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Caso da Volks na ditadura inspira ex-operários da GM

 Reinaldo Martins/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-funcionários em S.José dos Campos querem reparações por perseguições


Júnior Carvalho
do Diário do Grande ABC

24/10/2021 | 00:01


Ex-operários da planta da GM (General Motors) em São José dos Campos, na região do Vale do Paraíba, se mobilizam para conquistar reparações da montadora por perseguições políticas aos metalúrgicos durante a transição entre a ditadura militar (1964-1985) e a redemocratização do País. O movimento foi inspirado na luta dos ex-funcionários da Volkswagen de São Bernardo, que após anos de pressão foram ressarcidos por violações aos direitos humanos e viram a montadora alemã assumir que contribuiu com o regime militar.

No ano passado, a multinacional se comprometeu a destinar cerca de R$ 40 milhões a indenizações individuais e a iniciativas de promoção dos direitos humanos.

A busca por reparações da GM envolve cerca de 60 ex-trabalhadores da planta da montadora de São José, mas acredita-se que o caso também tenha afetado empregados da fábrica em São Caetano. A luta gira em torno da histórica greve nas duas plantas da empresa em 1985. Naquele ano, centenas de trabalhadores da empresa cruzaram os braços durante aproximadamente um mês na busca por melhorias salariais e pela redução da jornada de trabalho. Posteriormente, foram demitidos por justa causa e alguns chegaram a ser processados criminalmente pelo Estado. O episódio foi marcado pela ocupação dos operários às dependências das fábricas – ficaram acampados e recebiam até visita de familiares nos portões da fábrica – e pela repressão policial.

Estima-se que 500 ex-funcionários da GM em São José dos Campos, entre dirigentes sindicais, integrantes de comissão de fábrica e outros ativistas foram dispensados sem direitos após o motim. “Aconteceu a mesma coisa que ocorreu na Volks. (A GM) Repassava todas as informações (sobre a atuação sindical dos trabalhadores) à ditadura. Eles fizeram uma ‘lista negra’ e alguns desses companheiros não conseguiram mais arrumar emprego”, relata João Batista da Cunha, o Alemão, 57 anos, ex-operador de usinagem da montadora.

A comissão da verdade montada na Assembleia Legislativa de São Paulo há seis anos concluiu que a colaboração da GM ao governo militar foi materializada, por exemplo, no repasse de informações sobre seus funcionários a órgãos de repressão e até no fornecimento de seus veículos, como a Chevrolet Veraneio, às polícias do regime militar.

Alemão afirma que “não tem conhecimento” de casos de agressões físicas ou torturas na GM, como há no caso da Volks de São Bernardo, mas sustenta que os anos pós-greve foram de perseguição, intimidação aos trabalhadores e violações a direitos trabalhistas. “Assim que acabou a greve, a GM contratou uma academia de lutadores (para atuarem dentro da fábrica). Na verdade, colocaram uma milícia armada dentro da GM na linha de produção. Ninguém mais conseguia articular dentro da fábrica porque eram ameaçados”, conta.

Em 2017, o Diário mostrou o caso de Lucio Bellentani, então com 73 anos, que relatou ter sofrido torturas por policiais do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) dentro do departamento pessoal da planta da Volks em São Bernardo. Ele fazia parte do grupo de operários da montadora que travaram anos de luta na busca por reparação, mas morreu em 2019, um ano antes de a Volks anunciar o pagamento de indenizações.

“Nós vamos fazer uma parceria para ajudá-los nessa luta. Não queremos que eles esperem sete anos, como nós (para conquistar as reparações). Afinal, o tempo passa e a cada ano morre um ou dois companheiros”, frisou Tarcísio Tadeu, 67, um dos líderes do movimento no Grande ABC que forçou a Volks a reconhecer que ajudou a ditadura.

Questionada pelo Diário sobre os fatos, a GM não se manifestou.  



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