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Empreendedores iniciam negócios e crescem na crise

Celso Luiz/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Oferta de serviços diferenciados faz com que empresas ganhem fôlego durante a pandemia de coronavírus


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

20/06/2021 | 00:30


A pandemia começou em março de 2020 e, com ela, série de desafios para os empresários de todo País – e do mundo. Entre altos e baixos, abre e fecha do comércio, se destacaram os empreendedores que ofereceram serviços diferenciados na região onde atuam. Alguns viram oportunidade para abrir um negócio e outros, ampliaram as vendas e a gama de ferramentas ofertadas para sobreviver a este período.

Morador do bairro Centreville, em Santo André, William Lacerda Croque viu os negócios de seu escritório contábil mudarem quando a crise sanitária começou. “Tenho muitos clientes pequenos, principalmente bares e restaurantes, que estavam barganhando os honorários porque as coisas ficaram difíceis para este ramo. Tentei ver outra forma de sustentar minha família, pois tenho dois filhos pequenos. Meu maior medo era ficar sem ter nada para trazer para casa”, contou. Foi então que ele decidiu abrir uma hamburgueria na garagem de sua casa, em junho do ano passado.

“Eu já gostava muito de hamburguerias da Grande São Paulo, e via uma qualidade que eu não encontrava nos bairros de Santo André. Fui conhecendo pessoas e tendo contato com fornecedores de produtos premium. Foi onde eu tive a ideia de trazer este tipo de produto para um bairro onde a maioria dos moradores é de classe baixa”, explicou Croque. Para viabilizar o negócio da By Burger, ele investiu aproximadamente R$ 8.000 e contou com a ajuda da mulher, da sogra e de um primo para iniciar a produção.

Trabalhando apenas com delivery, no primeiro mês, eram vendidos em média dez lanches por dia. Croque e a família divulgavam o serviço em grupos de bairro no WhatsApp e Facebook, além de postagens no Instagram. Com o tempo, a demanda foi aumentando e, atualmente, entre 100 e 120 hambúrgueres saem da chapa diariamente. “Eu sabia que pandemia iria durar um bom tempo, não tive medo de investir porque tinha certeza de que ia dar certo e, graças a Deus, está superando minhas expectativas”, celebrou.

A demanda fez com que o empresário decidisse investir em um espaço maior e, no próximo mês, deve inaugurar uma hamburgueria com capacidade para atender 45 pessoas no bairro onde a By Burger nasceu. Para isso, investiu mais R$ 100 mil e a expectativa é aumentar a equipe, que hoje já conta com seis pessoas. “Me sinto motivado a cada dia que chego para trabalhar e vejo os clientes, que são muito carinhosos e apelidamos de fãs, participando e interagindo nas redes sociais. Tenho muita gratidão e pretendo expandir cada vez mais”, disse.

HOBBY VIROU NEGÓCIO
Empresário do ramo de TI, Ronaldo Alves Ferreira transformou o hobby em negócio no segundo semestre de 2019. Desde 2014, ele fazia cerveja artesanal para consumo próprio e vendia para alguns amigos. Porém, há quase dois anos, um de seus clientes da empresa de TI e consumidor da cerveja artesanal, Renê Eduardo Zatone, propôs que eles se juntassem para abrir um espaço para comercialização da bebida. E foi aí que tudo começou.

Inicialmente, o Empório da Cerveja Artesanal funcionava no estacionamento da comércio de troca de óleo de Zatone e de Claudio Cardoso da Silva, localizado na Vila Bastos, em Santo André. Eles serviam a cerveja de marca própria, a Buriti, que é produzida em cervejarias terceirizadas. Os negócios iam bem, mas com apenas alguns meses de existência, a crise sanitária começou. “Estávamos com uma clientela fixa e chegou a pandemia, partimos para o delivery com vendas pela internet. Vimos que era possível manter e que até tínhamos chance de crescer”, afirmou Ferreira.

Com o faturamento subindo gradativamente, os sócios decidiram ampliar o espaço de 15 metros quadrados para aproximadamente 50 metros quadrados. “Fizemos a divisão do prédio. Ficou a troca de óleo por uma entrada e a outra metade da cervejaria. Estamos reformando, montando uma cozinha para atender de forma mais completa porque atualmente, faltam opções para comer e com isso, podemos atender um público maior”, explicou Ferreira. Para viabilizar a expansão, já foram investidos mais de R$ 300 mil e pelo menos mais três funcionários serão contratados.

