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Em um ano, cesta básica sobe R$ 225,25 na região

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com isso, valor do kit de itens essenciais vai a R$ 849,01, quase 3 vezes o do auxílio emergencial


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

27/11/2020 | 00:07


É cada vez mais perceptível, nas idas ao supermercado, que a mesma quantidade de dinheiro traz um número cada vez menor de sacolas. Neste mês, o consumidor do Grande ABC tem desembolsado R$ 225,55 a mais, na comparação com novembro do ano passado, para adquirir os itens da cesta básica, que custa R$ 849,01 – quase o triplo do valor do auxílio emergencial, atualmente em R$ 300.

Isso é reflexo da alta do custo de itens essenciais, como arroz, feijão, carne bovina e frango, que pesam cada vez mais no bolso do consumidor e deixam a cesta básica 36,18% mais cara do que em 2019.

O levantamento foi feito pela Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) e considera a cotação de 34 produtos baseados no consumo de uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Considerando todo o kit, apenas três itens apresentaram redução, sendo que todos eles têm pouco impacto nas compras: o sabão em pó, que teve queda de 41,28% e custa, em média, R$ 4,34 atualmente; o papel higiênico, que está 26,41% mais barato, custando R$ 12,69; e o extrato de tomate, que sai a R$ 1,26, tem o preço 31,88% menor.

O gasto total para fazer as compras incluindo os mesmos produtos no ano passado era de R$ 623,46. E, em outubro, a cesta custava R$ 792,86. Ou seja, em um mês houve acréscimo de R$ 56,15.

A alta de 36,18% é desproporcional ao índice de inflação oficial do País, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que nos últimos 12 meses ficou em 3,92%, e considera outros segmentos além da alimentação, como vestuário, transportes, habitação e educação. É mais de nove vezes a inflação. Mesmo o aumento de 6,61% no mês ficou muito acima do índice, que em outubro variou 0,86%.

VILÕES

A maioria dos alimentos vem numa escalada crescente neste ano, principalmente por causa da desvalorização do real frente ao dólar. Um dos maiores exemplos é o arroz, que teve alta de 95,60% no período. O preço do saco de cinco quilos do insumo quase dobrou, e saltou de R$ 13,80 em novembro de 2019 para R$ 27 neste mês.

“Produtos essenciais subiram bastante. Para comprar o básico do básico está complicado”, afirmou o engenheiro agrônomo responsável pelo levantamento, Fábio Vezzá De Benedetto, ao destacar que, ao longo dos 20 anos pelos quais realiza o acompanhamento, este é o momento mais crítico de alta nos alimentos. “Com a pandemia, há uma crise econômica no mundo todo. E, em alguns setores, há desabastecimento. No caso dos alimentos, temos a tranquilidade de viver num País produtor, mas não temos como fugir do dólar alto.”

Bens como carnes, arroz, óleo de soja (alta de 120%, atualmente em R$ 7,63) e trigo (a farinha teve alta de 31,76%, hoje em R$ 5,02), são commodities, ou seja, bens classificados como matérias-primas e que têm o preço determinado pela oferta e procura internacionais. Além disso, também há interferência indireta do câmbio. Ontem, o dólar encerrou cotado a R$ 5,33.

“No caso do feijão (que subiu 41,25%), ele não é classificado como uma commodity, mas depende de adubo, que é cotado em dólar. No caso da carne bovina, a ração também”, afirmou o especialista, que acredita que o feijão pode ter seu custo reduzido nos próximos meses, por ser um item do mercado doméstico. No entanto, pondera que provavelmente este será um Natal “magro”, já que a alta do câmbio deve continuar.

SEM ALTERNATIVA

Com a disparada dos preços do arroz, feijão, macarrão e até mesmo legumes, como batata, o consumidor fica cada vez com menos alternativas para economizar, a não ser colocar mais água no feijão.

De acordo com a gestora do curso de nutrição da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marcela Previato do Nascimento Ferreira, existe uma preocupação com o acesso ao alimento das famílias mais pobres, o que pode interferir diretamente na saúde. Ela lembra que o Brasil saiu do mapa da fome da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2014. “A segurança alimentar das pessoas é atingida porque a população tem menos acesso a alimentos diversificados de maneira geral. Assim, elas tendem a ter um estado nutricional pior, com risco de desnutrição, o que é ainda mais preocupante numa pandemia”, disse Marcela. 



