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Promessas marcam discurso de posse de Morales


Da AFP

23/01/2006 | 10:06


O líder "cocalero" Evo Morales, de 46 anos, tomou posse neste domingo como o primeiro presidente indígena na história da Bolívia, com a promessa de acabar com a corrupção de um país mergulhado na pobreza e de seguir fielmente o preceito de seus ancestrais de "não roubar, não mentir e não ser fraco".

Morales prestou juramento ao cargo às 14h10 (16h10 de Brasília) com o punho esquerdo em riste e a mão direita no peito, em um emocionante ato. Com lágrimas nos olhos, ele lembrou das vítimas das lutas sociais travadas por camponeses e indígenas, sobretudo nos últimos 15 anos.

"Vamos mudar a Bolívia. O sangue derramado por nossos irmãos não será em vão. Será e vai ser um governo sem mortos", garantiu o novo presidente, do alto de uma tribuna montada na Plaza de los Héroes, no centro de La Paz, na festa popular que encerrou as comemorações de posse, neste domingo à noite.

Este indígena aymara recebeu a faixa presidencial para ocupar o lugar de Eduardo Rodríguez, para um mandato de cinco anos, em um ato solene, ao qual chegou com um traje enfeitado com um motivo indígena em lhama, em vez da gravata, para alegria dos indígenas que vêem nisso um sinal sobre um futuro governo em favor dos mais necessitados.

"Estamos aqui para mudar esta injustiça, esta desigualdade", afirmou Morales, que pediu um minuto de silêncio - que foi acompanhado dos sons emanados do tradicional "pututu" (chifre de vaca) - pelos "mártires da libertação", entre os quais citou o guerrilheiro argentino-cubano Ernesto Che Guevara.

Em seu discurso de quase duas horas, com citações em quechua e aymara, referiu-se à exclusão dos indígenas de seu país. "Com orgulho, vi muitos irmãos e irmãs cantando na Plaza de Murillo (em frente ao Palácio presidencial), quando há 50 anos não tínhamos o direito de estar ali".

"Depois de 180 anos de vida republicana, só agora podemos (os indígenas) chegar aqui (ao governo)", acrescentou, comprometendo-se a fazer um governo com "zero de corrupção", no qual vai imperar a lei indígena de "não roubar, não mentir, não ser fraco".

A chegada de Morales ao poder ganhou o apoio de seus homólogos no continente. "Todos queremos ajudar Evo Morales. Ele deve nos dizer quais são suas prioridades", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em nome dos demais colegas latino-americanos.

Significativa foi a presença de Ricardo Lagos, primeiro presidente do Chile a visitar oficialmente a Bolívia no último meio século. Desde 1978, não há relações diplomáticas entre ambos os países, devido a um centenário contencioso marítimo.

Morales agradeceu à presença de Lagos. "Confiamos no povo chileno" para acabar com uma "inimizade entre vizinhos que não pode ser", falou a Lagos.

Ele também lembrou aos Estados Unidos de seu compromisso no combate ao narcotráfico, mas pediu que "a luta contra as drogas não seja uma desculpa" para sujeitar "nossos povos; queremos diálogo de verdade, sem sujeição".

"Apostamos na cocaína zero e narcotráfico zero", assegurou.

Evo Morales evocou ainda o presidente cubano, Fidel Castro, que não estava presente, chamando-o de "avô sábio".



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