Cultura & Lazer Titulo Música

Dor e festa na
noite do sertão

Maria Alcina apresenta show em homenagem a Luiz Gonzaga
pela Virada Cultural Paulista, no Sesc Santo André, amanhã

18/05/2012 | 07:30
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Recém-lançado, o show de Maria Alcina em tributo a Luiz Gonzaga, que tem apresentação gratuita no Sesc Santo André, amanhã, pela Virada Cultural Paulista, é uma autêntica visita às origens do Rei do Baião.

A festa e as cores do sertão florescerão em meio à seca e ao lamento sertanejo com nuances muito parecidas às que Gonzagão criou em seu vasto universo musical. Maria Alcina, que gravou 'Paraíba' em seu primeiro disco (1973), desta vez entoa o nordestino acompanhada de acordeom e triângulo, além de violão, bateria, baixo e percussão.

"O que sinto é um canto muito brasileiro, parece que estou num quintal de chão de terra. Luiz Gonzaga a gente não descobre, ele já está no nosso inconsciente, na nossa emoção", conta a cantora.

Canções como 'Boiadeiro', 'Asa Branca', 'Qui Nem Jiló', 'Respeita Januário', 'A Vida do Viajante', 'Baião de Dois', 'Xamêgo', 'Olha pro Céu' e 'Forró de Cabo a Rabo' abrem o leque interpretativo do vozeirão grave da festeira e animada Alcina, que também dará vez para a dor da perda.

"Tem uma música muito bonita, 'A Morte do Vaqueiro', uma história real, triste, que expressa o lado da perda. O que eu sinto, e a cada show que faço vou descobrindo novos sentimentos, é que Luiz Gonzaga é de um talento único. Ele traduz o Brasil através da música, pega uma região e leva para o mundo", comenta.

Na corda bamba entre o forró do acordeom e o rock da bateria e do baixo, Maria Alcina acredita que os gêneros são próximos em determinado pontos de vista. "Forró e xote te elevam o espírito, é uma coisa rock and roll, vai esquentando o corpo, é batida e pulsação. Luiz Gonzaga é tão inventivo que na célula musical dele há um mundo, até o rock."

Prestes a completar quatro décadas de carreira, ela pondera sobre a experiência que o acordeom trouxe à sua forma de cantar. "O acordeom tem um toque e harmonia que a bateria quebra, tem que achar o espaço para a voz encaixar. Comecei a observar isso há uns dias, em um ensaio. Pretendo refletir ritmos e nuances da voz e da melodia e elaborar mais a maneira como canto."

CURIOSIDADE
Além da recém-descoberta musical, Maria Alcina quer se debruçar no novo através da realização de um desejo pessoal nos próximos tempos: chegar em Cataguazes (município mineiro onde nasceu) e pegar o ônibus no sentido contrário ao que pegou quando embarcou para o Rio de Janeiro para viver de música. Quer ir à Bahia.

"Muita gente fez o mesmo caminho que eu fiz no início da carreira, quero saber como vai ser o contrário, observar a paisagem. Como é essa estrada? Como será daqui para lá? Sou curiosa e fico feliz quando bate esse sentimento, porque são detalhes como esses, mínimos e fundamentais, que compõem a vida. Estou com 63 anos, não dá tempo de ficar com folia. O tempo agora é de matar a curiosidade."

E talvez, na passagem por pedaços de terra autênticos brasileiros, descobrir formas de contemplação da vida que a música também sabe revelar, como quando, na Caravana do Bolinha, cortando o Nordeste, ela entendeu o 'Luar do Sertão' do mestre Gonzagão. "Vivi o sentimento de ouvir uma música e estar integrada. Observei isso porque houve um problema no ônibus da caravana e tivemos que descer no meio da estrada. E lá estava o luar da canção."

Maria Alcina - Música. Amanhã, às 22h. No Sesc Santo André - Rua Tamarutaca, 302. Tel.: 4469-1200. Grátis.

DGABC



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