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Em um ano, cesta básica sobe R$ 225,25 na região

Com isso, valor do kit de itens essenciais vai a R$ 849,01, quase 3 vezes o do auxílio emergencial

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

27/11/2020 | 00:07


É cada vez mais perceptível, nas idas ao supermercado, que a mesma quantidade de dinheiro traz um número cada vez menor de sacolas. Neste mês, o consumidor do Grande ABC tem desembolsado R$ 225,55 a mais, na comparação com novembro do ano passado, para adquirir os itens da cesta básica, que custa R$ 849,01 – quase o triplo do valor do auxílio emergencial, atualmente em R$ 300.

Isso é reflexo da alta do custo de itens essenciais, como arroz, feijão, carne bovina e frango, que pesam cada vez mais no bolso do consumidor e deixam a cesta básica 36,18% mais cara do que em 2019.

O levantamento foi feito pela Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) e considera a cotação de 34 produtos baseados no consumo de uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Considerando todo o kit, apenas três itens apresentaram redução, sendo que todos eles têm pouco impacto nas compras: o sabão em pó, que teve queda de 41,28% e custa, em média, R$ 4,34 atualmente; o papel higiênico, que está 26,41% mais barato, custando R$ 12,69; e o extrato de tomate, que sai a R$ 1,26, tem o preço 31,88% menor.

O gasto total para fazer as compras incluindo os mesmos produtos no ano passado era de R$ 623,46. E, em outubro, a cesta custava R$ 792,86. Ou seja, em um mês houve acréscimo de R$ 56,15.

A alta de 36,18% é desproporcional ao índice de inflação oficial do País, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que nos últimos 12 meses ficou em 3,92%, e considera outros segmentos além da alimentação, como vestuário, transportes, habitação e educação. É mais de nove vezes a inflação. Mesmo o aumento de 6,61% no mês ficou muito acima do índice, que em outubro variou 0,86%.

VILÕES

A maioria dos alimentos vem numa escalada crescente neste ano, principalmente por causa da desvalorização do real frente ao dólar. Um dos maiores exemplos é o arroz, que teve alta de 95,60% no período. O preço do saco de cinco quilos do insumo quase dobrou, e saltou de R$ 13,80 em novembro de 2019 para R$ 27 neste mês.

“Produtos essenciais subiram bastante. Para comprar o básico do básico está complicado”, afirmou o engenheiro agrônomo responsável pelo levantamento, Fábio Vezzá De Benedetto, ao destacar que, ao longo dos 20 anos pelos quais realiza o acompanhamento, este é o momento mais crítico de alta nos alimentos. “Com a pandemia, há uma crise econômica no mundo todo. E, em alguns setores, há desabastecimento. No caso dos alimentos, temos a tranquilidade de viver num País produtor, mas não temos como fugir do dólar alto.”

Bens como carnes, arroz, óleo de soja (alta de 120%, atualmente em R$ 7,63) e trigo (a farinha teve alta de 31,76%, hoje em R$ 5,02), são commodities, ou seja, bens classificados como matérias-primas e que têm o preço determinado pela oferta e procura internacionais. Além disso, também há interferência indireta do câmbio. Ontem, o dólar encerrou cotado a R$ 5,33.

“No caso do feijão (que subiu 41,25%), ele não é classificado como uma commodity, mas depende de adubo, que é cotado em dólar. No caso da carne bovina, a ração também”, afirmou o especialista, que acredita que o feijão pode ter seu custo reduzido nos próximos meses, por ser um item do mercado doméstico. No entanto, pondera que provavelmente este será um Natal “magro”, já que a alta do câmbio deve continuar.

SEM ALTERNATIVA

Com a disparada dos preços do arroz, feijão, macarrão e até mesmo legumes, como batata, o consumidor fica cada vez com menos alternativas para economizar, a não ser colocar mais água no feijão.

De acordo com a gestora do curso de nutrição da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marcela Previato do Nascimento Ferreira, existe uma preocupação com o acesso ao alimento das famílias mais pobres, o que pode interferir diretamente na saúde. Ela lembra que o Brasil saiu do mapa da fome da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2014. “A segurança alimentar das pessoas é atingida porque a população tem menos acesso a alimentos diversificados de maneira geral. Assim, elas tendem a ter um estado nutricional pior, com risco de desnutrição, o que é ainda mais preocupante numa pandemia”, disse Marcela. 

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