Além disso, objetivo é passar a produzir a cerveja Buriti, atualmente com produção de 1.000 litros por mês, no próprio estabelecimento, e disponibilizar outras opções de cervejas artesanais que fazem sucesso em todo País. “Esta loja está numa área próxima ao Centro e perto da zona dos bares, vimos que tem caminho para atender este público com cervejas artesanais que não encontramos no Grande ABC”, destacou o empresário.

Firmas ampliam atividades na região

Recentemente, outras empresas também têm anunciado investimentos na região. No início deste mês, a Thales, empresa francesa de tecnologia avançada, investiu R$ 15 milhões em sua subsidiária Omnisys, em São Bernardo, para a ampliação de 1.400 metros quadrados na unidade industrial, que agora soma 10 mil metros quadrados. A expansão permitiu a criação de um centro de serviços para aviônicos (equipamentos eletrônicos de aviões), o primeiro da América Latina.

Conforme publicado pelo Diário há uma semana, Vip Br Telecom, de Mauá, irá investir R$ 300 milhões até 2022. Incorporada pela EB Fibra em abril, objetivo é ampliar a presença na Região Metropolitana de São Paulo, incluindo cidades do Grande ABC. Atualmente, a provedora independente de internet de fibra ótica atende 71 mil residências e tem como objetivo de chegar a 121 mil até o fim deste ano.

Na sexta-feira, o Diário também publicou sobre a Coop Drogaria, braço da Coop – Cooperativa de Consumo, fundada em Santo André, que está investindo R$ 12 milhões para expandir as operações em todo Estado de São Paulo. As atuais 75 unidades, sendo que 19 foram inauguradas neste ano, devem saltar para 91 até dezembro. Na região, foram cinco aberturas e mais uma está prevista para agosto, na Rua Carijós, em Santo André.

Com investimento de R$ 150 mil, a Omni Banco & Financeira abriu a primeira unidade do Grande ABC, em Santo André. A expectativa é atender 700 mil pessoas ainda neste ano. Ao mesmo tempo, a rede Luminova, do grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro), planeja abertura de pelo menos cinco escolas na região até 2022. Projeto é iniciar as operações no ciclo escolar 2022/2023. Para isso, a empresa aderiu ao modelo de franquias e cada unidade demandará investimento de R$ 4,7 milhões, gerando 50 empregos diretos.

Startup dobrou total de alunos atendidos

A startup School Guardian, criada em 2013 em Santo André, dobrou o número de alunos atendidos no último ano. A plataforma de segurança e logística escolar ampliou as funcionalidades para se adaptar ao cenário das escolas durante a crise sanitária. O sistema, que oferece serviços como rastreamento do transporte escolar e gestão da entrada e saída de alunos e funcionários, passou a ajudar na identificação de estudantes e colaboradores com Covid-19 por meio de ferramenta para autodeclaração de sintomas.

“Quando começaram as conversas sobre modelos de volta às aulas presenciais, começamos a entender o que seria necessário. Fomos ouvir e ler sobre a Covid, vimos as diretrizes da OMS (Organização Mundial da Saúde), contratamos um epidemiologista e criamos a autodeclaração de sintomas, em que o algoritmo diz se a criança ou funcionário pode ir ou não para escola”, assinalou Leo Gmeiner, fundador e diretor do School Guardian. Quando os sintomas indicam a infecção pelo coronavírus, o estudante ou colaborador é impedido de acessar a plataforma por 14 dias.

Após a implementação, o número de alunos atendidos dobrou, chegando a 90 mil estudantes, sendo que aproximadamente 2.500 são usuários dos Estados Unidos, do Canadá, do Uruguai e do Paraguai. Outra funcionalidade adotada é a liberação do acesso às escolas por meio de QR Code, evitando o contato com catracas e, consequentemente, a contaminação pelo vírus. Até o fim do ano, sistema de reconhecimento facial – para identificar a pessoa que está retirando a criança – também será implantado.  



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