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Memorial da democracia não será do PT, diz Lula

Novo cidadão paulistano, ex-presidente critica gestão Kassab

22/05/2012 | 07:31
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o terreno de 4.200 metros quadrados na região da Cracolândia, doado pela prefeitura de São Paulo na semana passada ao Instituto Lula, vai abrigar um memorial da democracia e que não será conduzido exclusivamente por integrantes do PT.

"Não será feito pelo PT, porque não queremos que o memorial seja do PT. Queremos envolver universidades brasileiras, partidos políticos, pessoas de movimento social. Tem parcela muito grande da população que foi vítima histórica deste País e nunca teve oportunidade de aparecer como autor da luta pela democracia", discursou Lula, durante evento em que recebeu título de cidadão paulistano pela Câmara de São Paulo.

A doação da área - estimada em R$ 20 milhões - causou polêmica entre os vereadores paulistanos. Muitos parlamentares reclamaram da entrega de terreno público para uma entidade privada. Na primeira discussão, o projeto de autoria do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), recebeu 37 votos a favor, dez contra e uma abstenção. Na segunda, foi aprovada por 37 votos, obteve oito contra e uma abstenção.

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Durante discurso de 29 minutos, Lula relembrou a infância em Caetés (PE), a ida para Santos, a vinda para São Paulo e a militância sindical no Grande ABC. Declarou-se metade pernambucano e metade paulistano e aproveitou para criticar a gestão de Kassab.

"São Paulo é loucura de cidade grande, mas poderosa economicamente. E é grande metrópole, com problemas. Precisa atacar os problemas graves", afirmou o ex-presidente. Antes do ingresso do ex-governador José Serra (PSDB) na corrida eleitoral da Capital, e a consequente adesão de Kassab à campanha do tucano, Lula era um dos defensores da aliança do pré-candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, com o prefeito paulistano. A articulação revoltou o diretório de São Paulo, principalmente a senadora Marta Suplicy (PT).

Marta, que esteve presente à homenagem a Lula, também não poupou a administração Kassab. "Há duas forças claras na cidade. Uma de inclusão, que foi vista no governo do PT, e outra de exclusão, que vemos há oito anos. Conseguimos montar um plano de desenvolvimento com um terço a menos do Orçamento atual. Eles (administração Kassab) conseguiram aguar todos os principais projetos da cidade. São Paulo não é qualquer cidade", atacou.

O evento na Câmara de São Paulo foi o terceiro ato público que Lula participou depois da alta médica que recebeu no tratamento contra câncer de laringe. O primeiro foi em São Bernardo, durante inauguração de CEU (Centro Educacional Unificado). O segundo, na semana passada, aconteceu em Brasília, na implementação da Comissão da Verdade.




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