões: esse deve ser o novo consenso latino-americano, pela união e justiça social. Um Estado representativo do povo é a resposta para a globalização", afirmou, após assinalar que o principal objetivo de seu governo será "ajudar os 13 milhões de peruanos pobres que não têm nada".

Dessa forma, García busca apagar a imagem de seu primeiro governo (1985-1990), concluído em meio a uma grave crise econômica, com uma hiperinflação de 7.600% ao ano, um país repudiado pela comunidade financeira internacional e com a guerrilha maoísta Sendero Luminoso no auge.

Como sinal de abertura, o novo presidente designou na véspera um gabinete em que apenas seis dos 15 ministros pertencem ao partido governante, Apra. Em política externa, García priorizou a formação de um eixo de integração econômica com Brasil e Chile, traçando o objetivo de um retorno chileno à CAN (Comunidade Andina de Nações).

Em nível interno, o novo gabinete ministerial foi classificado como de orientação conservadora, pela presença de pessoas ligadas aos setores empresariais e à direita. Segundo os analistas Carlos Reyna e Eduardo Toche, García não enfrentará uma oposição em curto prazo, porque a direita se sente cômoda e representada no gabinete, enquanto o nacionalismo de esquerda representado pelo ex-candidato Ollanta Humala praticamente desapareceu politicamente.

García recebeu de Toledo um país com estabilidade macroeconômica e crescimento sustentado anual de 5%, cifra que não conteve a pobreza e os protestos sociais, recorrentes nos últimos cinco anos.



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